Depois daquele desabafo com a tia Clara, senti um impulso de ligar para o meu pai. Peguei no telefone e disquei o número do senhor Júlio. Meu coração acelerava enquanto esperava ele atender. — Alícia! — a voz dele soou firme, mas com aquele carinho que só um pai pode ter. — Papai… — comecei, e a voz falhou um pouco. — Eu… estou com tantas saudades… Enquanto falava, as lágrimas começaram a cair. Eu contei como estava a gostar de Luanda, de estar com o tio, da casa linda, do cuidado que eles tinham comigo. — Papai, eu… eu não quero mais ficar distante da família… — disse entre soluços. — Quero poder ligar para o tio, quero que você visite a casa dele, que a gente tenha essa família estruturada, sabe? Quero sentir que somos todos próximos de novo… Ele permaneceu em silêncio por alguns se

