O Convite

1266 Words
- Ai, amiga, estou tão feliz que nós duas passamos para a próxima etapa do Christovão Colombo Tem Talento. - Falou Mercedes ao me abraçar. - Eu também estou muito feliz. - A abracei de volta. Em seguida o sinal da escola tocou nos avisando que dois períodos chatos de matemática estavam prestes a começar, incrível como algumas coisas nunca mudam, pois eu detestava essa matéria em 2023 e continuava detestando em 1957, mas pelo menos, eu conseguia tirar a média nas provas, estava melhor que o meu irmão que conseguia tirar notas boas apenas nas matérias que ele gosta, ou seja, Educação Física e Religião, ah, e Português ele também vai bem, mas não por gostar e sim por achar fácil, e nisso eu tenho que concordar com ele, o que é um milagre, porque são poucas as vezes que eu concordo com o Sebas, já que temos pensamentos totalmente diferentes. Após a aula acabar, notei que Ricardo estava conversando com Mauricio e Gabo, seus fiéis escudeiros, então terminei de guardar meu material e me dirigi até eles. - E ai, vão fazer algo hoje? - Perguntei. Silêncio. Olhei para os três que estavam completamente mudos, o que me deixou meio apreensiva já que eles não eram assim. - Depois nos falamos. - Falou Gabo se dirigindo para Ricardo. Os dois garotos saíram da sala, assim como nossos demais colegas haviam feito, agora Ricardo e eu estávamos sozinhos, e a cara dele não era nada boa, continuava lindo como sempre, mas estava diferente. - Aconteceu algo? - Perguntei. - Aconteceu Luna. Na verdade, eu estava tentando encontrar um jeito de te falar isso… - Você tá me assustando. - Falei seriamente. - Meu pai quer que eu vá passar uns tempos na casa dele. - Ah, legal, mas você não quer ir? - Não, porque aí vou ficar longe de você… - Falou para minha surpresa. Logo fingiu uma tosse. - E dos meus amigos, da escola… - Mas seria por quanto tempo? - Eu não sei, querem que eu dê uma força pra ele na lanchonete, meu pai já tem dois funcionários e ele não tá podendo pagar outro agora, e querem que eu vá ajudá-lo. - E onde ele mora? - Comecei a ficar triste com a possibilidade dele ir para outra cidade. - É meio longe. - Longe tipo Campos do Jordão? Alphaville? Campinas? - Luna… - Fez uma curta pausa. - Meu pai mora na Itália. - Quê? - Perguntei incrédula. - Mas isso é outro país. É outro continente. - Por que você acha que eu estou assim? - Se apoiou na mesa que estava atrás dele. Fiquei um pouco em silêncio assim como Ricardo, eu não sabia o que dizer em r*****o a isso, eu não queria que ele fosse, mas também não podia pedir para ele ficar, não seria justo. Me aproximei vagarosamente dele, e senti seus olhos ir de encontro aos meus. - Acho que você deveria ir. - Falei. - Você acha? - Perguntou sem crer no que eu falara. - Por quê? Quer se ver livre de mim? - Claro que não. - Sorri. - Mas se teu pai precisa de ajuda com os negócios, acho que você deveria ajudá-lo, e se ele te pediu isso é porque confia em você. - Você tá certa, acho que vou mesmo. Mas… - Fez uma pausa. - E se você fosse comigo? - Com você? Pra Itália? - É, vamos, vai ser legal, assim você pode conhecer o meu pai e meus amigos. E eu tenho certeza que meu pai vai te receber muito bem em nossa casa. - Mas… A passagem deve ser bem cara, não sei se meu a… se o Andrés terá dinheiro para me dar pra viagem. - Mas eu estou te convidando, eu vou pagar. - Não, não é justo. - O que não é justo é eu ficar longe de você. - Pegou levemente em minhas mãos. - Por favor, Luna, pede pro seu primo pra você ir comigo. Olhei para nossas mãos que estavam entrelaçadas e senti meu coração acelerar as batidas. Por um instante imaginei como seria viajar para a Itália com Ricardo e acho que seria fantástico, confesso que eu adoraria ir com ele. - Ok, vou falar com o meu primo. - Sorri e observei ele sorrir também. - Legal, fala logo com ele, porque meu pai quer eu vá pra lá o quanto antes. - Tá bem, vou ver isso. - Estou ansioso. - Eu também. Ficamos flertando por alguns segundos. Ainda com os dedos entrelaçados, Rica começou a acariciar minhas mãos com os polegares, fazendo meu coração acelerar novamente, e me pus a sentir um friozinho no estômago, um friozinho bom. Ele se aproximou vagarosamente de mim e inclinou seu rosto na direção do meu, notei Rica olhar para meus lábios e também olhei para os seus. E de repente… - Ah, você está aí... Nos afastamos rapidamente e ficamos em silêncio, completamente sem jeito. Será que o querido do meu irmão não tinha um momento melhor para chegar, não? - Atrapalhei algo? - Perguntou. - Não, estávamos só conversando. Mas o que você quer? - Conversando? Sei… - Falou meio desconfiado. - Sabia que o sinal já tocou a um tempão? Estava te esperando para irmos pra casa. E você não tinha que dançar hoje no programa? - Ai, meu Deus! O programa… Eu me esqueci completamente. - E depois eu que sou o irresponsável. - Falou Sebas dando uma jogada de cabelo. - Tchau Ricardo, depois nos falamos. - Falei. Dei um rápido beijo no rosto dele, peguei meu irmão pela mão e sai correndo. Droga! Eu ainda tinha que chegar em casa, almoçar e tomar banho, não sei se daria tempo de fazer tudo isso. Ai, Jhonathan ia me m***r se eu me atrasasse, ele era o diretor do programa e era muito exigente e rígido, não suportava atraso ou que algo não saísse como o planejado. (...) Ao chegar no estúdio do programa eu fui direto para o camarim para colocar meu figurino e fazer maquiagem e cabelo, e eu tinha apenas dez minutos para tudo isso, ainda bem que Jhonathan não me viu chegar, aposto que ele reclamaria, como sempre. Eu estava trocando de roupa quando Isa entrou em meu camarim. - Ai, desculpa, não vi que você já tinha chegado. - Fechou a porta. - Não tem problema. - Falei. - Desculpa, acabei perdendo a noção do tempo. - Tudo bem, mas agiliza porque se o Jhonathan ver que você não está pronta… - Pode deixar. Me ajuda aqui, por favor? Me virei de costas para ela, que fechou o zíper do meu vestido. Coloquei um par de sapatos que estavam separados para mim e logo fui fazer cabelo e make, eu tinha adorado a maquiagem, que era bem clara e suave, como eu gostava. - Você está linda. - Me disse Isa. - Obrigada. - Falei. - Adorei essa make. - Quê? - Maquiagem, adorei essa maquiagem. É que na minha cidade costumamos chamar de make. - Que nome estranho e engraçado. - Deu uma leve risada. (...) Todas nós dançarinas nos posicionamos um pouco atrás da Isabela, e em seguida, Jhonathan fez a contagem regressiva começando pelo 5, e quando terminou, a apresentadora começou a cantar a música de a******a, que tinha o mesmo nome do programa, dessa vez eu já estava dançando bem melhor, tinha aprendido todos os passos. Ah, até que eu estava gostando de ser uma dançarina de um programa super famoso daquela época.
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