Leandro
Ela não sabe quantas noites insones eu passei pensando nela. Quão desesperadamente eu a quero e isso é um inferno para mim, pois eu não gosto do que estou sentindo, não gosto de misturar trabalho com minha vida sentimental.
Mas Deus, eu a quero tanto!
Eu geralmente sou tão seguro de mim, mas agora me sinto pisando em ovos.
Me aproximo mais sem desviar um minuto sequer dos lindos olhos verdes de Isabela, ergo uma das minhas mãos e enfio em seus cabelos, a outra a puxo pela cintura.
Isabela
Leandro desliza os dedos pelos meus cabelos, cobrindo a parte de trás da minha cabeça, então descansa sua testa contra a minha. Sua respiração quente se mistura com a minha, e o toque dele me faz estremecer. Meus olhos encaram os dele, tão intensos que me fazem perder o fôlego.
— Você é tão teimosa! — Ele murmura perto da minha boca, sua voz um sussurro carregado de emoção. Se ele mover um centímetro, nós nos beijaríamos.
Meu corpo está em alerta, cada terminação nervosa atenta ao calor que irradia dele. Sinto meu coração disparar, mas me forço a manter o controle. Não posso permitir que esse momento me domine.
Ele solta um suspiro angustiado, e isso me angustia também. Seus olhos são um mar revolto de emoções que ele tenta, sem sucesso, esconder.
— Não queria te amar, mas te amo. — Sua voz soa deliciosamente rouca e incrivelmente sexy, me provocando arrepios. — Não posso, eu sei... Mas o verdadeiro amor não faz exigências, ele se doa gratuitamente e segue viagem. Saiba que eu morreria por você.
Eu respiro fundo, tentando absorver suas palavras. O que ele quer afinal? Que eu desista de tudo por ele? Que eu esqueça quem sou e o que vim fazer aqui?
Leandro
Eu não consigo parar de olhar para a boca dela. Meus olhos vagam por seus lábios carnudos e macios, hipnotizados pelo desejo. A vontade de beijá-la consome cada parte do meu ser. Meu corpo grita por ela. Meus instintos, meu coração, tudo em mim clama por essa mulher que me desafia e me enlouquece ao mesmo tempo.
Seu perfume de maçã é como uma droga para mim. Me embriaga, me domina, me faz perder qualquer resquício de razão.
Não posso resistir. Tomo seu rosto em minhas mãos e a beijo, duramente. Seu corpo estremece em minhas mãos, e consigo sentir a tensão dela. Mas então, aos poucos, ela relaxa, e seus lábios se abrem para mim. Isso me faz perder o controle de vez. A puxo ainda mais para mim, esmagando nossos corpos, sentindo o calor dela se misturar ao meu.
— Eu te amo. — Eu sussurro contra seus lábios, meu coração trovejando dentro do peito.
Ela fecha os olhos, mas não diz nada. Isso não me impede de aprofundar o beijo, explorando, reivindicando, desejando. Ela corresponde, e para mim, no momento, essa é a única resposta que preciso. Minha língua desliza contra a dela, saboreando, ansiando por mais.
Mas então, sinto suas mãos contra meu peito, um toque suave, mas determinado. Ela me afasta.
— Leandro, por favor. Melhor você ir.
Solto o ar com tristeza, sentindo uma dor surda atravessar meu peito. Eu não queria parar. Eu não queria ir. Mas ela precisa desse espaço.
— Tudo bem. — Minha voz sai rouca, carregada de emoção contida.
Isabela
Eu observo Leandro sair pela porta do meu apartamento, e reprimo a vontade de chamá-lo de volta. Dizer-lhe que poderíamos nos conhecer mais intimamente, que eu poderia me permitir sentir. Mas não posso.
Não!
Não!
Não posso fazer isso. É contra as regras. Se eu me deixar envolver, ele poderá usar isso contra mim. Poderá contar para Carlos, nosso chefe do departamento tático, e então tudo irá por água abaixo. Leandro já foi apresentado a Rafael e trocar de parceiro agora seria inviável.
O sabor dos lábios dele ainda está na minha boca, mas minha mente me trai ao trazer outra imagem.
Rafael Ferreira Souza.
O bandidão. O grande urso sexy.
Aqueles olhos verdes, lindos. Pestanas compridas, um rosto que parece esculpido por algum artista renascentista. Como um homem pode ser tão bonito e tão mau ao mesmo tempo?
Ele é como uma arma letal em pessoa.
Rafael Ferreira Souza
Saio da boate logo depois que Isabela — a intrigante Isabela — foi embora. O lugar, que já não faz sentido para mim há muito tempo, perdeu qualquer vestígio de graça quando ela atravessou aquela porta.
Dirijo pelas ruas do Leblon até chegar ao meu apartamento. A cobertura de frente para o mar tem o silêncio que normalmente me conforta, mas hoje, ao entrar, sinto o peso de algo diferente. A governanta me olha de soslaio quando me vê chegar mais cedo do que o habitual, mas não diz nada.
Vou direto para o meu quarto, tiro a roupa e, sem perceber, sorrio ao lembrar dos olhos de Rebeca. Aquele olhar… aquele olhar carrega segredos. Ela é um mistério que me fascina.
Entro debaixo do chuveiro, deixando a água quente escorrer pelo meu corpo, tentando lavar os pensamentos que não me dão paz.
Fecho a torneira, pego uma toalha e, enquanto seco o cabelo, caminho até o quarto de Alice.
Quando abro a porta devagar, a luz baixa do abajur ilumina seu rosto inocente. Meu peito aperta. Dante está repetindo o ciclo sujo que nosso pai começou. E Alice, minha pequena Alice, está presa nesse mundo.
Dante continua jogando com o destino. E, no fim das contas, quem mais sofre é ela.
Fecho a porta com cuidado e volto para o banheiro. Encaro meu reflexo no espelho enquanto passo o barbeador.
Dante quer se afundar no inferno? Problema dele. Mas Alice não.