Nariz narrando Acabou. Do nada, como começa, termina. A p***a toda não deu nem duas horas de operação, papo reto. Parece pouco pra quem tá vendo do asfalto, mas pra quem tá lá dentro é uma eternidade com gosto de pó e ferro na boca. Quando a luz do “olho de boi” sumiu e o caveirão engatou ré, a favela suspirou junto comigo, mas meu corpo já não acompanhava mais nada: perna latejando num compasso próprio, coxa queimando, cintura pegando fogo. Os moleque me acharam encostado no tanque da Dona Dora, pálido, suando frio, segurando o rádio no peito como se fosse santo. — Vem, cria, vem, sem cena — o Nandinho encaixou o ombro debaixo do meu braço, o Guto pegou o outro lado. — Posto, agora. Tu tá vazando. — p***a… não durou nem duas horas e eu tô desse jeito. — respirei curto, a visão querendo

