Bella
Estávamos no shopping, eu e minha amiga Giulia, tomando sorvete e curtindo um momento de descontração. Contei a ela sobre o que minha avó havia feito, me obrigando a ir para a igreja. Giulia soltou uma risada, achando a situação um tanto inusitada.
― Sério, Bella? Tua avó te força a ir para a igreja? ― Ela riu, balançando a cabeça. ― Isso é meio inesperado vindo dela.
Balancei a cabeça, concordando com Giulia. ― Eu sei, parece que ela enlouqueceu de vez. Eu só quero continuar a busca, descobrir o que aconteceu com meus pais.
Giulia me olhou com compreensão, parando de rir. ― Entendo, Bella. É uma situação complicada, mas você vai dar um jeito. Você é uma das pessoas mais determinadas que conheço.
Um sorriso se espalhou pelo meu rosto. ― Obrigada, Giulia. Isso significa muito para mim.
Depois de uma tarde divertida com Giulia no shopping, finalmente voltei para casa. O sol estava começando a se pôr, e eu sabia que minha avó provavelmente estava preocupada comigo. Eu sabia que tinha algumas explicações a dar a ela.
Quando entrei em casa, encontrei minha avó na sala, sentada em sua poltrona de balanço, com um olhar preocupado. Ela se levantou assim que me viu e se aproximou de mim.
― Bella, onde você estava? ― ela perguntou com uma expressão séria.
Suspirei, sabendo que não podia mais evitar essa conversa.
― Eu estava no shopping com a Giulia, vó. Nós só saímos para tomar um sorvete e dar uma volta.
Minha avó parecia aliviada por eu estar segura, mas ainda havia um traço de preocupação em seu rosto.
―Você não deveria ter me avisado antes de sair. Eu fiquei preocupada.
Eu sabia que ela estava certa, e me senti culpada por tê-la deixado preocupada. ― Desculpa, vó. Eu sei que deveria ter avisado. Eu só não pensei que demoraria tanto.
Ela assentiu, mas ainda tinha algo em mente.
― Bella, há algo que você precisa me contar? Alguma novidade, talvez?
Engoli em seco, sabendo que ela estava se referindo à nossa conversa anterior sobre a igreja.
―Na verdade, sim, vó. Eu contei para a Giulia sobre a igreja e... ela achou meio engraçado.
Minha avó franziu a testa.
― Engraçado? Isso não é um assunto para se brincar, Bella. Eu disse a você que é importante.
Eu me senti um pouco desconfortável com a repreensão da minha avó.
― Eu sei, vó. Mas eu só estava desabafando com a Giulia, e não pensei que ela fosse levar a sério.
Minha avó suspirou e colocou a mão no meu ombro.
―Eu sei que você está passando por um momento difícil, querida. Mas a igreja é o nosso refúgio, um lugar de paz e esperança. Eu só quero o melhor para você, e acredito que encontrar essa paz pode ajudar.
Eu a abracei, sentindo o amor e a preocupação dela.
― Eu sei, vó. Eu prometo que vou tentar entender melhor.
Ela sorriu e acariciou meu rosto.
― Isso é tudo que peço, Bella. Agora, vá se arrumar para o jantar. Sua avó fez sua comida favorita.
Sorri, grata por ter uma avó tão carinhosa, e fui para o meu quarto para me arrumar. A conversa com Giulia me ajudou a ver as coisas de uma perspectiva diferente, e eu estava disposta a dar uma chance à igreja, pelo menos para minha avó.
***
O cheiro suave de incenso ainda pairava no ar quando eu e minha avó voltamos da igreja. A sensação de estar naquele lugar sagrado era reconfortante, mas, ao mesmo tempo, minha mente estava tumultuada com pensamentos rebeldes. Assim que entramos em casa, senti a urgência de compartilhar minha decisão com minha avó.
― Vó, eu não quero mais ir para a igreja - anunciei, decidida. ― Eu sei que você acredita que é importante, mas não sinto que isso está me ajudando.
Minha avó olhou para mim, seus olhos expressando uma mistura de desapontamento e preocupação.
― Bella, a igreja é um lugar de paz. Você precisa disso, especialmente agora.
Balancei a cabeça, discordando.
― Eu entendo, vó, mas não é lá que vou encontrar as respostas que procuro. Eu preciso voltar para Palermo, descobrir mais sobre a morte dos meus pais. Não posso simplesmente esquecer.
Ela suspirou, como se soubesse que essa conversa seria difícil.
― Querida, eu sei que a verdade é importante para você, mas Palermo é perigoso. Não posso deixar você voltar para lá. Trouxemos você para Taormina para recomeçar, para deixar o passado para trás.
A frustração crescia dentro de mim.
― Mas, vó, não é justo! Eu mereço saber a verdade sobre meus pais. Eles eram minha família, e algo obscuro aconteceu. Não posso ignorar isso.
Minha avó colocou as mãos ternamente sobre meus ombros.
― Eu entendo sua dor, Bella, mais do que imagina. Perder minha filha, sua mãe, foi a maior dor que já senti. Mas a vida continua, e precisamos encontrar maneiras de seguir em frente.
Respirei fundo, tentando controlar a raiva que surgia.
― Eu não quero apenas seguir em frente, vó. Quero justiça para meus pais. Preciso saber por que eles foram tirados de mim.
Ela me abraçou, apertando-me com carinho.
― Eu sei, querida. Mas precisamos encontrar um caminho que não envolva mais dor e perigo. Há outros modos de honrar a memória deles.
Fiquei em silêncio por um momento, refletindo sobre as palavras da minha avó. Embora entendesse sua preocupação, a necessidade de descobrir a verdade ainda queimava em mim.
― Vó, não posso prometer esquecer Palermo. Preciso descobrir a verdade, mesmo que isso signifique enfrentar o perigo. Eu não vou desistir.