Bianca
Se ainda mais a adrenalina.
Gael aumentou o ritmo me levando ao segundo or*gasmo. Ainda mais violento que o primeiro.
Mas ele não parou,era a vez dele. Gael foi mais forte, e mais rápido, as nossas respirações estavam curtas, meu coração acelerado e o prazer no segundo orga*smo estava sendo prolongado.
Até que ele go*zou, e parou com uma última estocada profunda.
Nós ficamos parados por um tempo, eu conseguia sentia o seu p*au latejar dentro de mim.
Ele se abaixou e beijou meu pescoço, mordiscando a pele sensível.
— Bia.— Gael me chamou, após sair de cima de mim e deitar ao meu lado.
— Sim?— Respondi virando o corpo para ele.
— Você usa anticoncepcional?— Ele perguntou sem fazer muitas voltas.
— Não. Mas tenho um Diu de cobre.— respondi sincera.
— Que bom! — ele exclamou respirando aliviado.
—Uau.— falei.
Gael me olhou um pouco atento.
— Quer dizer, não é que eu não queira ter um filho com você, nem nada do tipo, mas…
— O que?— perguntei
— O que? — Gael me olhou assustado.
— Acho que não entendi que o você quis dizer.
— Eu? Eu… é… você quer tomar banho? Podemos entrar na banheira. Se você quiser, ou uma chuveirada, quem sabe. — ele rapidamente mudou de assunto.
Depois dali, nós fomos tomar um banho juntos. Nada cinematográfico, nada exagerado. Um banho frio, quase estratégico, como se a água servisse para esfriar não só o corpo, mas a cabeça também. A gente ficou ali, dividindo o espaço pequeno, trocando carícias leves, toques cuidadosos, mais silêncio do que palavras.
Eu sabia. Desde o início eu já sabia.
Ficar com o Gael era uma dessas coisas que acontecem uma vez e ficam guardadas numa caixa chamada não se repete. Não porque tivesse sido r**m — muito pelo contrário — mas porque algumas histórias simplesmente não foram feitas para virar rotina.
Nós éramos diferentes demais.
Além disso, Gael e eu praticamente crescemos juntos. Ele sempre esteve ali, participando sem querer da minha vida por causa da Gabi. Sempre foi uma pessoa séria demais, fechado demais, responsável demais. A gente conversou poucas vezes,acredito que pela diferença de idade, mesmo sendo pouca,quando me tornei amiga da Gabi, nós tínhamos 10 anos, e o Gael já tinha 15 anos. Ele já era adolecente, então não tivemos tempo para sermos amigos.
Ele sempre teve aquele jeito contido.
E eu sempre fui mais escandalosa.
Sempre fomos muito diferentes.
Enquanto a água escorria pelo meu corpo, eu pensei que talvez aquilo fosse exatamente o motivo de ter sido tão intenso. Justamente por não ter promessa nenhuma.
E, sem querer, uma lembrança antiga apareceu.
Quando eu tinha quatorze anos, tive uma quedinha boba por ele. Nada dramático. Nada profundo. Aquela coisa típica de adolescente: o irmão da melhor amiga, mais velho, mais seguro, com aquele ar de quem já sabia coisas demais sobre o mundo.
Foi com ele que aconteceu meu primeiro beijo.
Nada de conto de fadas. Nada de filme. Só um momento rápido, meio sem jeito, guardado na memória como algo que foi bonito porque foi simples.
Depois disso, a vida seguiu.
Gael saiu da cidade primeiro, foi estudar medicina, e eu continuei ali, vivendo outras coisas, outros amores, outros erros. Aquela paixonite acabou do mesmo jeito que começou: em silêncio.
E agora, anos depois, a gente estava ali. Adultos. Diferentes.
***
Voltar para São Paulo foi mais silencioso do que eu imaginava.
