Sinto a brisa fresca enquanto sento em uma rocha, observando a luz da lua iluminar a água. A brisa fria bate em meu rosto, e um sorriso brota em meus lábios. Fecho os olhos e suspiro, sentindo o vento balançar meu cabelo.
— É uma coincidência encontrá-la novamente. – Uma voz grave sussurra em meu ouvido.
Meu grito de susto faz minha cabeça latejar. Olho para cima e vejo um sorriso brincalhão. Espera, eu conheço esse homem!
— Como você chega até alguém no meio da noite desse jeito? Eu poderia cair dessa rocha, sabia? – Falo com indignação.
O homem se senta ao meu lado e ri brincalhão. Seus olhos escuros se fixam no horizonte e nos primeiros raios de sol. A luz ilumina seu rosto, revelando cada detalhe, como se fosse esculpido pelo melhor dos artistas. Seus olhos encontram os meus, e ele sorri, um sorriso genuíno.
— Me desculpa, não tive a intenção de te assustar. Eu corro por essa trilha todos os dias... Confesso que não imaginei encontrar você aqui. Está me seguindo? – Sua voz rouca soa brincalhona, e ele me empurra suavemente com o ombro.
Forço minha memória, mas não consigo lembrar onde o conheci. Pela confusão em meu rosto, acho que ele percebeu.
— Te seguindo? Eu nem sei quem você é! – Falo furiosa enquanto reviro os olhos.
Sua expressão muda rapidamente, e consigo identificar uma rápida decepção, algo que se transforma em um sorriso tímido.
— Então, senhorita, mudou para a cidade? – Ele sorri enquanto me observa.
— Na verdade, estou apenas passando o verão com minha família. Fazia alguns anos que não visitava a cidade. – Digo, balançando meus pés.
Ele faz uma expressão indecifrável e balança a cabeça, como se concordasse com algum pensamento próprio. Desvio meu olhar para o sol surgindo atrás das montanhas e sorrio.
Escuto o clique de uma câmera e olho rapidamente para o lado.
— Espera, você tirou uma foto minha? – Pergunto, incrédula com sua ousadia.
Ele dá de ombros e ri. O homem sequer me conhecia, e estava tirando fotos minhas?
— Era uma boa foto. Uma bela mulher sorrindo com os raios de sol em seu rosto, algo que um fotógrafo amador como eu não pode desperdiçar. – Ele sorri, e suas covinhas aparecem, o que o torna fofo.
Por algum motivo, não sinto raiva dele, apenas sorrio de volta.
— E você? Mora na cidade? – Faço a pergunta de volta.
Ele sorri com meu interesse e olha para a paisagem.
— Morava, há alguns anos... Mas andei viajando durante esse tempo. Embora visite a cidade todos os anos, essa será a primeira vez que fico mais do que alguns meses.
Como era uma cidade pequena, tento imaginar onde ele morava, mas nenhuma possibilidade me ocorre.
— Engraçado, cresci aqui e não me lembro de te conhecer. – Falo, envergonhada, enquanto analiso seu rosto.
— Não sou do tipo social. – Ele ri, dando de ombros.
Algo nele é estranhamente familiar, mas não consigo identificar.
Ficamos em silêncio por longos minutos até que ele o quebra.
— Bem, prometi ao meu amigo que iríamos pescar hoje, nesse rio. A namorada dele mora na parte baixa do rio, ela tem uma casa lá. – Ele fala, levantando-se.
— A namorada do meu primo mora na mesma região, é uma casa bacana... Poucas pessoas moram lá, acho que o isolamento não é para qualquer um. – Sorrio com a coincidência.
Novamente, seu rosto faz uma expressão indecifrável, e ele ri em seguida. Não tenho certeza se foi por causa do que eu disse ou se ele estava pensando em algo próprio.
— Foi bom conhecer você, moço misterioso. – Digo, levantando-me.
Ele sorri timidamente e olha para os pés, o que me faz pensar se ele realmente me conhecia ou se era apenas mais uma cantada r**m.
— Foi bom vê-la, Anna. – Sua voz rouca fala calmamente.
— Espera, como você sabe meu nome? – Pergunto, assustada.
— Sei mais coisas do que você imagina, senhorita Morais. – Ele ri de forma perversa.
Um calafrio percorre a extensão da minha coluna, e ando em sua direção, sentindo a raiva crescer dentro de mim. Seria mais um fã lunático ou algum stalker?
