Jamal já tinha ido embora. Ele perguntou se eu queria que ele fizesse algo para a Srta Ayad. Eu disse que não. Mas eu só disse isso porque não quero que ninguém faça nada por ela, se não for eu, e é por isso que estava aqui, vendo ela chorar sobre o corpo da avó. Eu me sentia um inútil por não ter feito nada antes. Sei lá, talvez a doença dela tivesse cura ou pelo menos que retardasse a doença e ela não fosse deixando uma garota tão nova sozinha. Vejo um médico entrar e eu me afasto um pouco. Não quero que ela me veja. Não quero que ela perceba que eu estava olhando seu momento de dor. Ouço o choro dela alto no quarto e me aproximo de novo. Ela está balançando a cabeça em negação e eu não consigo ouvir direito o que o médico está dizendo para ela.
- Eu vou conseguir o dinheiro para ela ter um enterro digno. Não precisa dizer que ela será jogada em qualquer canto. Ela grita desesperada. Que médico filho da p**a. Como tem pessoas insensíveis? Me dê um dia, eu preciso de um dia. Ela diz jogada em cima do corpo da avó.
- Até amanhã a tarde o corpo tem que sair do hospital. Ele fala saindo e minha vontade é fazer ele voltar e pedir desculpas para ela pelo jeito grosso que ele fala com ela. Vejo ela chorando muito sem dizer nada. Fico ali sem silêncio.
Assim como ela, eu não dormir. Fiquei o tempo todo naquele hospital vendo ela chorar a noite toda. Eu queria ver o que ela iria fazer, porque caso ela não conseguisse o dinheiro para pagar o enterro da sua mãe, eu me intrometeria. Eu daria o dinheiro sem problemas. Vejo ela levantar e eu também faço o mesmo. Meu corpo dói por ter ficado a noite toda sentado no chão, mas isso era o de menos. Ela dar um beijo na avó e eu percebo que ela irá sair. Me afasto da porta e vejo ela toda tampada sair do quarto. Sigo a mesma.
Ela vai a pé até a casa de Lady Rosana. Eu segui ela de carro. Paro a uma distância e vejo ela entrando na casa. Com certeza ela vai pedir ajuda a Lady Rosana. Ficarei mais aliviado em Lady Rosana a ajudar. O portão é aberto por outra serviçal. A Srta Ayad entra. Fico aqui aguardando ela sair.
- Sr Sheik, o Sr Bakir está ligando tem meia hora. Um dos seguranças fala.
- Continue sem atender. Não quero que ninguém saiba onde estamos. Ele apenas assentiu e volto meu olhar para o portão. Vejo um pessoa saída e me dou conta de ser a Srta Ayad. Ela parece gesticular para alguém que não consigo ver, pois a pessoa está do portão para dentro. Ela junta as mãos em sinal de súplica, porém parece que a pessoa está irredutível. E quando acho que ela vai embora por saber que a pessoa atrás daquele portão não vai ajudá-la, ela faz uma coisa que eu abomino. Ela se ajoelha. Ninguém, pessoa nenhuma, deveria se humilhar para ninguém. Ódio me consome por Lady Rosana ou Safira serem tão baixa, tão r**m. Saio do carro sem pensar duas vezes. Vou até ela. Não quero que ela se humilhe para ninguém. Meus passos estão firmes e longos. Quero saber quem está atrás daquele portão. Chego perto e vejo a súplica da Srta Ayad.
- Por favor Srta, eu preciso do dinheiro para enterrar minha avó. Eu prometo trabalhar para pagar.
- Vai embora daqui sua imunda. Suja. Não vamos te dar nada. Escuta a voz de Safira.
- Por favor! A Srta Ayad súplica ajoelhada.
- Você é surda sua imunda. Saia daqui e minha mãe disse que é para você voltar rápido. Enterre sua avó em qualquer canto e volte ao trabalho. Meu sangue ferve vendo o quanto de desprezo é colocado na voz de Safira. Chegou minha hora de interromper essa palhaçada.
- O que está havendo aqui? Safira aparece no portão com a cabeça coberta conforme manda nossos costumes. Ela me olha com os olhos arregalados.
- Sheik. Safira diz abaixando sua cabeça em reverência. Olho para a Srta Ayad que ainda permanece agachada e ainda com a cabeça baixa.
- Levante-se Digo pegando na mão dela e fazendo a mesma se levantar. Ela não me olha. Você está bem?
- Não está acontecendo nada. Ela acabou de perder a avó e estava sentida com isso.
- Olhe para mim. Peço gentil. Ela me olha e fico impactado com os belos par de olhos que ela tem. Fico hipnotizado, pois como ela tem o rosto todo tapado, deixando somente amostra seus lindos olhos azuis. Ela deve ser de uma beleza anormal.
- Sheik, venha. Entre. Acredito que o Sr tenha vindo a pedido da minha mãe. Nem presto atenção no que Safira fala. Fico somente olhando para os olhos triste, talvez seja os olhos mais tristes que já vi na minha vida.
- Com licença, eu preciso ir. A Srta Ayad diz saindo de perto de mim. Fico olhando para onde ela vai. Pego meu celular e mando uma mensagem para os seguranças do carro de trás seguir ela. Não quero perder ela de vista.
- Sr Sheik? Safira me chama e olho para ela. Entre.
