Capítulo 17

885 Words
Bella Hoje não tive aula na faculdade, por isso que estava aqui na minha cama. Ainda estava na cama, revirando na minha mente a conversa que tive com a minha avó na noite anterior. As palavras dela ecoavam, misturando-se com as minhas próprias frustrações e determinações. O cheiro suave do incenso da igreja ainda estava presente no ar do meu quarto, como se trouxesse consigo todas as expectativas e preocupações que minha avó tinha por mim. Ela sempre foi uma figura forte na minha vida, especialmente desde que meus pais partiram. Seu desejo de me proteger era palpável, mas às vezes parecia sufocante. Olhando para o teto, eu me perguntava como poderia conciliar minha busca pela verdade sobre meus pais com a preocupação legítima da minha avó. Era difícil para ela entender a intensidade da minha necessidade de respostas. Os segredos e mistérios que envolviam a morte deles nunca me deixaram em paz. Me levantei e fui até a janela, observando a luz da manhã iluminando as ruas tranquilas de Taormina. Esta cidade, para minha avó, representava um novo começo, um lugar para deixar para trás os fantasmas do passado. Mas, para mim, era como se Palermo continuasse a me chamar, sussurrando enigmas não resolvidos. Suspirei, sentindo o peso da responsabilidade sobre meus ombros. Minha avó tinha razão em se preocupar com a segurança, mas eu não podia simplesmente desistir da busca pela verdade. A morte dos meus pais não era apenas uma lembrança distante, era uma ferida aberta que nunca cicatrizaram até que eu soubesse o que realmente aconteceu. Eu me perguntei se havia alguma maneira de conciliar essas duas necessidades aparentemente opostas. Poderia eu encontrar uma forma de honrar a memória dos meus pais sem colocar minha vida em risco? Enquanto contemplava essa questão, a imagem de Giulia veio à minha mente. Ela sempre foi uma voz de razão e apoio. Decidi que precisava falar com Giulia. Ela entenderia minha busca por respostas, mas também poderia me ajudar a enxergar além da minha própria angústia. Peguei meu celular e disquei o número dela, esperando ansiosamente que ela atendesse. — Alô? — A voz animada de Giulia soou do outro lado da linha. — Giulia, sou eu, Bella. — Minha voz soava mais séria do que eu pretendia. — Bella, tudo bem? Aconteceu alguma coisa? — Sua preocupação era palpável. — Na verdade, sim. Posso passar aí mais tarde? Preciso conversar. — Minhas palavras saíram apressadas, impulsionadas pelo desejo de compartilhar minhas inquietações. — Claro, Bella. Estarei em casa o dia todo. Venha quando quiser. Desliguei o telefone, sentindo-me um pouco mais leve por ter decidido buscar conselho. Giulia sempre tinha um jeito de trazer clareza para as situações mais confusas. Enquanto me arrumava para o dia, uma nova determinação cresceu dentro de mim. Eu não podia desistir da minha busca pela verdade, mas precisava encontrar uma maneira de seguir em frente sem colocar tudo o que tinha em risco. Saí de casa com um novo propósito, sabendo que, com a ajuda de Giulia e minha própria determinação, eu encontraria um caminho que me levaria mais perto das respostas que tanto buscava. *** Acabei de chegar em casa da minha amiga, ela estava me esperando na varanda. Fui entrando e me recebeu com um sorriso, mas notou meu semblante preocupado. ― O que foi Bella, que cara é essa? ― Ela perguntou, enquanto estávamos indo para uma poltrona que tinha ali na varanda. Respiro fundo e olho para minha amiga. Precisava desabafar, não estava mais aguentando. Essa angústia está me matando. ― Sabe o que é Giulia, ontem briguei feio com a minha avó… ― Sobre você descobrir quem matou seus pais lá em Palermo? ― Giulia perguntou, com um olhar sério. Sacudi a cabeça que sim, sentindo um nó se formar na garganta. Era difícil falar sobre isso, mas Giulia sempre foi alguém em quem eu confiava. ― Sim, Giulia. É algo que preciso fazer. Não posso mais ignorar. Giulia assentiu, sua expressão mostrando compreensão. ― Eu entendo, Bella. É uma busca importante para você, mas também é perigosa. Você sabe disso, não é? Eu assenti, sentindo o peso da realidade sobre mim. ― Sim, sei dos riscos. Mas preciso saber a verdade. Não posso descansar até encontrar quem fez isso com eles. Giulia colocou a mão sobre meu ombro, transmitindo apoio. ― Estou aqui para te ajudar, Bella. Mas não faça nada que coloque sua vida em perigo, por favor. Sei que precisa encontrar resposta, mas precisa fazer isso com cuidado. Agradeci silenciosamente por ter alguém como Giulia ao meu lado. ― Eu prometo, Giulia. Vou tomar cuidado. Mas não posso desistir disso. — Bella será que não tem alguém, conhecido ou um colega que trabalhou com seu pai pra você saber o que aconteceu com ele? — Minha amiga indagou. Fiquei pensando se tinha alguém e me lembrei do homem que apareceu no enterro dos meus pais. — Pra falar a verdade acho que tem sim. Ele disse que é tá um grande amigo do meu pai. — Comentei. — Então, você tem que falar com esse cara, Bella. Com ele você vai achar as respostas que está procurando. — Ela disse. E fiquei pensando, ela pode está certa. Tenho que procurar esse homem para conseguir as respostas que tanto preciso.
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