Continuação – 19

912 Words
Capítulo 35 – O Jantar da Família A mesa estava posta como um campo de batalha. Velas altas. Pratos de porcelana fina. Talheres dourados. E um silêncio que cortava o ar. Don Costa sentou na cabeceira. Viktor ao lado direito dele. Eu ao lado de Viktor. Os dois irmãos em frente. Ninguém falava de negócios. Falavam de mim. — Então, Letícia — começou Don Costa, cortando o filé com calma. — Viktor diz que você está se adaptando. Isso é verdade? Eu senti a mão de Viktor apertar minha coxa por baixo da mesa. — Estou tentando — respondi com voz firme. — Não é fácil perder toda a sua vida de uma hora pra outra. O irmão mais novo riu baixinho. — Ela tem boca, hein? Cuidado, Viktor. Mulheres com boca grande costumam trazer problemas. Viktor não sorriu. — Ela tem boca. E ela é minha. Se você falar dela de novo desse jeito, eu arranco sua língua aqui mesmo. O silêncio ficou ainda mais pesado. Don Costa observava tudo com olhos frios. — Viktor está diferente desde que te trouxe pra cá — disse ele para mim. — Mais impulsivo. Mais fraco. Viktor ficou tenso. — Ela não me deixa fraco. Ela me deixa forte. Porque agora eu tenho algo a perder. Eu baixei o olhar para o prato. Meu apetite havia desaparecido completamente. Depois do jantar, Viktor me puxou para o quarto quase correndo. Assim que a porta fechou, ele me prensou contra a parede. — Você foi bem — murmurou ele, mordendo meu pescoço. — Mas meu pai ainda não confia em você. As mãos dele subiram por baixo do vestido, apertando minha b***a. — Eu preciso te lembrar de quem você pertence — rosnou. Ele me carregou até a cama. Tirou meu vestido e minha calcinha com movimentos rápidos. Abriu minhas pernas e me tomou com força. Cada estocada era profunda. Quase punitiva. — Diga que você é minha — exigiu ele. — Eu sou sua, Viktor… — gemi alto. Ele acelerou, segurando meus pulsos acima da cabeça. O quarto encheu-se dos meus gemidos e do som de pele contra pele. Quando gozamos juntos, ele desabou sobre mim, respirando pesado. — Amanhã meu pai quer te dar um teste — murmurou contra meu cabelo. — Algo simples. Mas perigoso. Eu acariciei as costas dele, ainda tremendo. — Eu vou passar. Viktor levantou a cabeça e me olhou. — Eu sei que vai. Porque se você falhar… eu não vou conseguir te proteger. Fiquei em silêncio, sentindo o peso dele sobre mim. A família Costa não era apenas perigosa. Era um jogo de poder. E eu estava bem no meio dele. . . . Capítulo 36 – O Teste O teste veio na manhã seguinte. Don Costa me chamou para o jardim dos fundos da mansão. Apenas nós dois. Viktor foi proibido de acompanhar. — Sente-se — disse o homem mais velho, apontando para o banco de pedra. Sentei-me, o coração martelando. — Viktor te ama — começou ele. — De um jeito doentio, mas ama. Isso é raro na nossa família. Mas amor não garante lealdade. Ele colocou uma pasta sobre o banco entre nós. — Dentro dessa pasta tem informações sobre sua antiga vida. Sua mãe. Seu irmão mais novo. Seus amigos do diner. Eu senti o sangue gelar. — O que você quer de mim? Don Costa sorriu frio. — Quero que você prove que escolheu meu filho. Quero que você corte todos os laços com o passado. Hoje. Na minha frente. Ele me entregou um celular. — Ligue para sua mãe. Diga que você viajou para o exterior. Que está bem. E que não quer mais contato. Minhas mãos tremiam ao pegar o telefone. — E se eu não fizer? — Então Viktor vai perder a confiança da família. E você vai virar um problema que precisa ser resolvido. Eu fechei os olhos. Lembrei da casa isolada. Dos dias calmos. Do jeito como Viktor me olhava quando estávamos sozinhos. Disquei o número da minha mãe. — Mãe… sou eu. Estou bem. Vou ficar fora por um tempo. Não precisa se preocupar. Não me ligue mais. Minha voz saiu firme. Mas por dentro eu estava destruída. Quando desliguei, Don Costa acenou com a cabeça. — Bom. Você passou no primeiro teste. Ele se levantou. — Mas tem muitos outros. Não me decepcione, garota. Meu filho pode te amar. Eu não. Quando voltei para o quarto, Viktor estava andando de um lado para o outro. Assim que me viu, me puxou para os braços dele. — O que ele te fez? — perguntou, a voz rouca. Eu contei tudo. Viktor me abraçou forte. — Você fez o certo — murmurou. — Mas eu odeio te ver sofrendo. Ele me deitou na cama e me despiu com calma. Beijou cada pedaço de pele como se quisesse curar as feridas invisíveis. Dessa vez o sexo foi lento. Profundo. Quase carinhoso. — Eu vou te proteger — sussurrou enquanto se movia dentro de mim. — Mesmo que precise lutar contra minha própria família. Eu gemi baixo, segurando o rosto dele. — Eu sei. Quando terminamos, ele me abraçou por trás, o corpo colado ao meu. — Amanhã vamos ter outro jantar — disse ele. — E depois… eu tenho uma surpresa pra você. Fiquei em silêncio, sentindo o calor dele. A jaula estava ficando mais complexa. Com mais portas. Mais chaves. E eu não sabia mais se queria escapar.
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