Frio. Impiedoso. Justiceiro

926 Words

O silêncio no carro era absoluto. Marco dirigia com a mão firme no volante, os olhos atentos ao caminho, mas era impossível ignorar o menino no banco de trás. O espelho retrovisor devolveu a imagem de Luca — braços cruzados, queixo erguido, olhar tempestuoso. Marco respirou fundo. Não era medo o que via. Era resistência. “Meu nome é Marco Santini”, disse, sem rodeios. “Sou seu pai.” Eva se virou de imediato. “Não.” A voz dela saiu firme, mas não o suficiente. “Não fale isso pra ele.” O olhar de Marco encontrou o dela por uma fração de segundo. Frio. Cortante. Eva calou. Só então ela sentiu o peso. Não do carro. Do passado. Do tempo. Do que ele perdeu. A culpa atravessou como uma lâmina fina e inesperada. O tempo com Luca. Os aniversários. As primeiras palavras. Os desenhos tortos co

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