Me assustei um pouco, mas logo pensei que fosse Sebas querendo fazer alguma brincadeira de péssimo gosto, ah, antes fosse… Pois quando eu olhei percebi que se tratava do mesmo garoto que havia ido atrás de mim na escola. Me surpreendi ao vê-lo.
- Luna?
- Quem é você? - Perguntei.
- Márcio, sou guardião do tempo. - Falou.
- Guardião do quê?
- Do tempo, e eu recebi um comunicado na minha central que você e seu irmão fizeram uma viagem para essa época, sabia que vocês infringiram a regra número 509 da linha do tempo, que diz que nenhuma pessoa deve fazer mudanças no passado ou futuro.
- E que mudanças fizemos? - Cruzei os braços e o encarei.
- Quer por ordem alfabética ou cronológica? - Cruzou os braços e me encarou.
- Alfabética. - Tentei provocá-lo.
- Luna, você n******e ficar aqui, precisa voltar para o teu presente, essa não é a tua realidade.
Nisso eu avistei Ricardo se aproximando e indo na nossa direção, estava acompanhado de Gabo e Mauricio.
- E se eu quiser ficar aqui? - Perguntei enquanto observava Ricardo sorrindo ao conversar com os amigos.
- Mas você n******e, esse não é o teu ano, não é a tua época. - Disse o tal Márcio.
- Oi Luna. - Falou Ricardo ao chegar até mim. Ele me deu um beijo na cabeça, me arrancando um sorriso. Em seguida, olhou para Márcio. - Teu amigo, Luna?
- Definitivamente, não.
Ricardo, Gabo e Mauricio me olharam sem entender direito.
- Digo, é um conhecido. - Sorri de forma um pouco f*****a. - Meninos, vocês podem entrar, vou terminar o assunto com o… o meu conhecido.
- Está tudo bem? - Perguntou Ricardo.
Acenei a cabeça positivamente, ele me deu um beijo no rosto e os três se dirigiram para dentro da casa do meu avô.
- Eu gostei tanto de conhecer o vovô quando jovem, ele era tão diferente, e tem a Mercedes, o Ricardo… Por favor, Márcio, me deixe ficar aqui. - Implorei.
Ele ficou um pouco pensativo e me deu uma rápida olhada, enquanto eu aguardava aflita ele responder algo.
- Você e o Sebastián têm apenas dez dias pra voltar para 2023, do caso contrário, eu mesmo venho buscar os dois, espero que tenha entendido.
Nesse instante avistei Sebas vindo em minha direção, e sorri ao ver que ele estava bem. Olhei para o lado para falar com Márcio, mas ele já não estava, era como se tivesse desaparecido do nada, como um passe de mágica, torci para tudo ter sido fruto da minha imaginação (mesmo sabendo que não era, pelo fato dos garotos também o terem visto), e corri para abraçar o meu irmão.
- Onde você estava? - Perguntei.
- Fui dar umas voltas. - Falou. - A festa já começou?
- Por enquanto só chegaram o Ricardo e os amigos dele.
Pouco depois chegou Mercedes, e em seguida, chegaram Isa, depois Jorge, Luis e Gael, e aos poucos foram chegando o resto do pessoal. Acabei tendo que convidar a Caro, a Simone e a Laura também, pois seria falta de educação convidarmos toda a turma exceto elas.
Ricardo me questionou sobre o tal Márcio, com quem eu estava conversando, e eu acabei tendo que inventar uma desculpa qualquer para que ele não pensasse que era algum crush meu.
(...)
A festa estava bem legal, havia tocado umas músicas bem da hora que meu avô escolheu, pois eu não podia colocar pra tocar Luan Santana, Ferrugem, Anitta, Ludmilla ou algum desses cantores atuais que nem tinham nascido na época, então, meu avô acabou escolhendo músicas de cantores como Elvis Presley, The Clovers, The Everly Brothers, entre outros daquela década, eu não conhecia nenhuma música que havia tocado, mas dancei quase todas.
Eu estava sentada à mesa quando notei Sebas cabisbaixo sentado no sofá, percebo também que vovô se aproxima cautelosamente do meu irmão e senta do lado dele, fico observando-os.
- Sebas… - Fala vovô tendo a atenção do rapaz para si. - Eu… Eu não queria ter dito aquelas coisas.
- Eu sei. Mas você tem razão. - Baixou a cabeça. - Queria ser como a Luna, eu sou um desastre como pessoa.
- Não, eu que sou por ter feito você se sentir assim, e saiba que você pode ser um pouquinho atrapalhado, mas você é um gigante, eu queria que todo mundo fosse um pouco Sebastián, você tem um coração imenso. - Falou ao arrancar um enorme sorriso do meu irmão. - Será que você pode me desculpar por ter te ofendido?
- Claro. E me desculpa, eu não queria.
- Eu sei. - Fez um leve cafuné no neto e saiu, deixando -o com um sorriso de orelha a orelha.
Sorri ao ver aquela cena tão linda dos dois.
- O que foi? - Perguntou Ricardo ao chegar até mim com uma bebida que ele havia ido buscar.
- Ah, eu acabei de ver uma cena muito iti malia.
- Muito o quê? - Fez uma expressão confusa.
- Muito iti… Hã… Digo, muito fofinha. - Peguei o copo da bebida. - Obrigada.
Ricardo se sentou do meu lado e ficamos conversando um pouco, ele era tão legal e divertido, eu poderia ficar 24h sem parar conversando com ele e não me cansaria, acho que seria até possível eu querer conversar mais e cada vez mais com ele.
De repente começou a tocar uma música lenta e nós dois ficamos em silêncio, confesso que fiquei meio tímida.
- Luna…
- Sim?
- Você… Você quer… Quer dançar… comigo?
- Claro. - Abri um imenso sorriso. Dei um gole em minha bebida e coloquei o copo em cima da mesa.
Nós dois fomos para a pista de dança que havíamos criado, eu coloquei meus braços em volta do pescoço do Ricardo, enquanto ele colocou suas mãos em minha cintura, ficamos nos olhando em silêncio enquanto eu sentia milhões de borboletas dançarem em meu estômago.
E mais ou menos na metade da música ele se aproximou de mim e inclinou seu rosto na direção do meu como se fosse me beijar, fazendo meu coração acelerar mais do que já estava. Ai, o que eu faço?