- Luna, você tem 24h, vou tentar segurar a Martina nesse tempo, mas depois disso eu já não garanto. - Falou Márcio.
- Está bem. Obrigada, você é demais, por isso que você é o meu guardião preferido. - Falei puxando o saco dele.
E no calor da emoção, dei um beijo em seu rosto, fazendo ele sorrir timidamente.
O garoto pediu para eu tomar muito cuidado e me garantiu que faria o que estivesse ao seu alcance para segurar um pouco a Martina, e eu estava torcendo muito para ele conseguir.
(...)
No dia seguinte eu cheguei bem cedo no colégio, mas estava tão triste por saber que não veria mais os meus amigos, e por incrível que pareça, acho que eu sentiria falta até da implicância gratuita da Caro.
- Você vai embora? - Perguntou Luis assim que eu contei para eles.
- Vou. Sebas e eu vamos ter que voltar pra nossa cidade.
- Que pena, você vai fazer falta. - Disse Gael meio cabisbaixo.
- Obrigada, eu também vou sentir falta de vocês.
Os garotos me abraçaram, o que acabou dificultando um pouco, pois isso só aumentava a certeza que eu tinha do quanto sentiria falta de todos daquela época.
Em seguida, avistei Mercedes que estava guardando algo em seu armário. Engoli a seco e me dirigi até a minha amiga, que me recebeu com um largo sorriso, eu queria não ter que dizer, pois eu sabia que ela ficaria tão triste quanto eu.
Sem saída, eu lhe contei que teria que voltar para 2023.
- Puxa, vou sentir tanto a sua falta. - Falou Mercedes ao me abraçar.
- Eu também.
- Você n******e ficar mesmo? - Desfez o abraço. - Eu posso te esconder na minha casa.
- Eu adoraria, mas com certeza os guardiões iriam me descobrir.
- Ah… - Baixou a cabeça meio triste. - Então… Não vamos nos ver de novo?
- Não sei, mas acho que não.
Em seguida, avistei Rica, que estava conversando com o Gabo e o Mauricio, como ele estava de costas pra gente, acabou não me vendo. O olhei por alguns segundos, era tão difícil aceitar o fato de que eu não o veria mais. Eu sabia que ele não permitiria que eu fosse, que ele não me deixaria ir, porém, eu não podia simplesmente desaparecer sem dizer nada, bom, eu até já tinha feito isso antes, e ele ficou bem chateado comigo, e eu nem fiz isso por querer.
- Você vai o quê? - Perguntou Rica assim que eu contei para ele.
- Desculpa. É que a Martina…
- Martina? A professora…?
- Sim, na verdade ela é uma guardiã do tempo. Ela e o Márcio, e bom, eu descumpri um monte de regras quando te contei sobre os saltos no tempo.
- d***a, eu não devia ter visto nada, não era pra eu saber.
- A culpa não é sua. Eu que devia ter inventado algo.
- Luna, eu não quero te perder. - Colocou as mãos no meu rosto. - Eu… Eu te amo.
- Eu também te amo. - O abracei.
Até o fim daquela manhã todos já estavam sabendo que Sebas e eu voltaríamos para ‘’a nossa cidade’’, e claro que ao saber disso, Caro não perderia a oportunidade de me irritar, dizendo que eu já vou tarde, que não é pra eu voltar, e blá, blá, blá. Eu queria saber o que ela faria sem mim, pois o hobby preferido dela é me irritar, ah, eu sentiria falta disso, em 2023 não tem ninguém pra pegar no meu pé.
(...)
Era por volta de 19h quando Gael, Jorge e Luis passaram em minha casa chamando Sebas e eu para irmos até o Meia Lua. Eu não estava com a mínima v*****e, mas eles insistiram tanto que acabamos aceitando, e ao chegarmos na frente, eu estranhei o fato de estar tudo escuro, como se a lanchonete estivesse fechada, sem ninguém… Ao entrarmos, Gael acendeu a luz, e… Lá estava todo mundo, Rica com seus amigos, Mercedes, Isa, vovô, Camila e a mãe do Rica, e até o Márcio… Todos nossos colegas. Eu fiquei completamente sem reação, não sabia o que pensar e nem o que estava havendo.
- O que é isso? - Perguntei.
- Bom, nós resolvemos fazer uma festa de despedida para vocês. - Disse Mercedes.
- Ai, eu adoro uma festa! - Vibrou meu irmão.
Nossa, por isso que todos meus amigos, incluindo Rica falaram que estariam ocupados durante à tarde, com certeza estavam preparando tudo, e eu nem desconfiei de nada.
Ai, estava tudo tão perfeito, a decoração, os comes e bebes… Eles pareciam ter pensado em cada detalhe, e eu estava amando tudo isso.
- Obrigada… Hã… Por ter feito a Martina me dar essas horinhas a mais. - Falei para Márcio.
- Olha, não foi uma missão nada fácil, deu trabalho, mas valeu a pena. - Sorriu timidamente.
- Você é um bom amigo, Márcio.
Rica me chamou, e eu dei um leve sorriso para o garoto que estava a minha frente, e fui até o meu namorado, que não parecia ser o mesmo de antes. Sei lá, ele não estava com o sorriso que eu tanto gostava e seu olhar estava tão triste, nunca tinha o visto desse jeito.
- Eu não quero que você vá, Luna, não quero te perder.
- Eu também não quero ir, mas infelizmente esse não é o meu mundo, eu não pertenço aqui.
- Você pertence a mim. - Pegou levemente em minha mão.
Rica se aproximou de mim e eu dele, e quando estávamos quase nos beijando, quem resolve aparecer? Sim, Caro e sua trupe, pra variar.
- Olha só quem veio se despedir de mim. - Cruzei os braços.
- Eu queria ter certeza de que você vai embora pra sempre. - Falou Caro.
- Pois já viu. Bom, fiquem à v*****e, querem algo pra comer ou beber? - Perguntei de forma irônica.
- Eu quero! - Disse Laura.
- Laura! - Repreendeu a líder. - Vamos, meninas.
A garota se dirigiu para a saída, e foi seguida por Laura, porém, Simone continuou no mesmo lugar.
- Anda, Simone! - Chamou a mais chata.
- Eu vou ficar. - Falou a ruiva.
- Tá tudo bem, se você quiser ir... - Falei.
- Mas eu não quero. - Se dirigiu para Caro. - Eu vou ficar aqui.
Caro deu uma bufada e saiu batendo o pé junto de Laura. Confesso que foi inevitável não me alegrar com a decisão da garota, acho que era a primeira vez que ela tomava uma decisão por conta própria, e eu estava feliz dela ter ficado.
Ah, a festa estava demais, teve música, dança, fizemos algumas brincadeiras como verdade ou desafio, e eu até ensinei eles a brincar de Eu nunca. Ah, queria ficar ali pra sempre, que não acabasse nunca.