Ninguém perde o que nunca teve.

1154 Words
s olhos de Dante são como dois abismos escuros, profundos e infinitos, e quando ele me encara, sinto como se estivesse sendo sugada para dentro deles, incapaz de resistir. Sua beleza é assustadora, mas é a intensidade daquele olhar que realmente me derruba. Há algo em seu olhar, uma mistura de arrogância e desejo, que mexe comigo de uma maneira que eu não consigo controlar. Ele me observa como se fosse dono de tudo ao seu redor, e por um momento, tenho a sensação de que sou apenas mais uma peça em seu jogo. E, ainda assim, sinto algo mais. É uma atração primitiva, que vai além da lógica, uma força que me prende, que me faz querer entender por que me sinto tão vulnerável diante dele. A cada segundo que passa, me sinto mais pequena, mais exposta, e, ao mesmo tempo, uma parte de mim quase quer me entregar completamente àquela força avassaladora. Sinto a tensão aumentando entre nós, como se a qualquer momento ele fosse me dominar, não apenas fisicamente, mas de uma forma mais profunda, emocional. Tento me afastar, mas meu corpo parece não responder, preso pelo magnetismo daquele olhar, pela aura de poder que ele emana. Ele sorri ligeiramente, como se tivesse percebido meu desconforto e minha luta interna, e eu quase perco o equilíbrio. Não posso deixar isso acontecer. Não posso deixar que ele me vença tão facilmente. Mas, enquanto tento manter a compostura, algo dentro de mim sabe que, de certa forma, ele já me conquistou, sem que eu quisesse, sem que eu tivesse qualquer controle. —Nenhum beijo de boa noite? — ele diz, a voz suave, mas com aquele tom desafiador, que faz meu coração acelerar ainda mais. Sinto um calafrio percorrer minha espinha, e meu peito se aperta, como se ele estivesse tentando testar meus limites. —Lembre-se que eu te falei. Que você não me tocaria sem minha permissão. — minha voz sai firme, mas meu coração dispara, uma mistura de raiva e algo mais difícil de identificar. —Eu não sigo regras. — ele responde, a arrogância em suas palavras me arranha, mas o olhar que ele me lança ainda tem aquele poder de me fazer sentir frágil. Eu o encaro com dureza, tentando mascarar a turbulência dentro de mim. Ele não pode ver a fraqueza. —Isso é o seu m*l. Você poderia começar a aprender a seguir algumas, principalmente as que eu te proponho. — ele fala com uma calma quase assustadora, e, sem mais, se endireita, puxando a mão do meu corpo para longe. O gesto é abrupto, mas o impacto é como uma faísca que acende algo em mim. —Difícil, p*u que nasce torto, morre torto. Mas vou tentar, porque quero te ganhar. Não quero te perder. — ele diz, com uma sinceridade inusitada, que me deixa sem palavras, a tensão no ar se tornando quase insuportável. —Ninguém perde o que nunca teve. — minha resposta sai mais ácida do que eu pretendia, e percebo que ele percebeu. —Belo chavão. Mas saiba que eu ainda vou te ter. É só uma questão de tempo. — ele diz, tão certo de si que, por um momento, meu estômago se revira, e sinto uma pontada de desespero, como se algo estivesse escapando de minhas mãos sem eu poder evitar. —Por favor, Dante. Me olhe como uma profissional. Não percebe que, se eu não confiar em você, não vou conseguir trabalhar para você, principalmente quando você levar Alice? — a minha voz sai mais controlada do que eu me sinto, mas dentro de mim, uma agitação crescente ameaça me engolir. —Você fala comigo, como se eu fosse forçar algo com você. Nunca precisei forçar nada com uma mulher. Elas sempre se entregaram para mim de bom grado. — ele diz, com uma confiança quase c***l, e eu tento manter a compostura, mas as palavras dele me cortam de uma forma que eu não consigo ignorar. Eu o encaro, sem saber se a raiva ou o desconforto são mais intensos. —Você sabe receber nãos? Ele sorri com uma confiança quase arrogante, e eu não posso deixar de me irritar. —Não gosto. —Eu percebi. Talvez o que te atraia em mim sejam as minhas negativas. Já pensou nisso? — pergunto, mais para desviar a atenção de mim mesma do que para realmente provocá-lo, mas algo na minha voz trai meu próprio desconforto. —Pensei. Mas acredito que não é só isso e eu já te disse isso. — ele responde, sem sair do seu posto de domínio. Eu posso sentir o peso de cada palavra, o quão profundo ele pretende ir. —Boa noite. — Eu o corto, a voz mais baixa, com a frustração se tornando mais evidente, mais difícil de esconder. —Boa noite, princesa. — ele responde, a voz suave, mas com o mesmo tom provocador, como se ele soubesse exatamente o que está fazendo comigo, mesmo quando não faço nada para demonstrar. Abro a porta, e para meu alívio, ele não me impede. Quando saio, a sensação de estar sendo observada se mantém, e a minha cabeça está um turbilhão. Logo alcanço a sala e vejo Rafael sentado no sofá, a postura relaxada, mas algo na sua expressão denuncia a inquietação. Vejo então o copo cheio de uísque em sua mão. —E Alice? — pergunto, o peso da responsabilidade tornando-se mais claro em minha mente, como se a missão tivesse se tornado pessoal demais, mais difícil de ignorar. —Estela está com ela. — ele responde, mas a forma como bebe o uísque, a expressão nos olhos dele, me diz que ele está em uma batalha interna, talvez mais difícil do que a minha. —Beber não adianta nada. — minha voz sai quase automática, mas Rafael ignora minhas palavras, engolindo a dose de uísque em um único gole. Ele me encara com uma expressão carregada de fúria reprimida. —Você o convenceu? —Sim. — eu respondo, sentindo uma pontada de alívio, mas não o suficiente para me acalmar. —Até quando? — ele pergunta, a voz endurecendo, e eu vejo o quanto isso tudo está o afetando, o quanto ele já carrega no peso do que está por vir. —Consegui uma semana. Mas, pretendo convencê-lo de que o melhor para Alice é morar com você. — eu falo com uma certeza que não tenho dentro de mim, mas me obrigo a acreditar. Para ele. Para Alice. Isso não o anima, e ele se levanta, como se o peso das minhas palavras fosse um fardo que ele não pode mais carregar. Caminha até o aparador, coloca a garrafa e o copo vazio, e então se afasta para o corredor, sem dizer uma palavra. Sua dor agora é mais visível, mais crua, e a minha frustração se mistura a uma tristeza silenciosa que me acompanha enquanto observo seu passo pesado.
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