Capítulo 31 – A Sombra no Espelho
A manhã seguinte à festa foi silenciosa demais.
Eu acordei com o corpo dolorido.
Marcas roxas no pescoço.
Marcas de dedos na cintura.
O colar dourado ainda no lugar, frio contra a pele quente.
Viktor já estava acordado.
Sentado na poltrona ao lado da cama, me observando.
A camisa aberta, o cabelo bagunçado, o olhar escuro.
— Dormiu bem? — perguntou ele, a voz baixa.
— Tanto quanto se pode dormir depois de ser fodida como se fosse um castigo — respondi, sentando-me na cama e puxando o lençol.
Ele sorriu de canto.
Não era um sorriso gentil.
— Você gostou do castigo.
Eu não neguei.
Não conseguia mais mentir sobre o que meu corpo sentia.
Viktor se levantou e caminhou até a cama.
Sentou-se na beira e traçou com o dedo uma das marcas que havia deixado no meu pescoço.
— Hoje tem uma reunião importante — disse ele. — Família.
Meu pai e meus irmãos vão estar aqui.
Quero que você fique no escritório comigo.
— Como sua assistente? — perguntei.
— Como minha mulher.
Ele me puxou para o colo dele.
Beijou meu ombro, depois o pescoço, depois a boca.
Devagar.
Quase carinhoso.
— Eles vão te testar — murmurou contra meus lábios. — Vão querer ver se você é fraca.
Não seja.
Depois do banho, ele escolheu minha roupa.
Uma saia preta justa.
Blusa de seda branca.
O colar dourado bem visível.
No escritório, a tensão era palpável.
Dois irmãos de Viktor já estavam lá.
Um mais velho, sério, com cicatrizes no rosto.
O outro mais novo, com olhar afiado e sorriso falso.
O pai dele, Don Costa, chegou por último.
Homem alto, cabelo grisalho, presença que dominava o ambiente inteiro.
Todos olharam para mim.
Para o colar.
Para a mão de Viktor na minha cintura.
— Então essa é a famosa garçonete — disse o pai dele, a voz grave. — A que fez meu filho perder a cabeça.
Viktor apertou minha cintura.
— Ela não é garçonete.
É minha.
A reunião começou.
Falavam de territórios, traições, dinheiro.
Eu ficava em silêncio, sentada ao lado de Viktor.
Mas o irmão mais novo não parava de me olhar.
Não com desejo.
Com curiosidade fria.
Como se estivesse calculando quanto eu valia.
Viktor percebeu.
No meio da reunião, ele me puxou para o colo dele na frente de todos.
Uma mão possessiva na minha coxa, por baixo da mesa.
O irmão mais novo sorriu.
— Cuidado, Viktor.
Mulheres bonitas costumam ser fraquezas perigosas.
Viktor não respondeu com palavras.
Apenas apertou minha coxa com mais força.
Os dedos subiram devagar, escondidos pela mesa, roçando minha calcinha.
Eu prendi a respiração.
A reunião continuou.
E Viktor continuou me tocando.
Devagar.
Torturantemente.
Mantendo-me no limite enquanto falava de mortes e acordos.
Quando todos saíram, ele me virou na cadeira e me fodeu ali mesmo.
Na mesa do escritório.
Forte.
Rápido.
Cheio de raiva e ciúme.
— Eles não vão te tocar — rosnou enquanto entrava em mim. — Ninguém vai.
Eu gozei tremendo, mordendo o ombro dele para não gritar.
Depois, ele me abraçou forte.
— Você foi perfeita hoje — murmurou. — Mas amanhã vai ser pior.
Meu pai quer te conhecer melhor.
Eu fechei os olhos.
A jaula dourada estava ficando menor.
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Capítulo 32 – O Jantar com o Diabo
O jantar com a família Costa foi pior do que eu imaginava.
A mesa era longa.
Velas acesas.
Pratos caros.
Silêncio pesado.
Don Costa sentou na cabeceira.
Viktor ao lado dele.
Eu ao lado de Viktor.
Os irmãos em frente.
Eles me observavam como se eu fosse uma mercadoria rara.
— Então, Letícia — começou o pai de Viktor. — Viktor te tirou de um diner sujo e te trouxe pra cá.
Você deve se sentir grata.
Eu segurei o garfo com força.
— Grata não é a palavra que eu usaria — respondi calmamente.
O irmão mais novo riu.
Viktor apertou minha coxa por baixo da mesa.
Um aviso.
— Ela está se adaptando — disse Viktor, a voz fria. — E ela fica.
Don Costa inclinou a cabeça.
— Adaptação é bom.
Mas lealdade é melhor.
Você é leal ao meu filho, garota?
Eu olhei direto nos olhos dele.
— Eu sou leal à minha sobrevivência.
O silêncio que caiu foi mortal.
Viktor sorriu orgulhoso ao meu lado.
Mas a mão dele apertava minha coxa quase a ponto de doer.
Depois do jantar, Viktor me puxou para o quarto quase correndo.
Assim que a porta fechou, ele me prensou contra a parede.
— Você quase me desafiou na frente da minha família — rosnou, mordendo meu pescoço.
— Eu disse a verdade.
Ele levantou meu vestido e puxou minha calcinha para baixo.
Entrou em mim de uma vez, forte e fundo.
— A verdade pode te matar aqui — disse ele enquanto me fodia contra a parede. — Nunca mais fale assim na frente deles.
Eu gemi alto, as pernas ao redor da cintura dele.
— Viktor…
— Diga que você entende — exigiu ele, acelerando.
— Eu entendo… eu sou sua… — gemi.
Ele gozou forte, me segurando contra a parede.
Depois me carregou para a cama e me abraçou por trás.
— Amanhã meu pai quer falar com você sozinho — murmurou contra meu cabelo. — Eu vou estar por perto.
Mas você precisa ser esperta.
Eu fechei os olhos.
A jaula estava ficando mais apertada.
E eu não sabia mais se queria sair dela.