O irmão mais velho da minha melhor amiga

1409 Words
Bianca Quando senti aquela mão me puxando pelo braço, eu ainda estava com a cabeça quente demais pra pensar. Foi tudo muito rápido. O toque não foi forte, mas foi o suficiente pra me tirar do sério. Anos de coisa engolida, de raiva guardada, de lembrança r**m, tudo veio junto. Eu virei no mesmo segundo, sem pedir licença, sem respirar, sem pensar duas vezes. Minha mão foi sozinha. O som do tapa ecoou alto demais pro lugar elegante demais. Algumas pessoas viraram na hora. Outras fingiram que não viram. Eu só senti aquele alívio estranho, misturado com adrenalina. Era o Jhonas. Claro que era. Aquele filho da p**a não ia me deixar em paz tão cedo. Mas, dessa vez, eu não era mais a mesma Bianca de antes. A que ficava quieta. A que aceitava desculpa m*l feita. A que sempre passava pano. Ele me olhava como se eu tivesse cometido um crime. A boca dele ainda estava aberta, como se não acreditasse no que tinha acabado de acontecer. — Você ficou maluca? — ele perguntou, chocado. — Não — respondi, firme. — Eu acordei. O mais engraçado foi a cara dele. Porque, na cabeça dele, a “trouxa da Bianca” sempre faria qualquer coisa por ele. Sempre perdoaria. Sempre abaixaria a cabeça. Só que aquela Bianca tinha ficado no passado. E eu não estava nem um pouco arrependida. Ele demorou uns dois segundos pra reagir. Dois segundos longos, carregados de silêncio e de olhares curiosos ao redor. Depois disso, o Jhonas mudou completamente. O choque virou irritação. — Você perdeu a noção? — ele falou entre os dentes, dando um passo à frente. — Tá achando que pode fazer escândalo aqui? — Escândalo? — ri, sem humor nenhum. — Você me puxa pelo braço no meio de um hotel e acha normal? Ele passou a mão no rosto, claramente tentando se controlar. Aquela pose de homem calmo nunca durava muito quando ele era contrariado. — A gente precisa conversar — ele disse, com aquele tom de quem acha que manda. — Agora. — Não — respondi, simples. — Não preciso. — Bianca, para com isso — ele insistiu. — Não faz cena. — Eu não vou a lugar nenhum com você — falei, cruzando os braços. — Nem agora, nem nunca. Foi aí que ele se irritou de verdade. — Você sempre foi assim, difícil, dramática — ele começou, elevando um pouco a voz. — A gente precisa resolver o que ficou pendente. — Não ficou nada pendente — rebati. — Você resolveu tudo quando me traiu. Lembra disso ou apagou da memória seletiva? Algumas pessoas começaram a prestar atenção. Eu sentia os olhares, mas, sinceramente, não estava nem aí. Ele era o único incomodado com o espetáculo. Sempre foi. — Você não pode simplesmente aparecer aqui, me bater e sair como se estivesse certa — ele disse. — Posso sim — respondi. — Acabei de fazer isso. Antes que ele retrucasse, ouvi uma voz masculina atrás de mim. — Algum problema aqui, Bianca? Virei o rosto na hora. Era o Gael. O irmão mais velho da Gabi. Ele estava parado ao meu lado, elegante, calmo, como se tivesse acabado de chegar a um jantar normal, não no meio de uma confusão. O olhar dele passou rápido pelo Jhonas e voltou pra mim. — Cheguei atrasado, me desculpa — ele disse, naturalmente, colocando a mão na minha cintura como se aquilo fosse rotina. Eu demorei meio segundo pra entender. Mas entendi. E entrei no jogo. — Achei que você não vinha mais — respondi, me virando um pouco em direção a ele. O Jhonas ficou imóvel. — Que p***a é essa? — ele perguntou, olhando de mim pro Gael. O Gael não mudou a expressão. Nem levantou a voz. — Algum problema? — ele perguntou de novo, agora olhando diretamente pro Jhonas. — Isso não é da sua conta — o Jhonas respondeu, já visivelmente furioso. — Não se mete. Foi aí que o Gael sorriu de leve. Um sorriso curto. Controlado. — Quem tá se metendo aqui é você — ele disse, com calma demais pra ser ignorada. — Porque quem tá com a Bianca sou eu. O ar ficou pesado. O Jhonas fechou os punhos. — Você tá