Ele virou uma fera!

635 Words
Quando o meu pai se apercebeu que eu não estava em casa, me procurou em todos os lugares possíveis, até os que eu menos frequentava. Ele sabia que não podia estar na escola, porque era domingo, não estava no parque, porque menores só entravam com um adulto. Eu não sei como o meu pai me encontrou, mas ele me encontrou! Talvez o meu tio Edgar tenha ligado para ele... não sei... Quando o meu pai chegou, eu estava dentro de casa falando com o meu avô, quando a minha avó me levou para fora. Ao ver o olhar do meu pai, notei o quão chateado ele estava comigo, até as expressões faciais estavam diferentes. Mas, nem chateado deixou de se preocupar comigo. Me separou do colo da minha avó de maneira brusca e me colocou no colo dele, perguntando se eu estava bem. _ FIQUEM LONGE DA MINHA FILHA! Disse de uma maneira amedrontante aos meus avôs e ao meu tio Edgar. Avisou para que ficassem longe de mim e que se dependesse dele, eles nunca me conheceriam. Depois daquilo, fomos para casa. O meu pai me levou para o quarto por causa da alergia, elas ardiam muito, tinha até vontade de tirar a minha própria pele. Papai me ajudou a tomar banho, estava suja e havia brincado muito, precisava retirar o suor da pele, para melhorar um pouco a irritação. Depois daí, papai pegou uma pomada, não lembro qual era o nome, mas sei que o conteúdo era da cor rosa, e com a ajuda dela, do papai e de Deus, a alergia passou. Naquele mesmo dia, o meu pai me fez prometer que nunca mais sairia de casa sem avisar e menos ainda para ver os meus avôs e tios. Não queria prometer, sabia que seria duro cumprir aquilo. Eu gostava deles, eram minha família... porque não posso estar com eles? Enquanto olhava fixamente para ver se o papai desistisse, fui interrompida com um grito estrondoso vindo dele. _ PROMETA, LUARA! Fiquei com medo e prometi na hora, com a voz afónica, mas as palavras se fizeram perceber. Luara, era o nome que papai usava quando estava prestes a chamar a minha atenção e poucas vezes se ouvia vindo da boca dele, então sabia logo que não estava para brincadeiras. Mesmo depois de prometer, papai ficou cerca de duas semanas sem falar comigo em condições. Sabia que não era o que ele queria, mas precisava de alguma maneira me educar e colocar na minha mente que seria aquilo que aconteceria, caso não obedecesse. Aquele ambiente estava pesadíssimo, amava muito o papai e ficar sem o seu carinho me matava por dentro... Naqueles dias lembrei da mamãe e de quanta saudade tinha dela, já haviam se passado mais de 2 anos que não a via. Mamãe apenas ligava de vez em quando para falar comigo. Por impressionante que pareça, nunca fui proibida de falar com ela e nunca mais vi o papai chorar ou falar m*l com ela desde que saiu de casa e todas as vezes que ligava. Sempre que era ligação dela, rapidamente papai reencaminhava o telefone para mim e ficava apenas me observando conversando com a mamãe. E foi assim durante anos... Apenas ligações. Minha mãe não se fazia presente nem nos meus aniversários. Sempre envia os presentes, mas não era o que eu realmente queria... Eu queria ela... Queria a minha mãe, nem que fosse por um minuto só. Me perguntava porque ela apenas ficava com os meus irmãos e nunca comigo? Será que não gostava de mim? Será que não me queria? Eu não era especial? Eram questões que embora sendo pequena, passavam pela minha mente. Via como as minhas colegas abraçavam as suas mães, como eram cuidadas... Eu tive esse cuidado por um tempo... só por um tempo...
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