Depois de tomar banho e me deitar, lembrei que ainda não havia falado com o meu pai, o senhor Júlio, nem com o Derrick, o meu namorado. A saudade apertava, e eu precisava muito avisar que já estava em Luanda, que tinha chegado bem.
Peguei o laptop e tentei fazer uma vídeo chamada com o meu pai. Digitei o número, respirei fundo e cliquei em chamar. Mas a tela mostrou que ele não atendeu. Suspirei, sabendo que ele devia estar ocupado.
— Tudo bem, papai… a gente se fala amanhã — murmurei para mim mesma, tentando não me preocupar.
Então peguei o telefone e tentei ligar para ele, mas novamente sem sucesso. Um aperto me invadiu por alguns segundos, mas respirei fundo e decidi ligar para o Derrick.
Assim que ele atendeu, minha voz se encheu de alívio:
— Alicia! Já chegou em Luanda? — disse ele, cheio de entusiasmo.
— Sim, amor! Cheguei bem, está tudo certo — respondi, sorrindo sozinha só de ouvir a voz dele.
A conversa fluiu naturalmente, entre risadas, pequenas brincadeiras e aquele calor que só nós dois compartilhamos. Contei da viagem, do aeroporto, dos primeiros momentos com o tio e a tia, e Derrick ria com cada detalhe.
— Eu já estava preocupado, sabia? — disse ele.
— Eu sei, amor… mas está tudo bem agora — respondi, sentindo meu coração leve.
Foram minutos de carinho e atenção, palavras de amor que faziam a distância parecer menor. Quando a conversa terminou, senti-me tranquila, amada e protegida.
Às 21h43, desliguei o telefone e me deitei, deixando que o cansaço do dia e da viagem me envolvesse. Fechei os olhos, pensando no meu pai e no Derrick, e adormeci profundamente.