Capítulo 19

1534 Words
Renata Fontes Uma semana depois... — Rê, você acha que esse vestido combina com estes sapatos? — Minha cunhada, me mostrou um salto na cor creme e um vestido branco com a cintura marcada e um decote discreto. Estávamos no shopping. — Combina sim, Rute. Mas, experimente o vestido cinza, também. Acho que vai gostar. — Lhe entreguei a peça e ela entrou no provador. A última semana tinha sido exaustiva. Não por conta do trabalho, mas porque, a minha mente estava cansada de reviver o dia em que Flávia esteve em meu apartamento. Não conseguia sentir raiva dela, mas estava chateada. A jornalista, vivia me julgando sem ao menos me conhecer. Ela sempre pensava o pior de mim. Se ela iria se arrepender, segundo depois. Porquê me beijou? — Acho que vou levar os dois vestidos. — Rute anunciou, animada. — Você ficou linda em ambos os vestidos. O Pedro vai amar. — Ai dele se não gostar. Vou fazer com que compre uns quatro pares de sapatos para obter o meu perdão. — Não consegui conter a risada. Pedro era conhecido como o irmão que nunca se casaria. O seu gênio era muito difícil, ele era um perfeito bad boy. Mas isso foi antes da Rute aparecer na sua vida. Minha cunhada tinha um espírito livre e autêntico, não descia do salto por qualquer coisa e estava acostumada a ter qualquer homem aos seus pés. Os dois eram forças imparáveis que se colidiram. No início, foi uma guerra de egos, mas com o tempo, Pedro se deu conta que toda aquela implicância que tinha com Rute, era amor. Nunca vi o meu irmão tão entregue às vontades de uma mulher, mas Rute despertou a sua melhor versão. Com ela, ele voltou a ser mais frequente nas reuniões da nossa família e se tornou um homem totalmente devoto ao seu relacionamento. — Como está sendo a vida de casados? — Perguntei. — Como as pessoas dizem, no começo é uma maravilha. Mas quer saber, não vou me estressar pensando nos próximos anos. vou viver um ano de cada vez e um conflito por vez. Agora só quero aproveitar o meu maridinho e receber todos os mimos que tenho direito. — Ah Rute, se todo mundo pensasse como você. A vida seria mais fácil. — Pois deveriam. Pensa só, se eu vou almoçar num restaurante e tudo o que penso são nas coisas que tenho que fazer durante a tarde. Como vou aproveitar a boa comida que estão me servindo, as conversas que estão acontecendo ao meu redor ou o tempo de qualidade que estou passando comigo mesma? — É cunhadinha, você tem toda a razão. — Hoje em dia, as pessoas não vivem mais o presente. Ou se apegam ao passado ou ficam ansiosas pelo futuro. Não vejo sentido nisso, se tudo o que tenho é o agora. Então respondendo a sua pergunta. A vida de casada é ótima, pelo menos, no meu casamento. — Tem certeza que você escolheu a profissão certa? Acho que seria uma ótima advogada. — Brinquei. — Papo reto, eu adoro ser arquiteta. Teria muita dor de cabeça tentando defender as pessoas. m*l consigo me defender, quem dirá, outra pessoa. — Ela riu. — Vamos deixar de divagar. Temos que nos apressar. Temos um jantar na casa dos seus sogros para comparecer hoje. — Falando nisso. Renatinha do meu coração. Você poderia me esperar só alguns minutos? Marquei com uma cliente daqui a pouco no restaurante aqui de baixo. Vai ser coisa rápida. Só vou apresentar os últimos detalhes do projeto. — Você fala como se não fossemos família. É claro que lhe espero. — Por isso você é a minha cunhada favorita. — Rute segurou o meu rosto e deu um beijo estalado na minha bochecha. — Sou a sua única cunhada, Rute.— Brinquei. — É mesmo né. Por isso não posso reclamar de você. — Ei! — Dei um leve soco no seu braço. — É brincadeira, Rê. Deixa eu ir pagar essas coisas, que a minha cliente já mandou mensagem avisando que está me aguardando. — Vai lá. Fiquei olhando algumas roupas, mas aquela loja não fazia o meu estilo. Rute não demorou a voltar. Ela enlaçou o seu braço no meu, como sempre fazia quando estávamos andando juntas, e seguimos para o restaurante. — Escolhe uma mesa perto da minha e pede o que você quiser, eu pago. — Rute falou assim que entramos no estabelecimento. — Olha lá em, depois não pode reclamar se aparecer uma porção de caviar na fatura do seu cartão de crédito. — E depois não reclame se eu usar o meu réu primário com