Acidente

1099 Words
— Anna, você está bem? – Artur pergunta. — d***a, Ícaro! – Grito com raiva. – Você me assustou! Seus olhos me observam como se fossem me queimar viva. O grego estava em completo silêncio, sem expressão facial, algo que, por experiência própria, não significava algo bom. — Estou… só tomei um susto. – Digo envergonhada. Escuto Arthur resmungar algo e suspirar. — Entendi, Ícaro está aí. – Ele diz sem ânimo. – Presumo que ele ainda continue sendo inconveniente.... Bem, acho melhor conversarmos depois. Foi ótimo falar com você novamente. — Foi bom falar com você, Arthur. – Suspiro. – Estarei te esperando. Arthur ri baixo antes de desligar. Olho para cima e vejo Ícaro respirar fundo. Seu maxilar estava trincado, e suas narinas se abriram quando ele inspirou profundamente. Ele pisca lentamente e passa sua língua em seus dentes. — Você me assustou. – Digo envergonhada. – Não é educado ouvir a conversa dos outros. Seus olhos se estreitaram, e ele bufa irritado. — Oliver estava te chamando para lanchar, aproveitei que ele foi para o quarto e vim te chamar. Não quis te atrapalhar. – Seu tom é frio. Então, Oliver era o motivo do som que escutei? Isso não fazia muito sentido, já que me senti observada por muito tempo e não o ouvi subir a escada. Essa história estava muito m*l contada. Me levanto e encaro seu rosto. Ícaro desvia o olhar, e sinto um frio na barriga com essa atitude. — Você não atrapalhou, obrigada por avisar. – Meu tom é calmo e amigável. — Que seja. – Ele diz com desdém. Ele começa a andar, mas eu seguro seu pulso. — Ícaro, aconteceu alguma coisa? É sobre o acontecimento na sala? – Pergunto receosa. Ele dá um longo suspiro e uma risada amarga. — Só acho muito engraçado como você lida com as coisas. – Ele diz sem me olhar. — Não estou te entendendo, Ícaro. – Falo confusa. — Você nunca entende. – Ele ri. – Inocente demais, pobre Anna. Ícaro anda em direção à cozinha, mas eu paro em frente ao seu corpo, impedindo seus passos. — Espera, que m***a está acontecendo aqui? – Falo irritada. Ícaro me encara com desprezo, e por alguma razão, isso me incomoda profundamente. — Anna, não sabia que você era esse tipo de pessoa. – Ele me afasta. – Não atrapalhe meu caminho, por favor. Seguro seu pulso, e ele me olha furioso, como se pudesse me m***r com o olhar. — Me solta, d***a! – Ele fala entre dentes. — Tipo de pessoa? Ícaro, você é maluco! Até poucos minutos atrás você estava me beijando, e agora está me tratando assim. Eu não entendo você! – Meu tom é desesperado. — Você fica aos beijos com um cara e logo em seguida chama outro para sair? – Ele n**a com a cabeça. – Eu pensei que você era uma pessoa decente. Ele havia ouvido minha conversa com Arthur? Não entendia sua reação. Sei que quando eu era pré-adolescente, eles não se davam muito bem, mas nunca foi algo declarado, algo tão explícito. A expressão de confusão em meu rosto logo vira provocativa. Então, Ícaro estava com ciúmes? — Você está sentindo ciúmes? – Dou uma risada. – Ícaro Lykaios sentindo ciúmes de mim, pensei que não viveria para ver essa pedra ter sentimentos! — Eu com ciúmes de você? Se enxerga, pirralha! – Ele diz com deboche. Seu tom frio era a confirmação que eu precisava. Ícaro realmente estava com ciúmes de mim, e isso era uma coisa muito estranha, já que o grego sempre me odiou. — Você é péssimo em esconder as coisas que sente a meu respeito, é assim desde que eu era criança. – Sorri provocativa. – Velhos hábitos não morrem. Ando em sua direção, e ele recua um passo. — Não vê que esse cara não presta? – Ele ri e passa a mão em seu cabelo. — Me poupe, o Arthur sempre participou de nossas vidas, não é como se ele fosse um completo estranho. – Reviro os olhos. — Você não vê mesmo, não é? – Ele suspira inquieto. – Acha que uma pessoa dessa idade quer algo sério com você? — Como se você fosse diferente, você é quase dez anos mais velho que eu. – Rebato sarcástica. Uma expressão engraçada se forma em seu rosto antes dele soltar um grunhido de fúria. — Anna, acorda! Ele só quer usar você! – Seu grito me assusta. Um som alto ecoa pelo corredor, e nossos olhares confusos se encontram. Um choro infantil baixo faz nossos olhos se arregalarem. Ícaro corre em direção ao hall de entrada, e eu o sigo o mais rápido que consigo. Minhas pernas tremem quando vejo o pequeno corpo de Oliver caído próximo ao último degrau da escada. Meus olhos percorrem seu corpo, analisando a cena. Suas pernas estavam próximas ao último degrau da escada, ao lado de sua cabeça havia cacos do vaso de cerâmica decorativo. Sinto o ar faltar em meus pulmões ao perceber que seu braço estava dobrado em uma posição esquisita. Ícaro tenta tocá-lo, mas o pequeno grita assustado. — Eu quero meu pai! – Ele grita entre soluços. Tento andar, mas perco a força em minhas pernas e caio sentada ao lado de seu corpo. As lágr imas escorrem pelo meu rosto. Com as mãos trêmulas, tento tocar Oliver, que geme de dor. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Isso não parecia real, era como um pesadelo assustador que logo iria acabar. — Vamos chamar ele, pequeno. – Ícaro fala com a voz trêmula. Meus olhos estavam embaçados. Não conseguia pensar, o desespero de ver meu pequeno primo caído no chão me deixava paralisada. Ele era apenas uma criança, não deveria sentir tanta dor. Só conseguia imaginar o tamanho da dor de Oliver e como ele estava assustado. Oliver me encara com seus olhos tristes, e meu coração se quebra em mil pedaços. — Anna? – A voz de Ícaro me desperta. Olho em seu rosto e vejo uma expressão preocupada. Uma de suas mãos segurava seu celular, e a outra tocava o meu ombro. — Anna, não encosta nele. Estou chamando a ambulância. – Sua voz é calma, porém firme. Os soluços de Oliver me tiram a concentração, e todos os sons ao redor ficam cada vez mais distantes. — Você me ouviu? – Ícaro pergunta, sacudindo meu ombro. — Eu… eu ouvi. – Minha voz sai rouca. Ícaro suspira profundamente e se levanta, indo em direção à sala. Consigo ouvi-lo falar com o 911.
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