2° Capítulo - Carona

1002 Words
Alguns dizem, que confiar no seu coração é a coisa mais arriscada de todas, mas pôr os nossos corações em risco é a nossa razão para viver, e eu aprendi isso do jeito mais difícil. Meghan adorava zoar com a minha cara, ela achava que eu nunca iria conseguir a atenção dele. Aliás, ela acha que eu devia desistir, alegando que eu não precisava ficar me humilhando para ter a atenção de ninguém, e eu sei que ela está certa. E eu quase desisti, concordando com ela. Mas, você já se apaixonou perdidamente por alguém? Eu meio que tenho que ao menos tentar conquistá-lo, e se tudo na vida fosse fácil nada teria graça, concorda?! E, desde o dia que eu o peguei encarando a minha b***a, eu fiquei ainda mais determinada. Ali eu tive a certeza de que eu chamava a sua atenção, e que ele me assistia em segredo. Eu arrumei as minhas coisas, peguei a minha mochila, e quando quase todo mundo saiu, eu finalmente resolvi ir embora. Dylan era sempre um dos últimos à ir embora quando perdiam os jogos. Ele gostava de ficar na academia pensando, como se ele se culpasse pelo o resultado do jogo, e ficasse se cobrando por respostas. Ele era bastante competitivo, e isso era o seu ponto forte, e também o seu ponto fraco. Ele exigia muito de si mesmo, e isso pode levar à um caminho perigoso. Ele sempre estava de carro, e como uma boa estrategista eu sou, fiquei à sua espera na espreita, para tentar pegar uma carona com ele. Nós moramos na mesma rua, ele mora na casa ao lado da minha. E se isso não for o destino, eu não sei o que é! Antes de sair do terreno da escola, eu notei que ele estava entrando no seu carro, após guardar as suas coisas no porta-malas. Eu virei a calçada da rua, e fui andando devagar, sem pressa. Eu estava morrendo de frio, estava apenas com o meu uniforme, que se resumia à uma mini saia e um cropped. Fora o fato de que já se passava das oito da noite, ou seja, estava ventando muito. Eu encolhi os meus braços no corpo e continuei andando tranquilamente, e quando eu ouvi o barulho do motor de seu carro se aproximando de mim na calçada, eu quase dei pulos de alegria. Mas, pelo o contrário, eu me virei na direção dele de forma calma e falsamente "surpresa". Eu sou quase uma atriz de cinema. — Entra – ele disse, direto e sério, assim que abaixou o vidro da janela. Ele estava com a mesma expressão fechada de antes e não olhou para mim. Eu me apressei dando a volta no carro e entrei, sentando no banco do carona. — Obrigada – eu falei sorrindo, mas ele continuou sem olhar para mim, muito menos disse alguma coisa. — Você jogou muito bem, como sempre, porém a vida não é feita só de vitórias, e uma derrota não anula a qualidade dos jogadores, mas eu sinto muito – comentei, olhando ele enquanto dirigia, querendo puxar um papo para distraí-lo. Quando ele fica sério e centrado no volante ele fica tão lindo. — Você não tem que ficar procurando motivos para se culpar, você é um excelente capitão, e... — Dá pra ficar em silêncio? – ele falou, grosseiramente. — Eu só te dou carona porque se a minha mãe descobre que você chegou depois de mim e sozinha tarde da noite, ela vai encher os meus ouvidos de baboseiras, e eu sei muito bem que você se atrasa de propósito. Então, eu não sou obrigado à me enturmar com você só porque a minha mãe gosta de você. – Eu abri a minha boca, incrédula com as suas palavras, e quase acabei rindo. — Ok, meninão, você quem manda – lambi os meus lábios, me segurando para não rir. Com certeza ele desejava me jogar pela janela só por ter lhe chamado de "meninão". Mas, como chamar alguém que só está sendo gentil com você só porque a mamãe o obrigou, caso contrário ficaria de castigo?! Eu queria era gargalhar, mas me segurei. O meu uniforme ficava lindo no meu corpo, a minha mini saia valorizava as minhas pernas, deixando minhas coxas fartas e belas. Mas, infelizmente ele não estava dando bola para isso, o que me deixava decepcionada. Qualquer garoto no lugar dele enlouqueceria com essa visão e tentaria tirar proveito de alguma forma. Todos os caras do colégio dariam tudo por essa oportunidade comigo, de me levar pra casa e fazer algo rolar. E logo o garoto que eu quero não estava nem aí para mim. Que maldade! Assim que ele estacionou em frente a sua casa, que era ao lado da minha, ele desligou o carro e esperou que eu saísse. E nesse momento eu decidi lhe afrontar, de uma forma gentil e "inocente", é claro. Eu me inclinei rapidamente na sua direção, deixando um beijo estalado em sua bochecha. Eu quase gargalhei de sua cara de b***a, e vi os meus lábios desenhados de vermelho na sua pele alva. — Obrigada por me trazer, espero que sonhe com os anjinhos esta noite – eu abri a porta e sai do carro rapidamente, para não lhe dar tempo o suficiente para me dizer mais asneiras, e desfilei até entrar em casa, pois eu sabia que ele me assistia de dentro do carro. Missão cumprida! Lhe dei palavras de conforto e ainda lhe presenteei com mimos! Dá para notar que eu seria uma namorada perfeita, só é uma pena ele não se dar conta disso... Mesmo sendo forte e determinada, eu me pergunto até hoje se um dia conseguirei descongelar o coração de Dylan O'Brien, pois haja paciência. Eu sei que ele não é rude assim porque gosta, mas sim porque já lhe aconteceu muita coisa, a vida lhe fez ser assim. Contudo, eu estava disposta à suportar, e estava pronta para ser sua quando ele quisesse.
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