Continuação – 2

1825 Words
Capítulo 3 – Regras Três dias. Três dias inteiros sem ver o sol. Três dias sem sentir o cheiro da rua molhada de São Paulo. Três dias presa dentro de um quarto luxuoso que mais parecia uma jaula dourada. O silêncio era a pior parte. Não havia barulho de carros, não havia vozes de clientes no diner, não havia nada. Apenas o som ocasional de passos no corredor e a presença dele — Viktor Costa — invadindo meu espaço quando bem entendia. Ele aparecia em horários imprevisíveis. Às vezes trazia comida cara demais para alguém como eu. Às vezes só ficava encostado na parede, me observando em silêncio, como se eu fosse um quebra-cabeça que ele pretendia desmontar peça por peça. Na manhã do quarto dia, a porta se abriu sem aviso. Viktor entrou carregando uma pilha de roupas luxuosas: vestidos pretos justos, tecidos brilhantes que pareciam caros demais para serem tocados, e lingeries de renda preta que fizeram meu estômago revirar de vergonha e raiva. Ele jogou tudo sobre a cama king size como se não tivesse importância. — Você vai tomar banho. Vai se arrumar. E vai jantar comigo hoje às oito em ponto — ordenou, a voz grave e tranquila, sem deixar espaço para negociação. Eu me sentei na cama, cruzando os braços com força contra o peito. — Não sou sua boneca. Não vou me arrumar pra você como se isso fosse um encontro romântico. Ele inclinou a cabeça devagar. Um sorriso lento e perigoso curvou o canto da sua boca. — Ainda não. Mas você vai aprender a ser exatamente o que eu quiser. Como eu não me mexi, Viktor atravessou o quarto em poucas passadas largas. Antes que eu pudesse reagir, ele me agarrou pela cintura, me ergueu como se eu não pesasse nada e me carregou até o banheiro luxuoso. Abriu o chuveiro no máximo e me colocou debaixo da água fria, roupa e tudo. O choque da água gelada me fez arfar alto. Meu corpo inteiro se contraiu violentamente. — Regra número um — disse ele calmamente, enquanto a água encharcava minha camiseta fina. — Você obedece. Sem discussão. Sem atraso. Sem birra. Tentei empurrá-lo, mas ele segurou meus dois pulsos acima da minha cabeça com apenas uma mão, pressionando meu corpo contra os azulejos frios com o dele. O contraste era brutal: a água gelada descendo pela minha pele e o calor do corpo dele colado contra o meu. — Regra número dois — continuou, a voz baixa e rouca perto do meu ouvido. — Você não tenta fugir. Meus homens têm ordens claras. Se você correr, eles vão te trazer de volta. E eu garanto que não vai ser gentil da próxima vez. Meu coração martelava tão forte que eu tinha certeza de que ele sentia. A água fria descia pelo meu rosto, misturando-se ao suor frio do medo. Ele se aproximou ainda mais, os lábios quase roçando a concha da minha orelha. — Regra número três: você nunca mente para mim. Se eu descobrir que mentiu… a punição vai ser bem mais criativa do que um simples banho frio. Viktor soltou meus pulsos devagar, mas não se afastou. Seus olhos negros desceram pelo meu corpo, acompanhando a água que colava o tecido fino da roupa na minha pele, revelando cada curva. — E a regra mais importante, Letícia… — A voz dele ficou ainda mais baixa, quase um ronronar possessivo. — Você só toca em outro homem se quiser vê-lo morrer na sua frente. Devagar. Meu corpo inteiro tremeu. De frio. De raiva. E de algo quente e vergonhoso que se acumulava no meu ventre — algo que eu me recusava a nomear. Ele deu um passo para trás, me olhando de cima a baixo com satisfação evidente. A água agora começava a aquecer, mas meu corpo ainda queimava onde ele havia me tocado. — Se arrume direito. O jantar é às oito em ponto. Se não estiver pronta… eu mesmo venho te vestir. E não vai ser rápido. Viktor saiu do banheiro sem esperar resposta, fechando a porta com um clique suave que soou mais ameaçador que qualquer estrondo. Fiquei ali, debaixo da água morna, abraçando meu próprio corpo trêmulo. Meu peito subia e descia rápido demais. Eu odiava o quanto o toque dele me afetava. Odiava ainda mais o fato de que, pela primeira vez em quatro dias, eu não estava pensando apenas em fugir. Estava pensando nele. No peso do seu corpo contra o meu. Na voz rouca contra minha orelha. No olhar possessivo que parecia me marcar como propriedade. — Desgraçado… — sussurrei para o vazio, com a voz embargada. Mas as lágrimas que escorriam pelo meu rosto não eram só de medo. Eram de raiva. E de uma confusão perigosa que eu não sabia mais como controlar. . . . Capítulo 4 – Jantar O vestido preto que Viktor havia escolhido para mim era uma segunda pele indesejada. O tecido brilhante e caro colava em cada curva do meu corpo, o decote profundo descia entre os s***s de forma quase indecente, e a f***a alta na coxa esquerda subia tanto que eu me sentia nua a cada movimento. Não havia espaço para sutiã. Cada respiração fazia o tecido roçar minha pele sensível. Eu me olhei no espelho grande do quarto e senti uma onda de nojo subir pela garganta. Não era pelo vestido em si. Era pelo fato de que eu estava ali — arrumando o cabelo, passando as mãos no tecido, me preparando para ele. Como se fosse uma escolha. Como se eu não fosse uma prisioneira. Às oito em ponto, exatamente