Saudades...

1059 Words
Sebas e eu estávamos voltando da escola, eu não conseguia parar de pensar no Ricardo, queria muito saber como ele estava, ah, e também sentia muita falta da Mercedes e do Andrés, ele era tão legal quando jovem, não que meu vovô não fosse legal no presente, ele é, pelo menos a versão bonzinho dele é legal, mas… Ah, é diferente. - Será que o vovô está sentindo a nossa falta? - Perguntou meu irmão. - Não sei, podemos pegar o telefone do tempo e ligar para ele. - Ironizei. - Sério que existe telefone do tempo? - Perguntou eufórico. - Por que você nunca me disse isso antes? - Ai, Sebastián É óbvio que não existe telefone do tempo. - Aumentei meu tom de voz. - Ah, puxa… - Ele disse desapontado. - Mas bem que poderia existir, seria tão legal. Será que o vovô consegue inventar isso? O ignorei e continuei caminhando até em casa. (...) Eu estava em meu quarto, que também era dos meus pais e dos meus irmãos e estava mexendo um pouco na internet do meu celular, que por sorte esteve o tempo todo comigo, pois senão eu teria ficado sem ele, decidi pesquisar sobre o Ricardo, queria saber o que aconteceu com ele, onde ele está, se foi feliz… Infelizmente eu não encontrei uma notícia sequer, nada sobre ele, era como se Rica nem existisse, tentei encontrá-lo no face, e apareceu diversos Ricardo´s, mas nenhum era o meu. Então, resolvi tentar outra coisa, acabei encontrando o face da Mercedes e passei a vasculhá-lo em busca de alguma pista do Rica, até que encontrei uma foto da Mercedes com uma legenda que dizia ‘’Turma de 1957. Saudade dessa época’’, e minha amiga estava com os Cuci, Vero e sua trupe, e… lá estava ele, era o meu Rica, tão lindo como sempre, ah, queria saber o que aconteceu com ele no futuro, será que casou? Ou teve filhos? Será que lembra de mim? Acho que não, ah, eu o amo tanto que mesmo se eu o visse com uns 70 ou 80 anos eu ainda iria querer ficar com ele, até porque para o amor não há idade. Fui tentar encontrar o face da Stef também, quando de repente escuto alguém bater à porta, era vovô. - Posso entrar? - Claro. - Escondi meu celular embaixo do travesseiro. Vovô se sentou ao meu lado e ficou me olhando carinhosamente. - Me conta, o que está acontecendo? - Como assim? - Você chegou quieta da escola, m*l tocou na sua comida… O que houve? - Nada não, vovô. - Fiquei um pouco em silêncio. - Hã… Posso te fazer uma pergunta? - Claro, meu bem, quantas você quiser. - Lembra do Ricardo? - Ricardo? - Perguntou meio pensativo. - Eu só conheci um Ricardo na minha vida, mas… Como você sabe dele? - Ah, isso não importa, eu só quero saber o que aconteceu com ele. Tem notícias? - Luna… Luna… O que você andou aprontando? - Nada, vovô. Eu só… O vi em uma fotos e o achei bonito. Sabe dele? - Não, querida. Eu não o vejo há muitos anos, não tenho notícias dele desde… - Fez uma rápida pausa. - Desde quando eu era jovem e namorava sua avó. - Ah, entendi. - Baixei a cabeça muito decepcionada. Ele me acariciou o rosto, depositou um beijo em minha bochecha e logo saiu do meu quarto, me deixando meio pensativa, eu só queria saber como Rica está, talvez se eu conseguisse falar com Mercedes, pudesse ser que ela tivesse notícias dele, mas eu nem sequer sei onde ela está, quer dizer, só sei que está no Acre, e a última publicação dela no f*******: foi há cinco anos, acho que ela nem usava mais aquela conta, talvez tivesse perdido a senha, ou sei lá… Cheguei a mandar mensagem, mas sem esperança dela responder. Ah, e tem a Stef também… Sinto tanta falta dela, sempre foi minha melhor amiga. Ah, d***a, por que as coisas têm que ser desse jeito? Não é justo, não está certo. Peguei novamente meu celular e tentei encontrar o face da minha amiga, olhei algumas Stef´s, por sorte não é um nome comum, até que acabei encontrando-a, vi algumas fotos dela com Mercedes e outras com algumas amigas, confesso que fiquei um pouquinho enciumada, queria estar em alguma foto, ah, será que ela lembra de mim? Será que sente minha falta? Mandei a seguinte mensagem para ela: ‘’ Oi Stef, sou eu, Luna, lembra de mim? Bom, eu sei que éramos crianças e que acabamos brigando, mas… Eu gostaria de te pedir desculpa, sinto sua falta, espero que possa me perdoar. ´´ Confesso que fiquei com receio dela não ver, ou pior, de ver e me ignorar. Enquanto aguardava por uma resposta que eu não sabia se chegaria, resolvi tentar fazer outras coisas para não ficar tão ansiosa. (...) Resolvi dar umas voltas e fui até uma praça, me sentei em um banco e fiquei vendo algumas crianças jogando futebol, lembrei de quando Sebas e eu éramos pequenos e jogávamos bola juntos, senti um pouco de saudade desse tempo. De repente senti alguém sentar ao meu lado, mas nem olhei para ver de quem se tratava. - Oi. - Escutei uma voz masculina. Olhei para o lado e não conhecia aquele rapaz, era alto, ruivo e possuia uma barba por fazer, não tinha uma expressão nada amigável, sei lá, não senti uma coisa boa perto dele. - Oi. - Falei meio sem graça. - Você vem sempre aqui? - Deu um leve sorriso. - Hã… Não… Estava só de passagem mesmo, mas acho que já vou indo, está escurecendo. - Me levantei e fiz menção em sair. - Hey, espera, por que a pressa, gata? - Se levantou e me pegou pelo braço. - Me solta, você tá me machucando. - Pedi. - Calma gatinha, vamos conversar. Por que não senta um pouco? - Porque eu não quero. Será que pode me soltar, por favor? - Claro, solto sim, mas antes quero um beijinho, você tem uma cara de quem beija bem. - O quê? Eu não vou te beijar, nem te conheço. Ele tentou me puxar para um beijo, quando escutei uma voz atrás de mim. - Solta ela agora!
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