— Não acho graça, me diga, como sabe meu nome? – Esbravejo.
— Primeiramente, você é uma mulher famosa, ou já esqueceu de sua carreira internacional? Segundo, não é apenas por isso que conheço você, senhorita Taylor. – Seu tom sarcástico e revirar de olhos me fazem sentir um ódio profundo.
Taylor? Esse é o segundo sobrenome do meu pai, ninguém sabia que era meu sobrenome, apenas os familiares. Eu usava o nome dado pela minha mãe.
Com raiva, empurro seu corpo, e o vejo perder o equilíbrio. Esqueço que estamos na beirada de uma rocha no topo de uma enorme montanha. Ele tenta se equilibrar em vão, e escuto seu grito antes de vê-lo cair. Escuto o som de seu corpo caindo na água. Corro em direção à beirada da rocha, sentindo meu coração acelerar. O desespero invade meu corpo ao ver a correnteza da água e a ausência de qualquer movimento humano. Meus olhos vagam pela extensão do rio e pelas margens em busca de qualquer sinal de sua presença.
Dois minutos. Já se passaram dois minutos, e ele não apareceu. Meu coração bate tão rápido quanto o de um coelho, minhas
pernas tremem, e meu corpo se arrepia diante da possibilidade de ter cometido um assassinato.
Respire, Anna, ele deve estar brincando com você, deve ser isso, é apenas uma forma de te castigar por tê-lo empurrado.
Vamos, homem, apareça.
Dez minutos. Já se passaram dez minutos, e ele não apareceu. Meus olhos se enchem de lágrimas, e o desespero toma conta de mim. Tremo, temendo que algo terrível tenha acontecido.
Sento-me na rocha e coloco minhas mãos no rosto, sentindo as lágrimas escorrerem tão rapidamente quanto a correnteza do rio.
Eu matei alguém, acabei de m***r alguém!
Sei que ultimamente minha raiva está fora de controle, e estou totalmente diferente do habitual. O término e o estresse no trabalho, somados à notícia da doença da vovó, me deixaram em uma montanha-russa emocional.
Tenho agido de forma estranha com algumas pessoas, sendo fria demais ou emotiva sem motivo. Estes dias têm sido uma experiência h******l para minha sanidade mental.
Sinto uma mão em meu ombro, olho rapidamente para cima e vejo o homem com uma expressão confusa. Seu corpo está encharcado, seu cabelo pinga, e seus olhos estão vermelhos.
Rapidamente, levanto-me e, num impulso, o abraço. Pouco me importa abraçar um desconhecido; estou aliviada por não tê-lo matado! Meu soluço o faz sentir pena, e ele me abraça e começa a me acalmar.
— Ei, calma. Nada aconteceu, mocinha. Eu estou bem! – Sua voz soa alegre, e sinto vontade de socar seu belo rosto.
Afasto-me dele e faço careta ao perceber que estou completamente encharcada.
— Você demorou! Pensei que tinha te matado! i****a! – Grito, socando seu peito, e ele ri antes de segurar meus pulsos com sua mão.
Uma gota d'água cai de seu cabelo e passa por seu rosto, refletindo a luz do sol. Não consigo evitar de encarar seus lábios, sentindo uma imensa vontade de beijá-los.
Céus, devo estar ficando louca. Minhas emoções estão totalmente fora de controle!
Num impulso totalmente inapropriado, coloco meus braços ao redor de seu pescoço e o beijo com desejo. Inicialmente, seus olhos se arregalam, e ele não reage, até sentir minhas unhas em sua nuca. Seus braços me envolvem, e sua língua busca acesso entre meus lábios. Abro minha boca para que sua língua entre e solto um pequeno gemido quando nossas línguas se encontram.
Nossas línguas parecem dançar uma coreografia própria. Suas mãos apertam minha cintura, e ele solta um gemido quando minhas unhas passam por seu cabelo molhado. Sua mão esquerda percorre meu corpo, causando um arrepio na minha espinha, e sinto sua mão direita apertar meu quadril, o que faz minha pele se arrepiar novamente. Sua barba passa pelo meu pescoço, causando cócegas na minha pele sensível. Envolve seu corpo com os braços quando sua língua traça um caminho do meu pescoço para cima.
Seus dentes prendem a pele do meu pescoço e mordem de forma leve, fazendo-me soltar um gemido dolorido. Uma risada escapa de sua boca, e eu suspiro. Puxo seu rosto com a mão e o beijo com desejo.