Capítulo 18

950 Words
Bella Ao chegar em casa após passar a tarde na casa da Giulia, senti um misto de alívio e apreensão. Estava exausta da divertida tarde com minha amiga, mas sabia que teria algumas explicações para dar à minha avó. Assim que comecei a subir as escadas em direção ao meu quarto, ouvi a voz dela chamando meu nome da sala. ― Bella, onde você estava a tarde toda? ― Sua voz soou firme, carregada de preocupação. Parei no meio da escada, olhando para baixo para encontrá-la parada, com uma expressão séria no rosto. Engoli em seco, sabendo que essa conversa era inevitável. ― Desculpe, vó. ― respondi, tentando manter a calma. ―Eu estava na casa da Giulia. Nós passamos a tarde lá. Minha avó franziu o cenho, como se estivesse processando a informação. ― Você deveria ter me avisado, Bella. Fiquei preocupada. E se algo tivesse acontecido? Senti um peso no peito ao ver a preocupação nos olhos dela. Minha avó sempre fora superprotetora desde que me trouxe para morar com ela em Taormina, após a morte dos meus pais. Ela queria me proteger de tudo, especialmente dos perigos que ela via no mundo. ―Eu sei, vó. Desculpe por não ter avisado. ― murmurei, descendo os degraus para ficar ao seu lado na sala. Ela suspirou, olhando para mim com uma mistura de compaixão e autoridade. ―Bella, entenda que só me preocupo com você. Você é tudo o que tenho desde que perdi sua mãe, e não quero perder você também. ― A senhora não vai me perder. Estava na casa da minha amiga. Não sou mais criança, tenho dezoito anos. ― exclamei. Aquilo estava me enchendo. ― Eu sei me virar! Não precisa ficar nessa preocupação toda. Licença que vou para o meu quarto… ― Estava me virando para subir para ir para o meu quarto, quando sinto alguém me puxar que quase perco o equilíbrio. Me fazendo virar e é a minha avó que estava me puxando. Eu senti um arrepio percorrer minha espinha quando minha avó agarrou meu braço com firmeza, sua voz elevada ecoando pela sala. Seus olhos, normalmente calmos e amorosos, estavam agora carregados de uma intensa preocupação e ansiedade. O aperto em meu braço era uma mistura de proteção e desespero, e isso me assustou profundamente. ―Você vai me obedecer enquanto estiver morando aqui! Já perdi sua mãe e não vou perder você também por conta dos negócios do seu pai! Suas palavras foram como um soco no estômago. Eu nunca tinha visto minha avó tão fora de controle, tão temerosa. Sua preocupação era compreensível até certo ponto, mas aquilo estava ultrapassando os limites do razoável. ― Vó, por favor, ― murmurei, tentando soltar meu braço de sua forte pegada. ― Você está me machucando. Ela pareceu acordar de um transe, soltando meu braço e recuando um passo, como se de repente percebesse o que estava fazendo. ― Desculpe, querida, ― disse ela, sua voz agora suavizada pelo remorso. ― Eu só... às vezes eu fico com tanto medo de te perder também. A sinceridade em seus olhos partiu meu coração. Eu sabia que minha avó ainda sofria com a perda de minha mãe, sua filha, e que a responsabilidade de cuidar de mim era um fardo que ela carregava com amor, mas também com medo. ― Eu entendo, vó, ― respondi, tentando acalmar os ânimos. ―Mas eu só quero saber a verdade. Sobre meus pais, sobre o que aconteceu em Palermo. Eu não posso ignorar isso. Ela suspirou profundamente, sentando-se no sofá e me convidando a sentar ao seu lado. ― Bella, você não entende... Palermo é perigoso. Há coisas que você não sabe, coisas que podem te colocar em perigo. Eu a encarei com determinação. ― Mas eu preciso saber, vó. Não posso viver uma mentira, fingindo que não há um mistério a ser resolvido sobre meus próprios pais. Ela abaixou a cabeça por um momento, como se estivesse lutando internamente com seus próprios medos e desejos de proteção. ― Eu só quero te manter segura, Bella. Seu pai estava envolvido em muitas coisas complicadas, e... eu temo que você possa acabar indo pelo mesmo caminho. Eu estava atônita. Meu pai, cuja imagem eu m*l conseguia lembrar, estava ligado a segredos obscuros que minha avó parecia tão determinada a esconder de mim. ― Vó, você sabe algo sobre o que aconteceu com eles, não é? ― perguntei, minha voz agora um sussurro carregado de esperança e medo. Ela olhou para mim, seus olhos refletindo um misto de tristeza e relutância. ― Eu sei mais do que gostaria, Bella, ― admitiu ela. ― Mas algumas coisas devem permanecer enterradas no passado. Às vezes, a verdade pode ser mais perigosa do que a mentira. Eu engoli em seco, sentindo meu coração se apertar com a complexidade da situação. Eu queria a verdade mais do que tudo, mas agora eu temia as consequências de desenterrar os segredos que minha avó parecia tão decidida a esconder. ― Vó, por favor, ― implorei, segurando suas mãos. ― Eu prometo ser cuidadosa. Só preciso saber. Ela me olhou com uma tristeza profunda, seu rosto marcado pela vida e pelas perdas que ela enfrentava. ― Eu te amo, Bella. Mais do que qualquer coisa nesse mundo, ― disse ela, sua voz embargada pela emoção. ―Prometa-me que será cuidadosa. Eu a abracei com força, sentindo o peso da promessa que acabara de fazer. Sabia que minha jornada em busca da verdade seria difícil e perigosa, mas eu estava determinada a descobrir o que realmente acontecera com meus pais, custasse o que custasse. ―Eu prometo, vó, ― sussurrei. ―Eu vou descobrir a verdade.
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