Eu adoenci!

632 Words
Um mês depois na madrugada de setembro, levantei da cama sem fazer barulho. Não sabia que o se passava com o meu corpo naquele dia. Ele estava estranho. Não queria preocupar o papai, então não falei nada sobre, apenas pedi para dormir no quarto dele naquele dia. Depois de ter levantado da cama, porque estava com dificuldades ao respirar, fui até a varanda para apanhar um pouco de ar. Segundos depois, o meu nariz começou a pingar gotas de sangue. Estava muito assustada, voltei correndo para o quarto. Mal cheguei lá, senti o meu corpo ficar sem forças. Só lembro de ter gritado pelo meu pai e que ele havia chamado pelo meu nome... Ao acordar, notei que estava deitada em uma cama de hospital. Os barulhos das máquinas eram ensurdecedor para os meus ouvidos. Não percebia o que estava a acontecer... Aquele não parecia ser o meu corpo... Vi pessoas olhando para mim e colocando um tipo de mini lanterna nos meus olhos, era a equipe médica. _ Alicia... Chamavam por mim, mas eu não conseguia responder, perdi o controle total do meu corpo. Adormeci novamente... Eu estava na UCI, doença desconhecida, estágio 1. Havia ficado em como por uma semana. Como é possível uma adolescente apenas sentir falta de ar, ter sangramento nasal e acordar semana depois nos cuidados intensivos? Enquanto o médico falava, olhei para os meus pais, que estavam vestidos com batas de p******o, aquelas usadas pela equipe de saúde. Só não sabia se era para a minha p******o ou da deles. Depois de duas Semanas, recebi baixa. Digo baixa, porque por mais que os médicos diziam que estava melhor, não sentia isso. O meu corpo estava diferente, não era totalmente eu... Parecia ter sido trocado por um corpo de uma menina, cujo os pais se separam aos 4 anos e aos 15 anos foi diagnosticada com um doença sem cura e que a afetaria a vida inteira... Agora entendia o motivo da grande preocupação do meu pai por mim. As alimentações regradas, a toma constante de água, horários estabelecidos de sono, restrições com lugares ou coisas, até mesmo roupas de diferentes tecidos, cores ou cheiros eram proibidos em casa. Papai ficava agastado quando eu espirrasse, nem que fosse de leve, não compreendia a preocupação excessiva dele, até então aquele dia. Meus pais e a equipa médica que tem acompanhado e feito os estudos, tinham esperança de que eu não manifestasse a síndrome, por ter maioritariamente os genes do meu pai, tinha 60% dos genes do papai e 40% dos genes da mamãe. Mas foi uma esperança nula. Agora mais do que nunca notava a preocupação e desespero do meu pai sobre mim... E em um desses dias, enquanto acontecia a consulta de rotina em casa, ouvi por descuido uma conversa do papai com o médico. _ Ela é uma menina forte, Júlio. Ela tem os seus genes. _ Não vou aguentar perder a minha filha. É a minha única filha, a minha princesa, o amor da minha vida. O que vou fazer se acontecer algo com ela? me fala, Fernandes. Papai falou aquilo com lágrimas escorrendo pelo rosto, se apoiando na parede por estar sem forças. Fiquei de rastos ao ver o meu pai daquele jeito, a dor que sentia no peito era indescritível. Era raro chegar até aos 35 anos tendo essa doença. Minha tatarávo faleceu aos 15 anos, minha tetravô faleceu aos 17 anos, minha bisavó aos 16, minha avó aos 19 anos. A esperança de vida era baixíssima, mas quanto mais os estudos avançam, melhor se cuidava da família. Hoje minha mãe parece ter reprimido a doença, está com 36 anos e embora viva a base de comprimidos e terapias, superou a esperança de vida da família e com ela, a Bruna e eu.
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