O que eu fiz?

798 Words
Ele praticamente a empurrou para dentro do carro, o couro frio do banco grudando na pele suada dela através da roupa fina. Adrian pisou no acelerador com força, o motor rugindo como uma fera. Dirigiu perigosamente pelas ruas escuras, cortando curvas apertadas, os faróis varrendo sombras que pareciam engoli-las. Celine se agarrou ao assento, as unhas cravando no material, o estômago revirando em náusea. O que eu fiz? Não dá pra voltar atrás agora. Pela mãe. Por mim mesma, se sobrar algo. O álcool ainda zumbia nas veias, mas a realidade mordia como um cão raivoso: ela tinha vendido o corpo para um estranho c***l, um homem que cheirava a poder e perigo. O carro parou com um guincho brusco em frente a uma mansão no bairro mais nobre da cidade, um colosso de pedra e vidro que se erguia como uma fortaleza contra o céu estrelado. Luzes douradas vazavam pelas janelas altas e arqueadas, iluminando um jardim impecável com fontes murmurantes e roseiras podadas à perfeição. Celine prendeu a respiração, os olhos devorando a opulência: portões de ferro forjado com motivos de leões rugindo, uma entrada pavimentada em mármore que gritava riqueza inabalável. Adrian desceu, batendo a porta com um estrondo que ecoou na noite. Ela hesitou no banco, as mãos tremendo no cinto de segurança, o pânico subindo pela garganta. Ele soltou um palavrão gutural, abriu a porta do passageiro e a arrastou para fora pelo braço, os dedos como garras de ferro cravando na carna macia. Sem uma palavra, ele andou rápido, puxando-a escada acima pela casa luxuosa – o piso de mármore frio sob os pés descalços dela, paredes adornadas com quadros abstratos caros que ela m*l registrava no borrão de terror. No andar de cima, ele abriu a primeira porta que encontrou com um empurrão violento. O quarto se revelou como um antro de b**m, um domínio sombrio e meticulosamente equipado que pulsava com uma energia opressiva. As paredes eram forradas de couro preto fosco, absorvendo a luz fraca de abajures vermelhos pendurados como olhos vigilantes, criando sombras que dançavam como fantasmas. Correntes de aço polido penduradas no teto, grossas e enferrujadas nas pontas para um toque autêntico de dor, balançavam levemente com o ar condicionado gelado. No centro, uma cama king-size dominava o espaço, com postes reforçados de madeira escura e metal, algemas de couro acolchoado presas às extremidades, prontas para imobilizar. Uma cruz de São André se erguia contra a parede oposta, sua estrutura de madeira envernizada marcada por arranhões sutis de uso anterior, com anéis de metal para fixar pulsos e tornozelos em posições de total submissão. No canto direito, uma prateleira de ébano polido exibia uma coleção de brinquedos: chicotes de couro trançado com pontas multifacetadas para impactos variados, vibradores de silicone n***o com controles remotos, máscaras de couro com aberturas mínimas para os olhos e boca, velas de cera vermelha derretidas ao lado de frascos de óleo lubrificante e pomadas calmantes – um arsenal de prazer e punição. O chão era coberto por um tapete grosso de borracha preta, manchado discretamente de suor e algo mais escuro em pontos desgastados, e no ar pairava um cheiro denso de couro novo misturado a um traço metálico, como sangue seco e antisséptico, com um leve aroma de incenso para mascarar o que viria depois. Uma mesa baixa ao lado da cama segurava cordas de seda vermelha enroladas com precisão, plugs anais de tamanhos crescentes e um espelho de corpo inteiro inclinado para refletir cada ângulo de rendição. Celine deu um grito de horror puro, o corpo recuando contra a porta entreaberta, as costas batendo na madeira com um baque surdo. Adrian se virou devagar, um sorriso c***l curvando os lábios, os dentes brancos contrastando com a sombra no rosto. “Agora que veio até aqui, não pode voltar atrás.” Ela pensou em correr, as pernas formigando com o impulso primal de fuga, o pulso acelerado ecoando nos ouvidos. Mas a imagem da mãe, pálida e frágil na cama do hospital, tubos intravenosos serpenteando nos braços magros, monitores apitando em um ritmo fraco, a ancorou no lugar como correntes invisíveis. Não. Eu preciso do dinheiro. Ela precisa de mim. “Pagamento primeiro”, disse, a voz tremendo, mas firme o suficiente para não quebrar. Adrian sorriu mais largo, c***l, os olhos brilhando com uma certeza gélida. v***a interesseira. Exatamente como eu pensei. Dinheiro acima de tudo. Ele pegou o celular de novo, digitou a conta dela com dedos ágeis e confirmou a transferência. O celular de Celine vibrou na bolsa jogada no chão, a notificação piscando como uma sentença final. Ele avançou sobre ela, o corpo alto e imponente invadindo o espaço pessoal, o cheiro de colônia amadeirada misturado a uma raiva palpável. “Bem-vinda ao meu inferno.”
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