Vovó se levanta assim que passo pela porta. Seus olhos observam brevemente meu corpo antes de ela se aproximar.
— Onde você estava? Fiquei preocupada! – Sua voz está alta e nervosa.
— Peço desculpas... só precisava de um tempo. – Sorri envergonhada.
Ícaro passa por nós e o vejo subir a escada enquanto os braços de vovó me envolvem em um abraço forte.
— Você não pode sair assim, ainda mais alterada! – Suas mãos seguram meu rosto. – Não faça isso novamente, Anna.
Seus olhos estavam marejados e suas mãos tremiam.
Me sentia uma i****a por ter preocupado minha avó desse jeito, ainda mais no estado em que ela estava.
Vovó, com os olhos ainda marejados, segura minhas mãos.
— Anna, você não pode sair assim, ainda mais alterada! – Ela suspira e me encara com preocupação. – Não faça isso novamente, minha querida.
A culpa e o remorso se misturam em mim, e me sinto profundamente arrependida por tê-la preocupado.
— Vovó, eu sinto muito. Não queria deixá-la nervosa. – Minha voz soa sincera. – Eu só precisava de um tempo para pensar.
Ela me abraça novamente, apertando-me com carinho.
— Eu sei, minha querida, mas não se afaste assim. Você tem que ser forte por mim, por todos nós. – Ela afaga meu cabelo.
— Eu vou tentar, vovó. Prometo. – Sinto suas mãos se afastarem e a observo com determinação.
Vovó sorri, um sorriso fraco e triste, mas cheio de amor.
Nesse momento, sinto um aperto no peito. Percebo que o tempo que tenho com minha avó é limitado, e não quero desperdiçar nenhum momento com tristeza ou preocupações.
De repente, um trovão ecoa lá fora, lembrando-me de que a tempestade se aproxima.
— Vovó, eu não quero que essa doença a faça sofrer mais do que já sofreu. – Minha voz sai com emoção. – Vou fazer o possível para ser mais forte.
Vovó assente com gratidão em seus olhos e, com um gesto, pede que eu a acompanhe até o sofá. Sentamos juntas e começamos a falar sobre coisas mais leves e felizes, como lembranças da infância e dos momentos especiais que compartilhamos ao longo dos anos.
Enquanto estamos imersas em nossas histórias, a energia na casa parece mudar. Sinto um arrepio percorrer minha espinha e viro-me para ver Ícaro parado perto da porta da sala, nos observando.
— Eu não queria interromper, mas vim avisar que o motorista está esperando a senhora. – Sua voz é suave e atenciosa.
Vovó sorri e se volta para ele.
— Ícaro, meu querido, obrigada por me informar. – Ela parece genuinamente agradecida.
Vovó se levanta e beija minha testa, ao passar pela porta da sala, Ícaro a acompanha mas vovó toca em seu peito com gentileza.
— Não precisa me acompanhar, querido. – Ela sorri.
— Mas eu… – Ela o interrompe.
— Quero que fique e isso não é um pedido. – A voz de vovó é séria e carregada de autoridade.
Ícaro suspira contrariado e abaixa a cabeça.
— Se é assim que a senhora deseja. – Seu tom é frustrado.
Vovó sorri quando Ícaro beija sua testa, uma cena fofa devido à diferença de altura entre eles.
Ícaro pega o sobretudo de vovó e a ajuda a se vestir, ela o agradece com um sorriso gentil.
— Anna, querida, não se preocupe. Vou resolver algumas coisas na cidade e volto em breve. – Vovó diz com carinho enquanto ajusta seu sobretudo.
— Está bem, vovó. Cuide-se. – Dou um sorriso.
A abraço antes que ela saia. O som de seu salto ecoa pela casa quebrando o total silêncio.
Ícaro permanece na sala, observando-nos em silêncio. Assim que vovó sai, ele volta sua atenção para mim.
— Espero que tenha se acalmado. – Seu tom é amigável.
Assinto, ainda me sentindo estranha com toda essa situação.
— Sim, obrigada. – Minha voz soa suave. – Se não fosse por você… bem, não sei o que teria acontecido.
Seus olhos encontram os meus e ele dá um sorriso leve.
— Não há de quê. A senhora Ágata sempre me tratou como um neto, e estou disposto a ajudar no que for necessário. – Seu olhar era sincero.
A sensação de que ele realmente se importa com a vovó aquece meu coração. Eu o encaro por um momento antes de falar.
— É bom saber disso, Ícaro. – Digo com gratidão.
Ele caminha até a janela da sala e olha lá fora, onde a tempestade estava cada vez mais forte.
— O clima está piorando. Acho que é melhor eu ficar para garantir que tudo corra bem por aqui. – Seu tom era sério.
O som da chuva e do vento aumenta, criando uma atmosfera acolhedora e, ao mesmo tempo, assustadora.
Nós dois permanecemos em silêncio por um tempo, observando a tempestade lá fora. Parecia que o mundo lá fora estava desmoronando, mas aqui, na sala de estar da vovó, encontramos um refúgio seguro.
Um raio corta o céu, iluminando brevemente a sala, e por um instante, nossos olhares se encontram. Sinto uma corrente elétrica no ar, uma tensão que parece impossível de ignorar.
— Anna... – Ele começa a dizer, mas sua voz falha.
— Sim? – Minha voz sai baixa e incerta.
— Eu não quero que fique esse clima estranho entre nós dois. – Ele suspira. – Ágata precisa de nós, não podemos continuar agindo feito crianças.
Sinto meu coração acelerar com suas palavras. Não sabia como pensar.
— Eu sei… – Suspiro baixo. – Não quero que nossas diferenças afetem a minha avó, mas às vezes é muito difícil separar as coisas.
Ele dá um passo em minha direção, seus olhos negros fixos nos meus. Uma parte de mim quer recuar, mas outra parte, mais intensa, me impele a ficar.
— Bem, que tal uma trégua? – Ele sorri.
Seus olhos pareciam mais escuros e me atraíam como imãs. Não tinha como desviar o olhar, não conseguia sair de sua imensidão.
Seus olhar vai brevemente aos meus lábios, seus olhos piscam lentamente e isso me provoca um arrepio.
A atmosfera da sala parece mudar, algo quente e pesado, muito intenso. Sentia meu peito subir e descer em uma respiração acelerada.
— Certo… pela vovó. – Digo ofegante.
Suas mãos tocam o meu rosto e a próxima coisa que acontece parece inevitável. Nossos lábios se encontram em um beijo suave, e uma explosão de emoções percorre todo o meu corpo. A tempestade lá fora parecia ecoar a intensidade desse momento.
Ícaro me segura com firmeza, e nossos corpos se aproximam, como se fôssemos atraídos por uma força invisível. O beijo continua, profundo e ardente, como se estivéssemos finalmente cedendo à tensão que se acumulava entre nós.