- Não quero entrar na casa de pessoas que humilham os outros. Tenho mais o que fazer. Falo virando as costas e ela me grita, mas eu não dou ouvidos. Estou mais preocupado com a Srta Ayad do que tudo.
Entrei dentro do carro e já fui pegando meu celular. Precisava achar uma funerária para pagar todos os trâmites do enterro da avó dela. Aqueles olhos azuis tristes não saem da minha cabeça.
Encontro e entro em contato dando um outro nome. Não quero esse tipo de publicidade para mim. Falo o nome da avó da Srta Ayad. Rose Ayad. Informo o hospital que ela está com a neta. Peço meu segurança um cartão de crédito dele emprestado para não dar margem ao meu nome. Ele assim me dar e eu faço todos os procedimentos. Fica acertado tudo com a funerária e também o local do enterro. Pago tudo com o cartão do meu funcionário.
Volto para casa para tomar um banho. Entro no meu apto tendo minha comitiva toda aqui.
- O que isso? Indaguei vendo todos no telefone, no Macbook.
- Você ficou louco? Estamos te procurando a horas. O Príncipe mandou gente dele te procurar. Jamal está meio desesperado.
- Como vocês podem ver eu estou bem. Só preciso de um banho. Não fico na sala para dar mais explicação do que eu fiz durante a noite e a manhã. Tiro minhas roupas e vou logo para o banheiro.
Tomo meu banho pensando na pequena Srta. Em seus olhos lindos, pois mais tristes que eles estavam, seus olhos são lindos. São de uma cor impressionantes, e por um momento eu peguei pensando em como era o rosto dela, a boca. Fechos meus olhos sentindo o meu corpo reagir aos meus pensamentos. Nunca olhei para nenhuma mulher como olhei hoje para ela.
Nunca me vi pensando no corpo, na boca e na pele de alguém, como estou pensando agora. Eu estava com uma ereção enorme. Droga. Porque isso? Porque estou pensando nela? É somente o sentimento de solidariedade por ver alguém que não tem condições sofrer tanto. Não tem nada demais nisso. Espero me acalmar para sair do chuveiro. Encosto a minha cabeça na parede tentando pensar em outra coisa que não seja na Srta olhos azuis. Mas é impossível. Sua voz doce e seus olhos estão sempre na minha mente.
Resolvo sair do banheiro mesmo com essa ereção. Tenho que enfiar a cara no trabalho para tirar meu foco dela. E por falar nela. Quero saber se meus seguranças estão ainda seguindo a mesma. Pego meu celular e ligo para um deles. Eles atendem.
- Me atualize. Peço
- Ela está atrás de alguém para ajudá-la Sr. Ela está suplicando para todos que ela encontra. Fecho meus olhos.
- Conduza ela para o hospital. Diga a mesma que você é alguém do hospital e que um rapaz da funerária já está lá para ela assinar tudo para o enterro. Que ela não precisa se preocupar, que tudo foi pago. Se ela perguntar quem fez o pagamento, diz não saber.
- Sim Sr. Mais alguma coisa?
- Acompanhe tudo. Qualquer coisa me ligue. Não ligue para Jamal e ninguém da minha assessoria, exclusivamente para mim.
- Sim Sr. Desligo.
Me arrumo para ir até o escritório. Saio e somente Jamal está na sala.
- O Príncipe quer falar com você.
- Coloque-o na linha. Pego uma xícara de chá que Zuleide colocou na bancada da cozinha para mim.
- Aqui. Jamal me passa o celular.
- Azis. Falo.
- Como você está? O que houve com você?
- Nada. Eu quero saber se já foi feito algo pela aquela província. Sou curto.
- Minha equipe olhou um lugar perto da província para fazer um novo hospital. Neste momento tudo está sendo feito para instalar as pessoas e depois que todas saírem do hospital, vamos reformar o mesmo e quem sabe assim deixar dois hospitais funcionando. Ele fala com calma.
- Ótimo. Eu tenho que ir.
- Você não quer conversar?
- Não. Tenha um bom dia! Desligo. O que eu tenho pra hoje? Pego meu terno e vou saindo com Jamal no meu encalço.
- Os petroleiros não conseguiram acalmar o Sr Omar Hassan. Ele quer falar com você. Fecho meus olhos não gostando disso, e vou gostar menos ainda se a pergunta que eu fizer for respondida com um sim.
- E você marcou com ele? Peço meio puto.
- Não. Mas ele já está no seu escritório, e disse que de lá ele não vai sair até falar com o você.
- Merda. Estou puto. As pessoas acham que podem chegar e fazer eu recebê-las? Não vão. Não funciona assim.
- O que você quer que eu faça?
- Nada. Deixa que eu dou meu recado para ele. Jamal me olha sorrindo já sabendo que essa imposição não funciona comigo. Omar Hassan, o líder dos comerciantes adora fazer umas gracinhas achando que eu vou aplaudir. Ele adora mostrar para os comerciantes que ele luta e consegue as coisas e isso deveria ser um ponto positivo para ele, mas não, ele faz isso querendo impor sua presença para os petroleiros e principalmente para mim, e como eu não sou uma pessoa facial, ele acha que pode burlar todos os trâmites para chegar a mim, hoje vou mostrar a ele que isso não vai acontecer