Daniel ajustou a gravata ao sair do elevador. O terno cinza-escuro vestia seu corpo como uma segunda pele, e o olhar predador não escondia nada — nem o desejo, nem a lembrança. Bateu na porta uma vez. Ouviu o clique da fechadura e, quando a porta se abriu, precisou de um segundo para se recompor. Carla estava ali. De pé. Apenas um robe de seda vermelho que grudava nas curvas, deixando as pernas à mostra e o decote sugerido — não revelado. Os cabelos soltos, a pele quente, e aquele sorriso malicioso nos lábios pintados. "Espero que não se importe se eu estiver... confortável. Afinal, somos velhos conhecidos." A voz saiu baixa, despretensiosa. Mas cada sílaba era uma faca na carne da memória. Daniel não recuou. Sorriu, lento. “Você pode tudo, Carla. Inclusive me deixar sem ar antes mesmo

