Continuação – 14

979 Words
Capítulo 25 – Dias de Silêncio Os dias na casa isolada começaram a se misturar. Não havia mais a pressão constante da mansão principal. Não havia homens armados vigiando cada passo. Apenas Viktor, eu e o silêncio da mata ao redor. Pela manhã, eu acordava com o corpo dele colado ao meu. O braço forte sobre minha cintura. A respiração quente contra meu pescoço. O colar dourado ainda no lugar, mas estranhamente menos pesado. — Bom dia — murmurava ele toda manhã, a voz rouca de sono. Ele me beijava devagar. Não com a urgência bruta de antes. Com uma calma possessiva que me deixava confusa. Hoje, ele decidiu cozinhar. Eu fiquei sentada na bancada da cozinha, observando enquanto ele preparava ovos, bacon e torradas. A camisa preta aberta revelava parte das tatuagens no peito. Os músculos dos braços se moviam enquanto ele virava a frigideira. — Você sabe cozinhar? — perguntei, surpresa. Viktor sorriu de lado. — Eu sei fazer muitas coisas que você ainda não viu. Ele colocou o prato na minha frente e se sentou do outro lado da mesa pequena. Comemos em silêncio por alguns minutos. O som dos talheres era o único barulho. — Quanto tempo vamos ficar aqui? — perguntei finalmente. Ele tomou um gole de café preto antes de responder. — O tempo que for necessário. Meus inimigos estão agitados. Alguém vazou que eu tenho uma fraqueza agora. Você. Eu baixei o garfo. — Fraqueza? Viktor me olhou sério. — Sim. Fraqueza. Porque se alguém te pegar, eles sabem que eu movo céu e inferno pra te trazer de volta. E isso me torna previsível. Ele estendeu a mão sobre a mesa e segurou a minha. — Por isso estamos aqui. Longe de todo mundo. Só eu e você. Depois do café, ele me levou para fora da casa. Pela primeira vez, caminhamos pela mata ao redor. O ar era fresco. O chão úmido de orvalho molhava meus tênis. Viktor segurava minha mão o tempo todo. Não apertava forte. Mas não soltava. — Você sente falta da sua vida antiga? — perguntou ele de repente. Eu parei e olhei para as árvores. — Sinto falta de liberdade. De poder escolher. De não ter medo de dormir e acordar ainda presa. Ele parou atrás de mim e me abraçou pela cintura, encostando o peito nas minhas costas. — Eu posso te dar quase tudo, Letícia. Menos isso. Pelo menos por enquanto. Eu virei o rosto para ele. — E se eu nunca conseguir aceitar isso? Viktor me virou completamente e segurou meu rosto com as duas mãos. — Você já está aceitando. Cada dia um pouco mais. Cada vez que você geme meu nome. Cada vez que você não tenta fugir. Ele me beijou ali, no meio da mata. Devagar. Profundo. Como se quisesse gravar aquele momento. Voltamos para casa em silêncio. Mas o ar entre nós estava carregado. À noite, ele me deitou na cama e tirou minhas roupas com calma. Beijou cada parte do meu corpo como se estivesse adorando. Quando entrou em mim, foi lento e profundo. Sem pressa de acabar. — Diga que você é minha — sussurrou contra meus lábios enquanto se movia. Eu gemi, as unhas cravando nas costas dele. — Eu sou sua… O orgasmo veio forte para nós dois. Ele me abraçou depois, como se tivesse medo que eu desaparecesse. Fiquei ali, ouvindo o coração dele bater. Eu ainda não sabia se o amava. Mas sabia que estava presa nele de um jeito que ia muito além do colar. . . . Capítulo 26 – A Sombra do Passado A calmaria não durou. No quarto dia na casa isolada, o telefone de Viktor tocou pela primeira vez. Ele atendeu no escritório, a voz baixa e séria. Eu fiquei na sala, fingindo ler um livro, mas ouvindo tudo. — Quantos? … — Mantenha eles longe. Eu resolvo quando voltar. Quando ele voltou para a sala, o rosto estava tenso. — Problemas? — perguntei. Ele sentou ao meu lado e me puxou para o colo. — Alguém está testando meus limites. Acham que eu estou distraído por causa de você. Os dedos dele traçaram o colar dourado. — E estão certos. Eu toquei o peito dele. — O que você vai fazer? — Voltar em breve. Mas não sozinho. Ele me olhou com intensidade. — Quando voltarmos pra mansão, você vai ter mais liberdade. Mas com regras mais rígidas. Seguranças 24 horas. Não pode sair sem mim. Eu senti um aperto no peito. — Então a calmaria acabou. Viktor segurou meu queixo. — A calmaria nunca foi real. Foi só uma pausa. Eu sou Viktor Costa. Herdeiro de uma das maiores famílias da máfia de São Paulo. Isso nunca vai mudar. Ele me beijou com urgência. Como se precisasse lembrar a si mesmo que eu era dele. A roupa saiu rápido. Dessa vez não foi lento. Foi bruto. Necessário. Ele me tomou no sofá, forte e profundo. Cada estocada parecia uma afirmação. Uma marca. — Você é minha — rosnava contra meu pescoço. — Diga. — Sua… — gemi, as pernas ao redor dele. O orgasmo veio violento para nós dois. Ele ficou dentro de mim por longos minutos depois, abraçando-me forte. Mais tarde, deitados na cama, ele falou baixo: — Amanhã voltamos pra mansão. Quero que você esteja pronta. Lá as coisas são diferentes. Mais perigosas. Eu tracei uma tatuagem no peito dele. — E se eu não quiser voltar? Viktor apertou o abraço. — Você não tem escolha, Letícia. Mas eu prometo uma coisa. Enquanto você for minha, ninguém vai te tocar. Nem inimigo. Nem amigo. Ninguém. Fiquei em silêncio, ouvindo o coração dele. A calmaria tinha acabado. A realidade da vida dele estava voltando. E eu, contra toda a lógica, estava com medo… mas também um pouco ansiosa para ver até onde isso ia.
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