Capítulo 23 – A Confissão
A casa isolada parecia um mundo à parte.
Os dias passavam devagar.
O sol entrava pelas janelas grandes pela manhã.
O vento balançava as árvores à tarde.
E à noite, apenas o crepitar da lareira e o silêncio entre nós.
Eu estava na cozinha, preparando um café simples. Viktor encostou no batente da porta, me observando em silêncio. Ele não usava terno hoje. Apenas calça preta e camisa cinza aberta no colarinho. Parecia quase humano.
— Você está cozinhando pra mim agora? — perguntou ele, a voz baixa e rouca.
— Não é pra você. É pra mim — respondi sem olhar para ele. — Mas posso fazer o suficiente pra dois.
Ele se aproximou devagar. Parou atrás de mim e passou os braços pela minha cintura, apoiando o queixo no meu ombro. O colar dourado tilintou levemente com o movimento.
— Você está diferente esses dias — murmurou contra meu pescoço. — Menos raiva. Mais silêncio.
Eu desliguei o fogão e virei o rosto para ele.
— Porque eu estou cansada de lutar o tempo todo, Viktor. Cansada de fingir que te odeio quando meu corpo claramente não odeia.
Ele ficou quieto por um momento. Depois me virou completamente para encará-lo.
— Então pare de fingir — disse ele, os olhos negros fixos nos meus. — Diga o que você sente de verdade.
Eu respirei fundo. As palavras doíam na garganta.
— Eu te odeio pelo que você fez.
Eu te odeio por ter me tirado da minha vida.
Mas eu também… sinto algo quando você me toca. Algo que me assusta. Algo que me faz querer ficar aqui, mesmo sabendo que isso é errado.
Viktor segurou meu rosto com as duas mãos. O polegar acariciou minha bochecha com uma delicadeza que eu não esperava dele.
— Eu sei — sussurrou. — Eu sinto o mesmo. Você me deixa fraco, Letícia. E eu odeio ser fraco.
Ele me beijou.
Foi um beijo diferente.
Não era possessivo.
Não era bruto.
Era quase desesperado. Como se ele estivesse admitindo algo que nunca admitiu antes.
Eu respondi.
Minhas mãos subiram até o peito dele, sentindo as tatuagens sob a camisa. O beijo ficou mais profundo. Viktor me ergueu com facilidade e me sentou na bancada da cozinha.
Seus lábios desceram pelo meu pescoço, mordendo de leve, depois desceram mais. Ele abriu minha blusa devagar, beijando cada pedaço de pele que revelava. Quando chegou aos s***s, chupou um mamilo com calma, a língua quente e molhada.
Eu gemi baixo, arqueando as costas.
— Viktor…
— Shh — murmurou ele contra minha pele. — Hoje eu não vou parar no meio. Hoje eu quero ouvir você gozar chamando meu nome.
Ele desceu mais. Ajoelhou-se na minha frente, abriu minhas pernas e puxou minha calcinha para o lado. Sua boca encontrou meu centro molhado. A língua circulou meu c******s devagar, depois com mais pressão. Dois dedos entraram em mim, curvando-se no ponto certo.
Eu segurei os cabelos dele, gemendo alto. O prazer subia rápido, quente, quase insuportável.
— Viktor… por favor…
Ele não parou.
Continuou chupando, lambendo, penetrando com os dedos até meu corpo inteiro tremer violentamente. O orgasmo me acertou forte. Eu gritei o nome dele, as pernas tremendo ao redor da cabeça dele.
Quando voltei do prazer, Viktor se levantou, me beijou e me carregou para o quarto.
Ele me deitou na cama e tirou a própria roupa. O corpo tatuado e musculoso era impressionante à luz fraca do quarto.
— Hoje — disse ele, posicionando-se entre minhas pernas — você vai sentir tudo.
Ele entrou em mim devagar, centímetro por centímetro. Eu gemi alto, as unhas cravando nas costas dele. Viktor gemeu contra meu pescoço, o som rouco e satisfeito.
Ele se movia devagar. Profundamente. Como se quisesse gravar cada segundo na minha memória.
— Você é minha — sussurrou contra minha boca. — Diga.
— Eu sou sua… — gemi, finalmente.
Ele acelerou. O quarto encheu-se dos nossos gemidos e do som de pele contra pele.
Quando gozamos juntos, Viktor me abraçou forte, como se tivesse medo que eu desaparecesse.
Fiquei ali, ofegante, o corpo exausto, a mente em completo caos.
Eu não sabia mais quem eu era.
Mas sabia que, naquele momento, eu pertencia a ele.
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Capítulo 24 – A Manhã Seguinte
A luz da manhã entrava suave pelas janelas.
Eu acordei com o corpo dolorido, mas de um jeito bom. Viktor dormia ao meu lado, um braço pesado sobre minha cintura, o rosto relaxado pela primeira vez. Sem a máscara de mafioso frio. Apenas um homem.
Eu fiquei olhando para ele por longos minutos. O colar dourado ainda estava no meu pescoço. O “V” brilhava com a luz do sol.
— Você está me olhando — murmurou ele, a voz rouca de sono, sem abrir os olhos.
— Estou — admiti.
Ele abriu os olhos negros e me puxou mais para perto.
— Arrependida?
Eu pensei por um momento.
— Não sei. Ontem eu disse que sou sua. E eu quis dizer isso. Mas ainda tenho medo do que isso significa.
Viktor se apoiou em um cotovelo e me olhou sério.
— Significa que eu vou te proteger.
Significa que ninguém vai te tocar.
Significa que você nunca mais vai precisar trabalhar num diner sujo às três da manhã.
Ele traçou o colar com o dedo.
— Mas também significa que você é minha. Totalmente. Em todos os sentidos.
Eu toquei o rosto dele. Pela primeira vez, toquei por vontade própria.
— E se eu quiser mais que isso? — perguntei baixinho. — E se eu quiser liberdade também?
Ele ficou em silêncio por um tempo longo.
— Liberdade dentro dos meus limites — respondeu finalmente. — Você pode andar pela casa. Pode cozinhar. Pode ler. Pode até pedir coisas. Mas não pode sair. Não pode falar com ninguém de fora. Ainda não.
Eu assenti devagar. Era o máximo que eu conseguiria por enquanto.
Viktor me beijou na testa.
— Vamos tomar banho juntos — disse ele, puxando-me para cima. — Depois eu cozinho pra você. Hoje eu quero te tratar bem.
No banho, ele lavou meu corpo com cuidado. As mãos grandes deslizavam pelo sabonete, massageando meus ombros, minhas costas, minhas coxas. Não era s****l. Era quase carinhoso.
Depois, na cozinha, ele preparou ovos, bacon e café fresco. Sentamos à mesa pequena e comemos em silêncio confortável.
Pela primeira vez, não parecia uma prisão.
Parecia… um começo.
Mas no fundo eu sabia:
O monstro ainda estava lá.
Só estava descansando.
E eu não sabia se queria que ele acordasse de novo.