Algum tempo depois…
Lorenzo tenta se comunicar com Enrico e percebe que o telefone do irmão estava impossibilitado de receber chamadas, o que levantava ainda mais suspeitas sobre seu sumiço repentino.
Depois daquela conversa estranha que tiveram no escritório, Lorenzo se perguntava se o irmão havia voltado a realizar missões dentro do submundo do crime, o qual lutaram tanto pra sair e defendê-lo de uma culpa que não era dele. Sentia como se o irmão estivesse mostrando ingratidão por tudo aquilo que tanto Lorenzo, quanto Alice se esforçaram para cuidar, e havia custado caro.
Mesmo que Lorenzo não concordasse com aquela teoria, ele tinha plena certeza de que era por isso que Enrico havia sumido, só esperava que ele não estivesse envolvido na fuga de Maurício e que estivessem trabalhando juntos. Lorenzo não queria acreditar que o irmão poderia estar envolvido, mas uma parte dele, acreditava que poderia haver uma chance, e não teria mais volta.
Depois de perceber que não teria sucesso ligando no número de Enrico, Lorenzo decidiu deixar pra lá, antes que por um desgosto do acaso o submundo do crime viesse atrás dele, sendo totalmente afetado pelas decisões de seu irmão.
Na parte da tarde, enquanto estava concentrado em seu trabalhando, revisando arquivos e comparando datas, a notificação em seu celular brilhou na tela escura. Uma nova mensagem sem remetente, apenas uma foto de um beco m*l iluminado. Ele suspirou, passando a mão no rosto, preocupado. Enrico estava brincando com fogo outra vez.
— Merda! — murmurou.
Ao analisar a foto com mais atenção, Lorenzo percebeu que o beco lhe era familiar, era um dos pontos mais usados para transações clandestinas alguns anos atrás. Só de ver a foto, Lorenzo automaticamente se lembrou do local, o cheiro úmido presente, as caligrafias do grafite das paredes, o cheiro constante de gasolina, tudo aquilo ainda era fresco em sua mente, por mais que tentasse evitar, se lembrava perfeitamente.
Mas Lorenzo não ia mais se deixar levar por essa estrada, ele estava decidido a nunca mais voltar para aquele caminho. Já Enrico que havia dito determinadamente também que não voltaria para aquele mundo, havia mentido para o seu irmão, mas Lorenzo não podia tomar decisões por seu irmão e o proteger para sempre de cada decisão r**m que ele tomasse.
Lorenzo encarou a tela do telefone por um momento antes de finalmente apertar o botão de chamada, ligando para Enrico outra vez.
O sinal tocou uma, duas, três vezes… e então caiu na caixa postal. Ele bufou, jogando o celular na mesa, nervoso. O eco do aparelho batendo contra a mesa de vidro soou alto dentro daquele escritório silencioso.
— Bom, se ele quer mesmo continuar a seguir esse caminho, que siga sozinho — murmurou para si mesmo.
Com um suspiro pesado, decidiu não se deixar levar por aquilo, além de trabalhar, tinha coisas mais importantes a se preocupar.
A lembrança dos olhos marejados de Alice naquela manhã após o pesadelo ainda pesava na mente de Lorenzo. Ele apoiou os cotovelos na mesa do escritório, entrelaçando os dedos. O jeito que ela desviou o olhar quando ele perguntou se estava tudo bem, ele queria saber mais, saber as motivações do pai de Alice reagir daquela forma contra sua própria filha. De qualquer forma, ele precisava encontrar um jeito de estar ao lado dela, sem que ela se sentisse pressionada.
Mais tarde, quando o expediente acabou, Lorenzo foi ao mercado comprar algumas coisas para fazer o jantar deles. Enquanto ele escolhia um pacote de macarrão tranquilamente, sentiu um arrepio na nuca, como se estivesse sendo observado e fez um sinal para seu segurança que estava do outro lado, se aproximar dela. Enquanto Derik se aproximava, Lorenzo disfarçou, pegando um molho de tomate e olhando ao redor. Não viu nada de incomum, mas a sensação persistia, e não ia ficar ali tempo suficiente para tirar essa dúvida.
— Você viu alguma coisa de incomum? Porque eu não vi, mas a sensação é de que tem alguém de olho em mim. — sussurrou para Derik.
Ele olhou ao redor e apenas negou com a cabeça, e seguiu Lorenzo até o carrinho.
Colocou os itens no carrinho e seguiu direto para o caixa, mantendo os sentidos em alerta e sendo totalmente acompanhado por seu segurança. Depois, Lorenzo foi direto para casa, e dispensou os serviços do segurança por aquela noite, já que dois permaneciam vigilantes dentro do seu apartamento.
Ao adentrar no apartamento o silêncio do local lhe deu um misto de alívio e inquietação.
— Alice já chegou.? — perguntou ele a Hector.
— Não, senhor. — disse e Lorenzo assentiu, indo para a cozinha.
Largando as sacolas no balcão, ele seguiu direto para o chuveiro para tomar um banho relaxante. Depois, vestiu uma camisa e uma bermuda confortável, e voltou para a cozinha para começar a adiantar o jantar.
Cozinhar sempre o ajudava a organizar os pensamentos. Acendeu a chama do fogão, tentando não pensar na sensação de ter sido observado momentos antes. Pouco depois, Alice adentrou pelo apartamento com Daniel atrás dela, observando tudo, antes de entrar no apartamento.
— Oi amor, que bom que você chegou. — disse ele, vindo na direção de Alice.
— Oi. — disse ela antes de dar um selinho nele.
Os dois seguranças voltam para seus lugares, um na porta de entrada e outro na porta que ficava na cozinha, dando certa privacidade para Alice e Lorenzo.
— Espero que seu dia tenha sido tranquilo hoje.
— Foi sim, e o seu? — perguntou.
— Foi tranquilo também. Agora vai lá tomar seu banho, enquanto eu termino aqui. — falou a soltando devagar.
— Tá bom. — Alice disse sorrindo e foi escoltada por Daniel até o andar de cima.
Enquanto Alice tomava banho, Daniel tinha que ficar alerta nos corredores do andar de cima, já que o apartamento dele era enorme. Alice tomou um banho demorado, sentindo seus ombros pesados.
Quando saiu, vestiu um conjunto de pijama na altura do joelho e desceu, acompanhada por Daniel. Ao chegar na cozinha, viu Lorenzo colocando os talheres sobre a mesa, e foi ajudá-lo a terminar de organizar tudo.
Eles jantaram num clima agradável e depois foram se deitar, aproveitando um pouco a companhia um do outro, enquanto viam algo na tv até pegarem no sono.