Capítulo 11 – A Casa no Meio do Nada
Viktor decidiu mudar tudo.
Dois dias depois da ameaça que eu ouvi no telefone, ele me acordou antes do amanhecer. Não disse para onde íamos. Apenas me vestiu com roupas simples — calça jeans escura e uma blusa preta de manga longa — e me levou até o carro preto que esperava na garagem subterrânea.
— Vamos ficar em um lugar mais seguro — foi tudo que ele disse enquanto o carro saía da mansão.
O trajeto durou quase duas horas. Saímos da cidade, entramos em estradas secundárias e depois em uma trilha cercada por mata densa. A casa que surgiu no final do caminho era menor que a mansão, mas ainda luxuosa — moderna, isolada, cercada por árvores altas e um muro alto com seguranças discretos.
Quando descemos do carro, Viktor segurou minha mão. Não era um gesto gentil. Era possessivo. Como se ele precisasse me sentir perto o tempo todo.
Dentro da casa, o silêncio era diferente. Não havia dezenas de homens armados. Apenas quatro seguranças do lado de fora. Dentro, éramos só nós dois.
— Aqui ninguém sabe onde estamos — disse ele, fechando a porta atrás de nós. — Nem minha família. Nem meus inimigos. Só eu e você.
Eu olhei ao redor. A sala era ampla, com janelas grandes que davam para a mata. A luz natural entrava pela primeira vez em dias. Era quase... normal. Quase.
Viktor me observava.
— Você está quieta — murmurou, aproximando-se por trás e passando os braços pela minha cintura. — Tem medo de ficar sozinha comigo?
Eu não respondi imediatamente. O calor do corpo dele contra minhas costas era familiar demais agora.
— Eu tenho medo do que você está fazendo comigo — admiti baixinho.
Ele virou meu corpo para encará-lo. Segurou meu queixo com firmeza, mas sem machucar.
— Bom. Porque eu também tenho medo do que você está fazendo comigo. — Os olhos negros pareciam mais escuros que nunca. — Desde que te vi naquele diner, correndo de mim, eu soube que você ia me destruir. Ou eu ia te destruir. Ainda não decidi qual dos dois vai acontecer primeiro.
Ele me beijou.
Não foi bruto como das outras vezes. Foi lento, profundo, quase desesperado. Como se ele estivesse tentando me marcar de uma forma diferente. Suas mãos desceram pelas minhas costas, apertando minha cintura, me puxando contra ele.
Eu respondi ao beijo. Não porque quisesse. Mas porque meu corpo já não sabia mais como não responder.
Quando ele se afastou, encostou a testa na minha.
— Aqui não tem regras rígidas — sussurrou. — Mas você ainda é minha. Isso não mudou. E não vai mudar.
Eu fechei os olhos, sentindo o peso do colar no pescoço.
Pela primeira vez, eu não tentei puxá-lo.
E isso me assustou mais do que qualquer coisa.
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Capítulo 12 – A Noite da Verdade
A noite caiu pesada sobre a casa isolada.
Não havia o barulho distante da cidade. Apenas o som dos insetos na mata e o vento balançando as árvores. Viktor tinha acendido a lareira na sala principal. As chamas projetavam sombras dançantes nas paredes de madeira.
Eu estava sentada no sofá, enrolada em um cobertor, olhando para o fogo. Viktor estava ao meu lado, um braço estendido sobre o encosto do sofá, os dedos traçando preguiçosamente meu ombro.
— Você quase não falou o dia inteiro — disse ele baixinho.
Eu não olhei para ele.
— O que você quer que eu diga? Que estou feliz por estar aqui? Que estou começando a gostar de ser sua prisioneira?
Ele riu baixo, mas sem humor.
— Não. Quero que você diga a verdade. — Ele virou meu rosto para ele com dois dedos. — Você ainda me odeia?
Eu encarei aqueles olhos negros por um longo tempo.
— Sim — respondi. — Eu te odeio pelo que você fez comigo. Pelo que você continua fazendo.
Ele não se afastou. Em vez disso, aproximou o rosto ainda mais.
— E mesmo assim… seu corpo reage a mim. Mesmo assim, você fica molhada quando eu te toco. Mesmo assim, você não tenta mais fugir de verdade.
Eu senti o rosto queimar de vergonha.
— Isso não significa nada.
— Significa tudo — murmurou ele, roçando os lábios nos meus. — Significa que você está rachando, Letícia. Significa que parte de você já sabe que pertence a mim.
Ele me beijou devagar. Profundamente. Como se tivesse todo o tempo do mundo. Suas mãos desceram pelas minhas costas, puxando-me para o colo dele. Eu não resisti. Não dessa vez.
O beijo ficou mais intenso. Mais urgente. Viktor me deitou no sofá, cobrindo meu corpo com o dele. Seus dedos deslizaram por baixo da blusa, tocando minha pele nua, subindo devagar até os s***s.
— Diga que você me quer — sussurrou contra minha boca.
Eu gemi baixo, o corpo arqueando contra o dele.
— Viktor…
— Diga — insistiu ele, mordendo meu lábio inferior. — Diga que você precisa de mim.
Eu não disse as palavras.
Mas meu corpo disse por mim.
Quando ele deslizou a mão para baixo, encontrando-me molhada e pronta, ele soltou um gemido rouco de satisfação.
— Isso… — murmurou, tocando-me devagar. — Isso é o que eu quero ouvir.
Ele não me penetrou naquela noite. Apenas me tocou até eu estar tremendo, gemendo, implorando com o corpo inteiro. E então parou, me puxando contra o peito, me abraçando forte.
— Amanhã — prometeu contra meu cabelo. — Amanhã você vai dizer as palavras.
Fiquei ali, tremendo contra ele, o corpo latejando de desejo insatisfeito.
Eu odiava Viktor Costa.
Mas, pela primeira vez, eu não tinha mais tanta certeza se o ódio era maior que o resto.