No dia seguinte à chegada de Alice, Lorenzo acorda pela manhã para ir trabalhar, ele se esforça muito para não acordar Alice, mas o barulho do despertador a desperta.
— Bom dia. — diz ele num sussurro.
— Bom dia. — ela responde com uma voz manhosa.
— Eu vou trabalhar, mas vou deixar o Daniel e o Hector aqui pra cuidar de você. Já contratei outro segurança para me acompanhar no trabalho. — Explicou Lorenzo.
— Tá bom.
— Você vai trabalhar hoje?
— Ainda não sei. — disse pegando o celular. — Minha chefe ainda não mandou mensagem, então vou aproveitar pra dormir mais um pouquinho.
— Aproveita mesmo. — disse se aproximando dela e beijando sua testa.
Alice voltou a se cobrir e fechou os olhos, tornando aquele descanso mais do que merecido, já que ela raramente podia dormir até mais tarde.
Um pouco mais tarde, por volta das 9h00, ela acordou. Pegou um roupão de Lorenzo, já que não podia andar pela casa só de camisola; vestiu e saiu do quarto, indo até o quarto ao lado. Tomou seu banho, vestiu uma roupa apropriada para passar o resto do dia e desceu para tomar seu café da manhã, mas ela não esperava encontrar uma surpresa de Lorenzo tão cedo naquele dia. Ao entrar na cozinha, se deparou com uma cesta de café da manhã bem grande.
— Nossa. — comentou consigo mesma.
— O senhor Ricci também deixou uma jarra de suco e café preparados. — disse Daniel interrompendo os pensamentos dela.
— Obrigada, Daniel. — Alice falou com um sorriso sincero.
Foi até a geladeira e pegou o suco, e era de uva, o seu favorito. Sorriu consigo mesma feliz por ter Lorenzo de volta à sua vida. Voltou para a mesa com a jarra de suco e um copo, depois abriu a cesta e começou a comer. Pouco depois, Alice vai até a janela do apartamento notando que o clima lá fora estava nublado, apesar de o clima dentro do apartamento estar quentinho, viu algumas pessoas usando um leve casaco. Sabia que em breve poderia chover um pouco.
Retornou para o quarto apenas para pegar seu cobertor favorito e um travesseiro, para se deitar no sofá e ver algum filme na tv. Ao mesmo tempo, ficava refletindo sobre a mudança repentina que havia acontecido em sua vida, tão depressa.
Logo ela percebe uma movimentação estranha dos seguranças na cozinha, mas decide não perguntar nada. Mas Daniel vem ao encontro dela.
— Senhora, nós estamos recebendo atualizações sobre o Maurício, e ele foi visto na França. — falou e Alice sentiu um frio na espinha. — Não sabemos ainda, se ele vai tentar atravessar para o Reino Unido com um passaporte falso. Mas ele já mudou totalmente o corte de cabelo e a cor também.
— Isso não é uma boa notícia. — Alice falou.
— Não, senhora. Mas pode ficar tranquila que aqui, ele com certeza não vai entrar, faremos o possível e o impossível para protegê-la.
— Obrigada! — disse e Daniel se retirou.
Alice voltou a se recostar no sofá, preocupada, mesmo com os seguranças ali, se eles fossem atacados, provavelmente Maurício a pegaria novamente e ela tinha medo do que ele seria capaz de fazer dessa vez.
Mais tarde, por volta das 13h30, a chefe de Alice ligou pra informar que tinha conseguido acertar a transferência e também o endereço do escritório em Londres para Alice já ir conhecer o escritório. Alice tomou um banho, se vestiu adequadamente para o ambiente de trabalho e levou suas coisas numa bolsa, caso fosse ficar para já começar a trabalhar.
O prédio era imponente, com janelas amplas que refletiam o céu nublado de Londres. Alice respirou fundo antes de entrar, sentindo uma mistura de animação e nervosismo.
— Boa tarde, estou aqui para conhecer a Laura, eu sou a Alice (sobrenome)
— Claro, é só seguir por esse corredor. — disse a recepcionista.
— Obrigada! — Alice deu um sorriso gentil para a moça.
Ao atravessar a moderna recepção, ela subiu pelo elevador silencioso, preparando-se para causar uma boa primeira impressão.
— Alice, certo? Seja bem-vinda. — A voz firme da mulher não escondia o profissionalismo. — Meu nome é Laura Reynolds.
O aperto de mão foi rápido, e o olhar avaliativo dela, indicava que o período de adaptação de Alice seria curto.
— Espero grandes coisas de você, ouvi falar bem de você, então espero que faça jus ao que ouvi. Não costumo aceitar menos que isso. — disse.
— Sim, senhora.
— Você está com suas ferramentas de trabalho?
— Sim.
— Então venha comigo conhecer sua nova sala. — disse apontando para frente e Alice a seguiu.
[...]
O dia foi se passando bem cheio, Alice m*l conseguia absorver os detalhes da cidade, só quando parava para tomar café na varanda do escritório que percebia o quanto sua vida havia mudado.
Então de repente, uma sensação estranha veio primeiro como um instinto, um arrepio na nuca. Alice olhou discretamente para a calçada do prédio. Havia um carro preto, parado bem em frente ao escritório e a pessoa parecia ver Alice e saber que ela estava ciente de que estava sendo vigiada. Seu coração acelerou, mas logo voltou para o trabalho.
No final do expediente Lorenzo liga para Alice, e descobre que ela foi para a empresa sem segurança. Quando ela chega em casa, Lorenzo está sentado no sofá, ela se aproxima dele.
— Desculpa por não levar um segurança comigo. Eu precisava preparar minha chefe primeiro pra isso.
— E quanto ao carro preto parado no seu escritório? — perguntou ele.
Alice engoliu em seco, e começou a contar toda a história do que aconteceu.
— Você não acha que pode ter sido coincidência? — Alice perguntou, cruzando os braços.
— Coincidência? — Lorenzo bufou, passando a mão pelo cabelo. — Você passou dos limites, Alice, se colocou em risco! Deveria ter saído com um segurança desde o início.
— Mas eu não quero viver assim, Lorenzo! — Alice ergueu a voz, frustrada. — Ser vigiada o tempo todo, ser escoltada como se fosse um alvo ambulante.
— Mas você é um alvo! — Ele rebateu, os olhos ardendo de preocupação. — Você acha que isso aqui é um jogo?
— Eu sei que não. Me desculpa, na próxima, eu saio com um segurança.
— Tudo bem. Agora vamos jantar e ir tentar descansar depois dessa loucura de dia.
Lorenzo disse e ela assentiu, indo atrás dele até a cozinha.
No meio da noite, o telefone de Daniel tocou, após ouvir todas as informações que o informante passou, ele rapidamente foi até o quarto do casal, e bateu na porta, entrando logo depois de ouvir a autorização de Lorenzo.
Daniel estava com uma expressão séria.
— Temos um problema. Maurício está aqui na cidade.