Bianca é a minha nova secretaria?!

901 Words
Gael Eu acordei antes do despertador tocar. Não porque estava ansioso com o trabalho. Aquilo nunca tinha sido um problema pra mim. A verdade era outra. Minha cabeça ainda estava presa naquela noite. No cheiro dela. No gosto dela. No jeito como o corpo dela se encaixava no meu, como se tivesse sido desenhado pra isso. Mas principalmente,na forma como ela gemia o meu nome. Antes disso eu não tinha uma música favorita. Agora fico ouvindo e revivendo sem parar a voz da Bianca, cansada e rouca, gemendo e pedindo mais. A virada do ano tinha sido… perfeita. Não tinha outra palavra. Levantei, fui direto para o banho e deixei a água cair quente demais, como se aquilo pudesse apagar as imagens que insistiam em voltar. Não apagou. Pelo contrário. Só trouxe mais lembranças. O riso baixo dela. O jeito como ela fechava os olhos quando se entregava a um beijo. Passei anos acordando de p*au duro por causa dela. Meus anos de faculdade foram perturbadores, eu tinha sonhos frequentes com ela me pagando um boq*uete. Eu sempre tive um desejo reprimido, eu não podia ficar com ela. Quando ela tinha 14, eu tinha 19. Eu a beijei pela primeira vez. Lembro de cada detalhe, estávamos de férias, na casa de praia da minha família, e por alguma razão, estávamos sozinhos à beira da piscina, já era noite, bem tarde, todos estavam dormindo. Nós conversamos, e eu a beijei. Foi tão natural que eu nem lembro o porquê eu simplesmente a beijei. Para mim foi incrível. Eu já estava pronto para assumir um compromisso com ela. Eu queria casar e os cara*lhos com ela. Conversei com meu pai, e ele me fez perceber que era burr*ice. Éramos novos demais, não fazia sentido querer casar com ela só porque nos beijamos. Depois a vida seguiu. Faculdade, residência, plantões intermináveis, responsabilidade demais para pensar em coisas que não cabiam no momento. Mas o desejo nunca sumiu. Ele só ficou guardado. Aquela noite tinha sido mágica justamente porque não foi planejada. Não foi prometida. Aconteceu porque precisava acontecer. E eu sabia que não ia se repetir. Mas nada poderia apagar o gosto dela da minha boca, eu faria qualquer coisa para sentir aquilo de novo. Me arrumei com calma. Camisa social bem passada, relógio no pulso, postura automática de quem aprendeu cedo a controlar tudo. Menos o que sentia. No caminho até o hospital, pensei nela de novo. No sorriso meio torto. No jeito impulsivo. Bianca sempre foi assim. Intensa. Barulhenta. O oposto de mim. Talvez por isso tenha mexido comigo desde sempre. O hospital já estava em movimento quando cheguei. Cumprimentei algumas pessoas, respondi cumprimentos rápidos e segui direto para o meu andar. Sabia que teria uma secretária nova. O RH tinha resolvido tudo sem me consultar. Era melhor assim,eu detestava entrevistas, currículos, pequenas conversas sociais. Entrei na minha sala e notei logo as mudanças. Agenda organizada. Papéis separados. Canetas alinhadas. Tudo no lugar. Sorri de canto. Quem quer que fosse, parecia eficiente. Deixei a pasta na mesa e resolvi buscar um café antes de começar o dia de verdade. Precisava acordar o corpo. A mente já estava desperta demais. Quando voltei, senti antes de ver. O cheiro. Meu corpo reagiu no mesmo instante. Não fazia sentido. Eu ainda estava longe demais da porta. Mesmo assim, aquele perfume… era familiar demais. Um cheiro que eu tinha respirado poucos dias antes. Um cheiro que não devia estar ali. Entrei. Ela estava de costas, mexendo em alguns papéis, completamente concentrada. O cabelo preso de um jeito simples. A postura reta. O mesmo jeito de sempre. Meu coração acelerou. — Posso te ajudar? A voz saiu automática. Ela virou devagar. E o mundo deu uma leve inclinada. — Gael…? Sorri sem conseguir evitar. — Bianca? — falei, incrédulo. — O que você está fazendo aqui? Ela sorriu também, visivelmente nervosa, e se aproximou. A gente se cumprimentou com um beijo no rosto, rápido demais pra quem tinha feito o que fez dias antes. — Eu trabalho aqui agora — ela disse. Arqueei a sobrancelha. — Trabalha aqui? — Perguntei sem acreditar. — Trabalho — confirmou. — E você? Eu ri baixo. — Eu também. Ela franziu a testa. — Mas… — apontou em volta. — Por que você está na sala do doutor Soares? Inclinei um pouco a cabeça. — Porque eu sou o doutor Soares. O rosto dela perdeu a cor. — Não pode ser — ela murmurou. — Pode — respondi, me divertindo demais pra disfarçar. — Mas… — ela engoliu em seco. — Eu sou a nova secretária do doutor Soares. Estendi a mão pra ela, formal, mesmo com o sorriso entregando tudo. — Seja bem-vinda, então. Ela ficou parada por um segundo, como se o cérebro estivesse tentando acompanhar o corpo. — Eu… eu só vim deixar a agenda — disse rápido. — Já comecei a organizar tudo. — Obrigado — respondi. Ela assentiu, virou rápido e saiu da sala. Assim que a porta se fechou, eu soltei o ar que nem sabia que estava segurando. Sentei na cadeira e ri sozinho. Não consegui conter o sorriso. Bianca. A garota que perturbou a minha adolescência. A garota que me fez acordar por anos de p*au duro. Agora era minha secretária. Passei a mão no rosto, ainda sorrindo. E um único pensamento passou pela minha cabeça. Preciso levar ela para cama de novo!
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