como ele havia ordenado, a porta se abriu sem bater. Viktor entrou. Terno preto impecável, camisa social aberta nos primeiros botões, revelando parte das tatuagens escuras que cobriam seu peito. O cabelo estava penteado para trás, mas alguns fios rebeldes caíam na testa, dando-lhe um ar ainda mais perigoso. Ele parou na entrada e me observou de cima a baixo, devagar, sem pressa nenhuma. Seus olhos negros pareciam devorar cada centímetro de mim. — Perfeita — murmurou, a voz grave e rouca. — Exatamente como eu imaginei. Não respondi. Apertei os braços contra o corpo, tentando esconder o tremor e a vergonha que queimava meu rosto. Sentia-me como uma mercadoria sendo avaliada. Ele estendeu a mão para mim, palma virada para cima. — Vamos. Eu ignorei a mão estendida. Passei por ele e caminhei sozinha pelo corredor, sentindo seu olhar queimando minhas costas o tempo inteiro. Cada passo fazia a f***a do vestido se abrir, expondo mais pele. Eu podia ouvir os passos dele logo atrás — calmos, controlados, como um predador que sabe que a presa não tem para onde correr. A sala de jantar era enorme. Uma mesa longa de madeira escura, iluminada apenas por velas altas que projetavam sombras dançantes nas paredes. Dois lugares postos com porcelana fina, taças de cristal e talheres dourados. A comida cheirava absurdamente bem — filé ao molho, ervas frescas, vinho tinto caro. Tudo aquilo era ridículo. Eu era uma garçonete de diner 24 horas que m*l conseguia pagar o aluguel. Não pertencia àquele mundo. Viktor puxou a cadeira para mim com uma cortesia falsa. Sentei-me em silêncio, o corpo rígido. Nos primeiros minutos, ele não disse nada. Apenas me observava enquanto eu cutucava a comida no prato com o garfo. Cada garfada que eu dava, cada movimento hesitante, ele acompanhava com aqueles olhos frios e intensos. O silêncio era sufocante, carregado. — Você é bonita demais para ser apenas uma garçonete de diner — disse ele de repente, a voz quebrando o silêncio como uma lâmina afiada. Levantei o olhar, irritada, o peito apertado. — E você é um assassino frio demais para estar jantando comigo como se isso fosse normal. Como se eu fosse sua convidada e não sua prisioneira. Ele sorriu. Aquele sorriso lento, perigoso, que fazia meu estômago revirar de medo… e de algo pior. — Sim. Eu sou um assassino. E agora você é propriedade de um assassino, Letícia. Ele se levantou devagar, com movimentos calculados. Contornou a mesa e parou atrás da minha cadeira. Puxou-a para trás sem esforço e me fez levantar. Uma mão grande e quente segurou minha cintura com firmeza, a outra subiu pelo meu braço nu até parar no meu pescoço. Não apertou. Apenas descansou ali — um aviso claro, possessivo, dominante. Senti o calor do corpo dele contra minhas costas. Seu cheiro — couro, cigarro e algo metálico — me envolveu completamente. — Eu poderia te matar agora mesmo — sussurrou contra minha orelha, o hálito quente roçando minha pele. — Ninguém nunca encontraria seu corpo. Ninguém sentiria sua falta por muito tempo. Mas eu não quero te matar. Os dedos dele apertaram levemente meu pescoço, apenas o suficiente para eu sentir o controle. — Eu quero te quebrar devagar… até você esquecer quem era antes de mim. Até você implorar para ser minha. Até seu corpo reconhecer que pertence a mim antes mesmo da sua mente aceitar. Meu corpo reagiu antes que eu pudesse impedir. Um calor traiçoeiro subiu pela minha barriga, espalhando-se como fogo líquido. Meus m*****s endureceram contra o tecido fino do vestido. As pernas ficaram fracas. Eu odiava aquilo com todas as forças. Odiava o quanto ele conseguia fazer meu corpo trair minha mente. Ele sentiu. Claro que sentiu. O sorriso em sua voz era evidente quando ele falou novamente: — Boa garota… — murmurou, o polegar traçando lentamente meu lábio inferior. — Já está começando a aprender. Por um segundo que pareceu eterno, ele ficou ali, o corpo colado ao meu, a mão no meu pescoço, o polegar pressionando de leve meu lábio. Eu sentia a respiração dele, o calor irradiando dele, a ameaça e a promessa misturadas no ar. Então, tão de repente quanto havia se aproximado, Viktor me soltou. Voltou para o seu lugar na mesa com a mesma calma irritante, como se nada tivesse acontecido. Pegou a taça de vinho e tomou um gole, os olhos ainda fixos em mim. Fiquei de pé por mais alguns segundos, pernas tremendo, coração disparado, a pele queimando nos lugares onde ele havia me tocado. Voltei a me sentar em silêncio, o apetite completamente perdido. Eu o odiava. Odiava o controle que ele exercia sobre mim. Odiava o jeito como sua voz rouca ainda ecoava na minha cabeça. E odiava, acima de tudo, o fato de que uma parte traiçoeira de mim… não queria que ele tivesse parado. O jantar continuou em um silêncio carregado. Cada olhar dele era uma carícia perigosa. Cada vez que eu mexia as pernas, a f***a do vestido se abria um pouco mais, e eu sentia seus olhos descendo para a pele exposta. Eu era uma prisioneira. Mas, pela primeira vez, comecei a me perguntar se o maior perigo não era mais o homem sentado à minha frente… e sim o que ele estava despertando dentro de mim.
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