36 -- Tainá Narrando Os dias começaram a passar de uma forma estranha, como se o tempo estivesse andando, mas eu não acompanhasse mais ele direito, como se cada hora fosse só mais um espaço vazio entre uma sensação e outra, e tudo que antes fazia sentido na minha rotina simplesmente tivesse desaparecido, deixando só silêncio, medo e uma inquietação constante que não me deixava descansar nem quando eu estava parada, porque não existia mais momento de paz, não existia mais segurança nem dentro daquele quarto de hotel, que deveria ser um lugar neutro, temporário, mas que tinha se transformado em uma espécie de abrigo frágil, onde qualquer barulho do corredor já me deixava alerta, onde qualquer notificação no celular fazia meu coração acelerar antes mesmo de eu ver o que era, e foi assim que