Não teve drama. Não teve choro. Não teve aquela sensação de “não devia ter ido”. Pelo contrário. Eu não me arrependia nem um pouco da viagem. Precisava daquilo. Precisava fechar algumas portas, mesmo sabendo que isso significava deixar outras entreabertas.
Arrumei minhas coisas com calma, como quem não está fugindo, apenas seguindo em frente. Minha mãe me observava da porta do quarto, em silêncio, daquele jeito dela que dizia muita coisa sem dizer nada.
— Já vai? — ela perguntou, por fim.
— Já — respondi.
Ela assentiu, se aproximou e me abraçou. Não foi um abraço longo, nem carregado de culpa ou desculpas. Foi simples. Um abraço de quem aceita o tempo do outro.
— Não some tanto — ela disse.
— Vou tentar — respondi, sabendo que demoraria para voltar.
E eu sabia mesmo. Aquela cidade já não era mais minha. Não do jeito que um dia foi.
A despedida foi rápida. Um beijo no rosto, uma promessa vaga de ligação e pronto. Entrei no ônibus com uma sensação estranha de encerramento. Não tristeza. Encerramento mesmo.
A estrada parecia mais curta dessa vez. Talvez porque minha cabeça estivesse cheia demais. Eu dormi um pouco, acordei outro tanto, observei as pessoas ao redor, todas vivendo suas próprias histórias, completamente alheias à minha.
Quando São Paulo surgiu no horizonte, senti aquele alívio familiar. Barulho. Pressa. Movimento. Tudo em excesso. Do jeito que eu gostava.
Minha vida estava indo bem. Não perfeita. Mas bem.
Eu tinha um emprego novo começando. Um salário decente. Um pequeno apartamento alugado que finalmente parecia meu. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não estava tentando provar nada pra ninguém.
Na manhã seguinte, acordei antes do despertador tocar.
O dia estava claro demais, como se a cidade soubesse que algo importante ia acontecer. Levantei da cama com o coração acelerado, não de nervoso, mas de expectativa. Tomei banho, me arrumei com cuidado, escolhendo uma roupa profissional, simples, mas que me fazia sentir segura.
Hoje era o grande dia.
O primeiro dia como secretária do médico chefe do melhor hospital particular da cidade.
Respirei fundo antes de sair de casa.
— Vai dar certo — falei pra mim mesma, no espelho.
O hospital era ainda mais imponente por dentro. Tudo limpo demais, organizado demais, gente andando rápido demais. Fui direto ao setor de Recursos Humanos, onde me receberam com sorrisos treinados e instruções claras.
Assinei papéis. Recebi crachá. Ouvi regras. Peguei informações.
Em menos de uma hora, eu já estava sentada na minha mesa.
Minha mesa.
Organizei tudo com atenção. Agenda aberta. Computador ligado. Comecei a revisar os compromissos do médico chefe, marcar horários, confirmar reuniões, responder e-mails. Era muita coisa, mas eu gostava disso. Da sensação de controle. De utilidade.
Estava concentrada quando senti vontade de ir ao banheiro.
Levantei, ajeitei o crachá no pescoço e segui pelo corredor silencioso. Na volta, notei algo que não tinha reparado antes.
A porta do escritório dele estava aberta.
Parei por um segundo.
Era estranho. Achei que ele já estivesse no hospital. Bati levemente com os nós dos dedos na madeira.
— Com licença?
Silêncio.
Espiei para dentro. O escritório era grande, elegante, com janelas enormes e uma mesa impecável. Não vi ninguém.
— Deve estar em alguma reunião — murmurei, entrando só um pouco para deixar um aviso sobre a agenda.
Foi quando ouvi a voz.
— Posso te ajudar?
Meu corpo inteiro reagiu.
Eu congelei.
O coração disparou. Um arrepio subiu pela minha espinha. Aquela voz… eu conhecia. Conhecia demais. Familiar demais para ser coincidência.
Minhas mãos ficaram geladas. Eu não me virei.