você. Imagina, vai ter que fazer a defesa do próprio caso. Não aguentamos e começamos a rir. Era sempre assim quando estávamos juntas. Uma dose grande de conversa e uma pitada de provocação. Mas o meu bom humor não durou muito. Avistei a pessoa que menos queria encontrar, ela estava em uma mesa no caminho por onde estávamos passando. Relaxa, é só passar direto que vai ficar tudo bem. — Flávia, desculpa fazer você esperar. — Rute disse e comprimentou a jornalista com um abraço. Espera, o que estava acontecendo ali? Flávia era a cliente de Rute? — Oi Rute! Que isso, acabei de chegar. Já pedi uma bebida para nós. — Ela cumprimentou a arquiteta, mas seus olhos estavam em mim. Era muita coincidência, o destino só podia estar de s*******m comigo. — Ótimo, vamos sentar, que o seu projeto ficou maravilhoso. Estou doida para lhe mostrar os detalhes finais. Como eu permanecia que nem uma estátua sem reação, Rute começou a me encarar, sem entender o que estava acontecendo. — Ai meu Deus, desculpe. Flávia, está é a Renata. Ela está me acompanhando hoje. — A mais nova pressionou os lábios em descontentamento. Quem não a conhecia, não conseguia identificar que esse gesto, ela só fazia quando algo a incomodava. Mas eu passei tempo demais lhe observando para deixar de notar. Era óbvio que ela estava incomodada com a minha presença ali. — E Renata, esta é a Flávia, minha amiga e cliente. — Já nos conhecemos, Rute. — Falei e dei um meio sorriso para a jornalista. Não vou mentir, aquela situação era constrangedora. Ainda mais, depois do que aconteceu no meu apartamento. — Sério? Que mundo pequeno. Como vocês se conheceram? — Rute me olhou curiosa. Ela já devia ter percebido a tensão entre Flávia e eu. — Temos amigos em comum. Mas vamos deixar essa conversa para outro momento. Não quero tomar o tempo de vocês. Vou ir para outra mesa e esperar a sua reunião terminar. — Falei diretamente para a minha cunhada. Só queria sair dali o mais rápido possível, mas Rute me alcançou e falou somente para que eu pudesse ouvir. — Essa é a sua Flávia? — Ela não é minha, mas sim é a mulher que te falei. — Confessei. — Agora, me deixe sair daqui. — Espera! — O que? — Antes que pudesse entender, Rute se aproximou e tocou no meu braço. Depois deu um beijo em meu rosto. — O que você tá fazendo? — Ela sorriu e acariciou o meu rosto. — Só quero confirmar uma coisa. — Sem me dar tempo de questioná-la, Rute voltou para a mesa onde Flávia estava. Me sentia tão m*l que só saí dali sem olhar para trás. Apenas mandei uma mensagem avisando para Rute que estaria lhe esperando no meu carro. Tinha perdido o apetite. Quando entrei no carro, soltei o ar que estava segurando. Milhares de coisas passavam pela minha cabeça. Depois de encarar a semana mais conflituosa da minha vida e jurar para mim mesma que nunca mais olharia na cara da Flávia, estava aqui, morrendo de vontade de sentir o seu beijo outra vez. Mas também estava chateada com ela, por tudo o que ela me disse. Vamos lá Renata, acalme-se. Vocês apenas se encontraram acidentalmente, nem trocaram uma palavra. Daqui a pouco essa inquietação vai passar. Se concentra. Depois de alguns minutos de desequilíbrio, coloquei meus fones de ouvido e dei play em um podcast chamado Arg Cast, o assunto do dia era sobre quadrinhos, mais especificamente, sobre a Jean Grey e a sua segunda personalidade denominada, a fênix n***a. Esse era o tipo de assunto que me relaxava. Desde pequena, me perdia no mundo das histórias de super-heróis e anti-vilões. Quando estava na escola, era a garota mais popular e ao mesmo tempo, a mais inteligente. Me sentia como a Jean, tendo duas personalidades, uma vida dupla. O episódio durou um pouco mais que trinta minutos, quando me dei conta, Rute estava batendo no vidro do meu carro. — Ei Rê, abra a porta de trás. — Sem entender, fiz o que ela me pediu. Minha cunhada veio sentar ao meu lado e para a minha, completa surpresa, Flávia entrou no carro e sentou no banco de trás. O que estava acontecendo? — Convidei a Flavinha para jantar conosco. Isso não é incrível? — Rute me provocou. — Só me faltava essa. — Falei baixo. — O que você disse, cunhadinha? — Nada. Vamos logo, estamos atrasadas.
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