Capítulo 15 – A Verdade que Queima
A casa isolada parecia engolir o mundo lá fora.
Não havia o barulho constante da cidade. Apenas o vento balançando as árvores, o crepitar da lareira e o silêncio pesado entre nós dois. Viktor havia transformado aquele lugar em um mundo particular — só ele e eu, sem os homens armados, sem reuniões, sem interrupções.
Eu estava sentada no sofá da sala, enrolada em um cobertor macio, olhando para as chamas. O colar dourado ainda pesava no meu pescoço, mas aqui, longe da mansão principal, ele parecia menos uma coleira e mais uma marca que eu estava começando a aceitar.
Viktor se aproximou por trás. Não disse nada. Apenas passou os braços pela minha cintura e me puxou contra o peito dele, encostando o queixo no topo da minha cabeça. O calor do corpo dele era reconfortante e perigoso ao mesmo tempo.
— Você quase não falou o dia inteiro — murmurou ele, a voz baixa e rouca.
Eu fechei os olhos, sentindo o ritmo constante do coração dele contra minhas costas.
— O que você quer que eu diga? — perguntei baixinho. — Que estou feliz por estar aqui? Que estou começando a gostar de ser sua prisioneira?
Ele riu baixo, mas o som não tinha humor. Era quase... cansado.
— Não. Quero que você diga a verdade. — Ele virou meu rosto gentilmente com dois dedos, obrigando-me a olhar para ele. — Você ainda me odeia, Letícia?
Eu encarei aqueles olhos negros por um longo tempo. O fogo da lareira refletia neles, tornando-os ainda mais intensos.
— Sim — respondi honestamente. — Eu te odeio pelo que você fez comigo. Pelo que você continua fazendo. Por ter roubado minha vida.
Viktor não se afastou. Em vez disso, aproximou o rosto ainda mais, os lábios quase roçando os meus.
— E mesmo assim… você fica aqui. Mesmo assim, seu corpo reage quando eu te toco. Mesmo assim, você não tenta mais fugir de verdade.
Eu senti o rosto queimar de vergonha. A verdade doía mais do que qualquer mentira.
— Isso não significa que eu te amo — sussurrei.
— Não — concordou ele, a voz baixa. — Mas significa que você está rachando. Significa que parte de você já sabe que pertence a mim.
Ele me beijou devagar. Profundamente. Como se tivesse todo o tempo do mundo. Suas mãos desceram pelas minhas costas, puxando-me para o colo dele. Eu não resisti. Não dessa vez.
O beijo ficou mais intenso. Mais urgente. Viktor me deitou no sofá, cobrindo meu corpo com o dele. Seus dedos deslizaram por baixo da blusa, tocando minha pele nua, subindo devagar até os s***s.
— Diga que você me quer — sussurrou contra minha boca.
Eu gemi baixo, o corpo arqueando contra o dele.
— Viktor…
— Diga — insistiu ele, mordendo meu lábio inferior. — Diga que você precisa de mim.
Eu não disse as palavras.
Mas meu corpo disse por mim.
Quando ele deslizou a mão para baixo, encontrando-me molhada e pronta, ele soltou um gemido rouco de satisfação.
— Isso… — murmurou, tocando-me devagar. — Isso é o que eu quero ouvir.
Ele não me penetrou naquela noite. Apenas me tocou até eu estar tremendo, gemendo, implorando com o corpo inteiro. E então parou, me puxando contra o peito, me abraçando forte.
— Amanhã — prometeu contra meu cabelo. — Amanhã você vai dizer as palavras.
Fiquei ali, tremendo contra ele, o corpo latejando de desejo insatisfeito.
Eu odiava Viktor Costa.
Mas, pela primeira vez, eu não tinha mais tanta certeza se o ódio era maior que o resto.
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Capítulo 16 – A Rachadura
A manhã seguinte trouxe uma calmaria estranha.
Viktor não me acordou cedo como de costume. Ele me deixou dormir até o sol entrar pelas janelas grandes da casa. Quando abri os olhos, ele estava sentado na beira da cama, me observando em silêncio.
— Bom dia — disse ele, a voz mais suave que o normal.
Eu me sentei, puxando o lençol até o peito. O colar dourado tilintou levemente com o movimento.
— Por que estamos aqui? — perguntei diretamente. — Por que você me trouxe para esse lugar isolado?
Viktor ficou em silêncio por um momento. Depois suspirou e passou a mão pelo cabelo escuro.
— Porque na mansão principal eu estava te destruindo rápido demais. Eu via você rachando. Via você perdendo a luz nos olhos. E eu… não quero uma boneca quebrada. Eu quero você. Inteira. Mesmo que você me odeie.
Eu olhei para ele, surpresa com a honestidade crua.
— Você me sequestrou. Me tirou da minha vida. Me transformou em sua prisioneira. E agora diz que não quer me quebrar?
Ele sorriu, mas o sorriso era triste.
— Eu sei. Eu sou um monstro, Letícia. Sempre fui. Mas você… você me faz querer ser algo diferente. Mesmo que seja só um pouco.
Ele se aproximou e segurou meu rosto com as duas mãos. O toque era firme, mas quase carinhoso.
— Eu te amo — disse ele baixinho, pela primeira vez sem raiva ou possessividade na voz. — De um jeito fodido, doentio e errado. Mas eu te amo. E isso me assusta pra c*****o.
Eu senti as lágrimas subirem. Não de medo. De confusão. De exaustão emocional.
— Eu não sei mais o que sentir — admiti, a voz falhando. — Eu te odeio. Eu te desejo. Eu tenho medo de você. E tenho medo de mim mesma quando estou com você.
Viktor encostou a testa na minha.
— Então pare de lutar contra isso — sussurrou. — Pare de lutar contra mim. Deixe acontecer.
Ele me beijou devagar. Profundamente. Sem pressa. Sem a brutalidade das outras vezes. Como se estivesse pedindo permissão, mesmo sabendo que não precisava.
Eu respondi ao beijo.
Pela primeira vez, eu respondi sem lutar contra mim mesma.
Quando ele se afastou, os olhos dele estavam diferentes. Mais escuros. Mais vulneráveis.
— Hoje não vai ter tortura — murmurou ele. — Hoje eu só quero te sentir. Sem jogos. Sem negação.
Ele me deitou na cama e me despiu devagar, beijando cada pedaço de pele que revelava. Seus lábios desceram pelo meu pescoço, pelo colo, pelos s***s, pela barriga… até parar entre as minhas pernas.
Ele me tocou com a boca. Devagar. Profundamente. Sem pressa de me fazer gozar. Apenas saboreando, explorando, me levando ao limite várias vezes e parando antes.
Eu gemia, chorava, implorava com o corpo inteiro.
E, pela primeira vez, Viktor não parou completamente.
Ele me levou até o fim.
O orgasmo me acertou como uma onda violenta, fazendo meu corpo arquear e um gemido alto escapar da minha garganta.
Enquanto eu tremia, ele subiu pelo meu corpo e me beijou, compartilhando meu próprio gosto.
— Você é minha — sussurrou contra meus lábios. — E eu sou seu. Mesmo que seja do jeito mais fodido possível.
Fiquei ali, tremendo contra ele, o corpo exausto, a mente em completo caos.
Eu odiava Viktor Costa.
Mas, pela primeira vez, eu também sentia algo mais.
Algo que me aterrorizava ainda mais que o ódio.