Suas mãos passeavam pelo meu corpo, me deixando ansiar por seus toques e por seu beijo. Meu corpo cai no sofá, com Ícaro sobre mim, entregando beijos ardentes no meu pescoço, arrancando gemidos e suspiros de prazer. Sua boca quente explorava cada centímetro da minha pele, deixando um rastro de desejo que queimava por onde passava.
As mãos frias de Ícaro deslizam por minha cintura, encontrando a pele exposta sob a camisa. Um choque térmico corre pela minha espinha, causando arrepios deliciosos. Nossos corpos estão próximos, mas ainda não cruzamos a linha do desejo proibido.
Um raio ilumina a sala e sua explosão me faz tremer assustada voltando à realidade.
Céus, o que estávamos fazendo? Isso era muito errado, nós sequer éramos amigos. Mesmo com essa trégua, ainda éramos inimigos declarados, ele ainda era a mesma pessoa que me causou uma adolescência traumática.
Sua mão aperta meu seio e solto um gemido. Fecho os olhos apreciando seus toques.
Minha mente luta entre me entregar e voltar a lucidez. Abro os olhos e encaro o teto enquanto seus lábios beijam meu pescoço. Nossos lábios se tocam em um beijo intenso e a razão volta a minha mente.
Isso precisava acabar agora. Não poderia ceder a essa situação.
Ícaro parece perceber minha resistência e seus toques ficam mais sutis.
Aos poucos, o beijo diminui de intensidade, mas nossos olhos ainda estão conectados. Ícaro toma um fôlego profundo e sua voz soa rouca.
— Anna, eu... – Ele tenta falar, mas hesita.
Ele senta ao meu lado no sofá, e sinto minhas bochechas queimarem. Ajeito minha roupa e encaro minhas mãos.
— Isso não devia ter acontecido. – Sussurro envergonhada.
— Mas, Anna… – O interrompo.
— Por favor, Ícaro. – Minha voz soa chorosa.
Seu longo suspiro percorre a sala, e escuto-o resmungar algo incompreensível.
— Certo, iremos fingir que isso nunca aconteceu. – Sua voz não tem emoção.
— Tia Anna? – O grito de Oliver ecoa pela casa.
Céus, Oliver. Eu havia me esquecido completamente de sua presença na casa.
— Mas ainda não concordo com essa sua escolha. – Seu tom de voz é frustrado.
— Agora não, Ícaro! – Digo impaciente.
Oliver entra no cômodo, e um sorriso surge em seu rosto ao me encontrar.
— Pensei que estava sozinho em casa. – A voz de Oliver é aliviada.
O pequeno anda até a poltrona e coloca seus bichinhos de pelúcia sentados.
— É difícil cuidar de crianças. – Oliver fala com as mãos no quadril.
Minha risada ecoa pela sala. Oliver era uma criança extremamente adorável.
— Vocês podem ficar de olho neles enquanto estou comendo? – Oliver suspira. – Ser pai solteiro é muito difícil.
Apesar de fofa sua fala, me preocupa. Será que ele acha que Ricky pensa assim? Ricky era um bom pai, mesmo sendo muito jovem. Não queria que seu filho achasse o contrário disso.
— Vamos, pequeno. – Ícaro segura o ombro de Oliver. – Irei preparar um lanche gostoso pra você.
Me assusto com a vibração do meu celular. Pego o aparelho e me surpreendo ao ver o nome do contato.
— Arthur? – Minha voz soa incerta.
Houve um breve silêncio antes do som de sua respiração preencher a ligação.
— Anna… como é bom ouvir sua voz. – Sua voz é tímida. – Não pensei que ainda usasse esse mesmo número depois de tantos anos.
Meu coração acelerou ao ouvir seu sotaque de Liverpool que ficava ainda mais marcante com sua voz rouca e grossa.
— Sabe como sou… não tenho muita paciência pra mudar de número. – Falo com um sorriso no rosto.
Sinto minhas bochechas esquentarem com as lembranças de nossa convivência no passado.
Arthur sempre foi um grande amigo meu e minha paixão platônica da adolescência. Mas, por causa da nossa diferença de idade, nunca tivemos algo.
Sebastian, seu pai, era amigo de infância do tio Daniel e do meu pai, o que possibilitou nossa convivência. Sebastian trabalhava no rancho junto com tio Daniel, sendo os responsáveis por toda a administração do rancho e das fazendas de meus avós. Eles eram uma boa dupla.
Lembro que Arthur estava sendo treinado por seu pai para assumir seu posto na família Harry's Taylor. Mas, não sabia se isso realmente havia acontecido.
— Você sempre foi uma pessoa muito prática. – Sua risada rouca faz meu coração acelerar.
— Bem, como andam as coisas? Seu pai finalmente se rendeu à aposentadoria ou ainda é aquele rabugento? – Pergunto humorada.
Deito no sofá e observo o teto enquanto me lembro de nossos momentos.
— Rabugento ele sempre vai ser. – Ele ri alto. – Mas agora é um rabugento aposentado morando em uma fazenda no Texas.
Tinha me esquecido que seu pai era dono de algumas fazendas. Sebastian era um homem incansável, sempre trabalhando em diversos setores ao mesmo tempo, duvido que a aposentadoria o tenha parado.
— Eu soube que você voltou ao rancho, pensei que era mentira. – Ele fala com timidez. – Iria conferir pessoalmente, mas estou viajando a trabalho… sabe como é, Ágata é uma chefe exigente.
Escuto o barulho de algo caindo próximo a mim, levanto a cabeça e olho para a entrada da sala, mas não vejo ninguém. A sensação de estar sendo observada me causa um arrepio.
Me levanto do sofá e me aproximo do corredor que levava aos principais cômodos da casa e o encontro vazio.
— Anna, você está aí? – A voz de Arthur me traz de volta à realidade.
— Estou sim, só estava verificando uma coisa. – Digo enquanto ando até o hall de entrada.
Me sento no banco e suspiro. Tenho certeza que ouvi alguém; será que estavam me espionando?
Não… isso seria ridículo demais. Eu nem estou fazendo nada interessante.
— Eu tinha falado que em breve voltarei ao rancho. – Sua voz fica rouca. – Perguntei se gostaria de sair comigo… colocar os assuntos em dia.
Sorri sentindo meu coração acelerar e as bochechas esquentarem. Minha versão pré-adolescente estava gritando de felicidade dentro da minha cabeça.
— Claro, Arthur. Seria ótimo sair com você. – Minha voz sai mais manhosa do que pretendia.
Escuto seus suspiros e uma risada fofa.
— Que ótimo, pensei que você iria recusar. – Sua voz é animada. – Agora você é uma mulher importante, uma modelo famosa. Vai ser ótimo sair com uma mulher tão bela quanto você.
— Assim você me deixa com vergonha. – Gaguejo. – Mas é bom ser elogiada por uma pessoa como você.
Enrolava alguns fios de cabelo com o dedo enquanto observava a parede branca. Um sorriso bobo estava escancarado em meu rosto, me sentia novamente a Anna de muitos anos atrás.
Solto um grito assustado ao perceber a presença de Ícaro ao meu lado. Seu rosto estava sem expressões faciais, e suas mãos em seu quadril.