Continuação – 4

1222 Words
Capítulo 7 – A Casa dos Monstros A mansão era um labirinto frio e opressivo. Corredores longos com pisos de mármore escuro que refletiam a luz fraca dos lustres de cristal. Quadros antigos nas paredes com rostos severos que pareciam me julgar a cada passo. Em cada canto, em cada sombra, havia um homem armado, silencioso, olhando para frente como estátuas vivas. Eles não me encaravam diretamente, mas eu sentia seus olhares me seguindo — curiosos, avaliadores, perigosos. Viktor andava dois passos atrás de mim, as mãos enfiadas nos bolsos do terno preto, como se estivéssemos fazendo um passeio casual. Mas eu sabia a verdade. Ele não estava me mostrando a casa. Estava me exibindo. Marcando território. Deixando claro para todos os seus homens quem eu era agora: propriedade dele. O colar pesado ao redor do meu pescoço balançava levemente a cada movimento, o “V” dourado frio contra minha pele. Um lembrete constante e humilhante. — Essa ala é proibida — disse Viktor de repente, a voz grave cortando o silêncio quando passamos por uma porta dupla reforçada. — Se eu te pegar lá dentro, você vai se arrepender amargamente, Letícia. Parei por um segundo, olhando para a porta trancada. Meu coração acelerou. — O que tem lá? Corpos? Ele soltou uma risada baixa, escura, que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem. — Coisas piores que corpos. Coisas que você não precisa saber… ainda. Continuamos andando. O silêncio era sufocante, quebrado apenas pelo eco dos nossos passos no mármore. Cada respiração minha fazia o colar tilintar de leve, como se estivesse me lembrando de que eu não era mais livre para ir a lugar nenhum. Paramos em uma sala de estar ampla e luxuosa. Sofás de couro preto, um bar bem abastecido e luz baixa. Três homens estavam sentados ali, conversando em voz baixa. Um deles, loiro, bonito de um jeito perigoso, levantou o olhar quando entramos. Seus olhos percorreram meu corpo de cima a baixo sem disfarce — demorando-se na f***a alta do vestido, no decote, e especialmente no colar dourado que marcava meu pescoço. — Viktor, quem é a novata? — perguntou ele, o tom provocador. — Gostosa pra c*****o. Você finalmente resolveu compartilhar? Antes que eu pudesse reagir, Viktor deu um passo à frente, posicionando o corpo grande entre mim e o homem loiro. A temperatura da sala pareceu cair vários graus. — Ela é minha — respondeu Viktor com a voz gelada, sem emoção alguma, mas carregada de ameaça mortal. — Olhe para ela de novo, Rafael, e eu arranco seus olhos aqui mesmo e te faço engolir. Entendeu? O silêncio que caiu foi pesado. Rafael ergueu as mãos em rendição fingida, mas o sorriso provocador ainda pairava no canto da boca. Viktor segurou meu braço com firmeza e me puxou para fora da sala sem dizer mais uma palavra. Assim que viramos o corredor, longe dos olhares dos outros, Viktor me prensou contra a parede com o corpo inteiro. Uma mão bateu na parede ao lado da minha cabeça, a outra segurou meu queixo com força, obrigando-me a olhar para cima. — Você não fala com ninguém aqui — rosnou baixinho, os olhos negros queimando nos meus. — Não olha. Não sorri. Não respira perto deles. Entendeu, Letícia? Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia sentir. — Você é doente — sussurrei, a voz tremendo entre raiva e algo mais quente. — Sou. E agora você está presa dentro da minha doença. — Ele se aproximou ainda mais, os lábios roçando os meus sem chegar a beijar. — Quanto mais você luta, mais eu quero te quebrar. Quanto mais outro homem olhar para você, mais eu vou querer te lembrar exatamente de quem você pertence. O calor do corpo dele contra o meu era insuportável. Um calor traiçoeiro se acumulou no baixo ventre. Meu corpo traía minha mente mais uma vez. Ele sentiu. Viktor sempre sentia. Um sorriso lento e satisfeito curvou seus lábios. O polegar traçou meu lábio inferior com uma lentidão torturante. — Boa garota… — murmurou. — Continue resistindo assim. Quanto mais você luta, mais doce vai ser quando você finalmente se render. Ele se afastou de repente, ajustou o terno e continuou andando pelo corredor como se nada tivesse acontecido. Eu fiquei encostada na parede por alguns segundos a mais, tentando recuperar o fôlego. As pernas tremiam. O colar parecia mais pesado do que nunca. Eu odiava Viktor Costa com todas as forças. Mas uma parte pequena e perigosa de mim já começava a se perguntar como seria parar de lutar. . . . Capítulo 8 – O Preço do Silêncio O escritório de Viktor era um lugar frio e intimidador. Paredes cinza quase pretas, uma mesa enorme de madeira escura, estantes altas cheias de livros. A única luz vinha de um abajur âmbar que criava sombras longas e dançantes. Eu estava sentada em uma cadeira ao lado da mesa dele, as pernas cruzadas com força, tentando ignorar o quanto a saia curta subia pelas minhas coxas. Viktor estava recostado na cadeira grande, girando um copo de uísque entre os dedos. Ele não dizia nada. Apenas me observava. O silêncio era tão denso que eu conseguia ouvir o tique-taque de um relógio antigo. Depois de longos minutos, ele empurrou um envelope grosso na minha direção. — Sua antiga vida acabou — disse ele calmamente. — Aqui tem documentos novos. Nome falso, conta bancária, histórico limpo. Sua família vai receber uma mensagem dizendo que você viajou e que está bem. Meu estômago revirou. Peguei o envelope com as mãos trêmulas. — Você não pode simplesmente apagar minha vida — sussurrei. — Já apaguei. — Ele se levantou e parou atrás da minha cadeira. Suas mãos desceram pelos meus ombros, pesadas e quentes. — O preço do silêncio é obediência total, Letícia. Os dedos dele deslizaram pela minha pele, traçando o colar dourado e descendo pelo decote do vestido. Roçaram a curva dos meus s***s com lentidão torturante. Eu prendi a respiração. — Eu poderia te f***r aqui mesmo, em cima dessa mesa — murmurou contra meu cabelo. — E você não teria escolha. Mas eu gosto quando você luta primeiro. Gosto de ver você tentando se convencer de que me odeia… enquanto seu corpo implora por mim. Uma mão desceu pela minha coxa, subindo por baixo do vestido até parar no limite da calcinha. O dedo roçou o tecido já úmido, circulando meu c******s por cima do pano. — Veja só como você já está molhada… — sussurrou. — Só com palavras. Que vergonha, Letícia. Eu mordi o lábio com força, tentando segurar o gemido. Meu corpo inteiro tremia. Ele continuou tocando-me devagar, torturantemente, levando-me à beira várias vezes e sempre parando. — Diga que você me quer — exigiu contra meu ouvido. Eu não respondi. Apenas tremi, lágrimas escorrendo pelo rosto. Viktor retirou a mão de repente, deixando-me vazia e frustrada. — Durma bem esta noite — disse ele calmamente, voltando para trás da mesa. — Amanhã você começa a trabalhar para mim como minha assistente pessoal. Fiquei sentada na cadeira, pernas trêmulas, o desejo insatisfeito pulsando dolorosamente entre as coxas. O monstro estava ganhando terreno. E o pior era que uma parte de mim já não tinha tanta certeza se queria impedi-lo.
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