brincando comigo — ele falou. — Não — o Gael respondeu. — Não tô. A mão dele continuava firme na minha cintura. Não apertava. Não forçava. Era segura. Presente. O tipo de toque que dizia muita coisa sem dizer nada. — A Bianca já disse que não quer conversar — o Gael continuou. — Então o melhor que você pode fazer é respeitar isso. O Jhonas me encarou, os olhos cheios de raiva e incredulidade. — É isso mesmo? — ele perguntou, como se eu ainda devesse alguma explicação. Inclinei a cabeça de leve, sorrindo. — É — respondi. — Acabou. O Jhonas soltou uma risada curta, nervosa. — Vocês dois estão fazendo um teatro ridículo — ele disse. — Pode chamar do que quiser — o Gael respondeu. — Mas agora você vai sair. O Jhonas ficou ali mais alguns segundos, como se estivesse tentando decidir se fazia mais uma besteira. No fim, virou as costas e saiu, claramente possesso. Quando ele se afastou, só então percebi meu coração acelerado. Olhei pro Gael. — Obrigada — falei, baixo. Ele inclinou o rosto um pouco mais perto do meu. — De nada — respondeu. — Mas depois você me explica desde quando a gente namora. *** A música lenta começou a tocar e, por alguns segundos, eu fiquei meio perdida, sem saber exatamente o que fazer com as mãos, com o corpo, com a cabeça. Gael resolveu isso por mim. Ele deslizou a mão pelas minhas costas com naturalidade, me puxando com cuidado, como se a gente já tivesse feito aquilo outras vezes. Meu corpo acompanhou o dele sem esforço. Era estranho e, ao mesmo tempo, confortável demais. — Eu não sabia que você ia estar aqui — falei, tentando soar casual, enquanto a gente se movia devagar no meio da pista. Ele sorriu de leve, aquele sorriso tranquilo que parecia não se abalar com nada. — A Gabi pediu pra eu vir — respondeu. — Disse que você ia precisar de reforço. Revirei os olhos, mas sorri. — Claro que ela disse. — Eu consegui uma folga no trabalho — ele continuou. — Então achei que não custava nada aparecer. Não custava nada. Pra ele. Pra mim, custava o equilíbrio emocional inteiro. Aproximei um pouco mais o rosto do dele e abaixei a voz. — O Jhonas não para de olhar pra gente. Gael nem precisou procurar. Ele já sabia. — Eu vi — respondeu, calmo demais pra alguém no meio de uma confusão dessas. — Ele tá claramente furioso. O canto da boca do Gael se curvou num sorriso lento, quase provocador. — Quer que ele fique com raiva de verdade? Antes que eu respondesse qualquer coisa inteligente — ou prudente — ele me puxou mais pra perto. Meu corpo colou no dele, sem espaço, sem fuga, sem chance de pensar. Meu coração disparou. — Gael… — comecei, mas a palavra morreu no meio do caminho. Ele não me deu tempo. A boca dele encontrou a minha num beijo quente, decidido, como se aquela ideia já estivesse guardada há muito tempo. Não foi um beijo tímido. Também não foi apressado. Foi intenso. Seguro. Daqueles que fazem o resto do mundo desaparecer por alguns segundos. Ou minutos. Eu não saberia dizer. Minha cabeça esvaziou. O calor subiu rápido pelo meu corpo, meu rosto esquentou. Meu corpo respondendo antes da minha razão. Um arrepio bom descendo pela espinha. As pernas levemente bambas. A calcinha ficando quente demais pra eu fingir que não tinha notado. A mão dele segurou minha cintura com firmeza, como se estivesse me sustentando ali. O beijo era delicioso. Ardente. Ele tinha gosto de provocação, de desafio, de algo que não estava nos planos… e que por isso mesmo parecia perfeito. Quando ele se afastou, foi devagar. A testa ainda encostada na minha. A respiração dele um pouco mais pesada. A minha completamente fora de ritmo. Abri os olhos com dificuldade. — Uau — foi tudo o que consegui pensar, mas não dizer. Ele sorriu, daquele jeito tranquilo de novo, como se não tivesse acabado de bagunçar tudo dentro de mim. — Sempre imaginei como seria beijar você — ele disse, baixo, perto demais.
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