Fico triste com toda a situação e sigo para o meu quarto, mas lá não fico muito tempo. A fome aperta e decido passar pela cozinha. Abro a geladeira, pego os ingredientes para preparar um lanche rápido. Então, Dante surge, e a visão dele me paralisa por um instante.
Deus, ele está... irresistível. A camisa branca aberta, revelando seu peito forte, as pernas esculpidas pela calça preta. Quando me vê, aquele sorriso lascivo aparece em seu rosto, e seus olhos se prendem ao meu lanche, mas é a intensidade daquele olhar que me faz hesitar. Ele se aproxima, a confiança dele inebriante, e sua presença me faz esquecer até mesmo da comida.
—Hum, faz um para mim? — ele diz, com um tom de comando que não deixa margem para questionamentos.
Sem hesitar, empurro meu prato para ele e começo a preparar outro. Ele se senta na banqueta, pegando o sanduíche, sem pressa, e me observa com uma expressão que mistura curiosidade e diversão. A tensão entre nós cresce, mas tento ignorá-la.
—O que foi, princesa? — ele pergunta, com aquele tom que mais parece uma provocação.
—Nada. Pensei que tivesse ido dormir. — respiro fundo, tentando controlar a inquietação.
—Está chateada? — ele pergunta, mas a forma como olha para mim, quase desafiando, não ajuda a disfarçar a tensão crescente.
Suspirando, vou até a geladeira, pego a jarra de suco de laranja e encho dois copos, estendendo um para ele.
—Você não me respondeu. — ele insiste.
Bebo um gole do meu suco, tentando suavizar a tensão crescente.
—Não gostei de ver Rafael com a camisa suja de sangue. Se eu vi, Alice também viu. Ela não é tão pequena assim para não entender. E ela ouviu a briga de vocês. Dava para ouvir lá de fora. — tento manter a calma, mas a situação me corrói por dentro.
Ele morde o sanduíche e me olha com um brilho irônico, como se não fosse se deixar afetar.
—Agora que você vem me falar sobre isso? Queria me convencer naquela hora, não é mesmo? Como Alice ficará mais uma semana agora me dá um sermão. E você fica linda quando está brava.
Eu resmungo, irritada, sem conseguir esconder a frustração.
—Você ouviu o que eu disse?
Ele respira fundo, como se estivesse pesando suas palavras antes de as soltar. A tensão entre nós parece aumentar, e mesmo assim, ele não se desvia.
—Ouvi. Se eu disser que ele me atacou primeiro, você acredita?
Eu n**o, sem hesitar, a voz mais firme agora, como se as palavras fossem a única defesa que ainda tenho.
—Não.
Ele ri, mas é um riso amargo, cheio de um desdém que eu não sei se consigo suportar.
—Você não é diferente das pessoas. Se uma confusão acontece, eu que levo a culpa. Sempre foi assim. Mas o esquentadinho é ele. Ele veio me socar, eu me esquivei, quando ele tentou a segunda vez, eu revidei e ele levou a pior.
Ele começa a comer o lanche, e uma energia raivosa permeia o ar. O silêncio pesa, como uma camada densa entre nós. Eu desvio meus olhos dos dele e bebo o suco, tentando disfarçar a tensão, engolindo o sanduíche com o estômago apertado. Ele me deixa nervosa, frágil, à flor da pele. Enquanto como, me pego pensando sobre o quanto tudo poderia ser diferente, se Tom tivesse feito as escolhas certas.
—Muito bom! Te vejo amanhã, à noite? —Ele diz, se levantando e jogando a questão no ar, como um desafio.
A curiosidade me instiga, e a voz sai mais baixa do que o normal:
—Vai sair?
Ele sorri levemente, e o brilho nos seus olhos muda.
—Sim. Os negócios me esperam.
Observo o volume na camisa, perto do cinto, e desvio os olhos rapidamente. Ele está armado. O peso de sua presença é palpável, como se cada gesto dele fosse uma ameaça disfarçada.
Eu o fito nos olhos, sem conseguir esconder o nervosismo, mas tento manter o controle.
—Que tipo de negócios? O que você faz?
Ele dá de ombros, com um sorriso cínico.
—Tenho um bar...
Quando ele fala sobre o que ele tem, eu já sei: é apenas fachada. O verdadeiro jogo está em outro lugar. Dante tem um controle imenso sobre o tráfico e suas operações, sempre escondendo a verdadeira natureza de suas atividades.
O bar? Apenas uma vitrine para os outros olharem, para os curiosos pensarem que ele é apenas um homem comum. Mas eu sei que não é isso. O verdadeiro trabalho de Dante acontece nos bastidores, onde ele recebe as cargas de drogas, manipula o fluxo de dinheiro e controla as atividades ilícitas com uma frieza assustadora.
—Entendo.
Seus olhos brilham perigosos, e o sorriso nos seus lábios aumenta.
—Por que não me acompanha?
Não respondo de imediato, o que me faz sentir uma adrenalina cortando minhas veias. A tensão entre nós é palpável, e mesmo com todos os meus instintos gritando para recuar, algo me empurra para a frente.
—Você irá ao bar agora?
—Sim.
Não quero chegar muito tarde.
Ele sorri com um toque de desafio.
—Fechado!
Ele me olha com curiosidade, como se esperasse algo de mim, como se estivesse tentando medir até onde eu iria. Eu sorrio de volta, tentando me firmar em minha decisão.
—Tudo bem, vou com você.
Dante pisca incrédulo.
—Irá comigo? Você não pode estar falando sério?
—Sim, estou falando sério. Eu irei.
Ele ri mais aberto agora, e seus olhos, que hoje parecem azuis, brilham com um toque de diversão, como se me desafiasse a manter minha palavra.
—Ótimo.
—Só vou escovar os dentes. Preciso me trocar, ou estou bem assim?
Ele dá uma olhada rápida em mim, um olhar que percorre cada parte do meu corpo com uma familiaridade quase invasiva.
Está ótima. Aliás, você fica linda de preto.
Saio de lá com o coração acelerado. Coloco minhas mãos trêmulas no bolso da calça, tentando me acalmar, tentando organizar os pensamentos que se atropelam dentro de mim. Preciso me arriscar mais. Senão, estarei aqui, brincando de casinha, perdendo tempo.
Quando volto, Dante já me espera na sala. Ele sorri ao me ver, uma expressão de satisfação e triunfo no rosto.
—Solte os cabelos.
Ofego e faço como ele pediu. Eles caem como uma cascata de seda em meus ombros.
—Linda!
Ele me observa com aquele olhar que me faz sentir como se fosse a última coisa importante para ele naquele momento, mas também me coloca em alerta. Ele é um bambam da máfia no Rio de Janeiro. As palavras de Leandro vêm à minha mente como um aviso: "Fique longe dele. Ele é c***l. Ele é frio. Um monstro."
Agora, estou aqui, prestes a caminhar diretamente para o abismo. Dante Ferreira. O cérebro por trás de um império criminoso. Ele é responsável por uma rede inteira de lavagem de dinheiro, e tem negócios no tráfico de drogas que se estendem por todo o Rio de Janeiro. Mas minha missão precisa continuar, preciso chegar até ele, descobrir mais sobre seus movimentos, suas operações. Eu sou uma investigadora da força tática, e essa missão exige mais do que coragem. Exige estratégia, sangue-frio e uma mente aguçada.
Eu sorrio.
—Vamos?