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Annabel Narrando
Quando voltei para minha sala, dei graças a Deus por ela estar vazia. Nina e suas amigas não se encontravam mais ali. Agradeci aos céus por esse presente, mas vou ficar esperta, pois tenho certeza de que essas mulheres vão aprontar. Afinal, todas desejam meu noivo, e quem não desejaria? Um homem robusto e musculoso, com cabelos loiros, lábios carnudos e aqueles olhos verdes penetrantes.
Gente, lembrando dos lábios, que boquinha esse homem tem! Mesmo sendo virgem, consigo imaginar a boquinha dele em vários lugares meus. Que delícia, só de imaginar fico toda molhadinha. Fui tirada dos meus pensamentos pervertidos quando vi que sobre a minha mesa havia alguns documentos e, junto com eles, um bilhete. Fui até ali para ver do que se tratava.
"Quero tudo isso pronto ainda hoje. Não me faça perder a paciência com você. Espero que saiba o que está fazendo ou está aqui só porque é noiva do chefe?"
Sabia que esse bilhete era de Nina e senti ainda mais raiva dessa mulher. Nunca vi alguém que, obviamente, não tem bens querer se sentir uma deusa. Coisa mais ridícula.
Fui logo fazer o que precisava para não perder tempo. Abri meu computador e comecei a trabalhar. Eu sabia exatamente o que estava fazendo; era formada em administração e planejamento em planilhas, sendo a melhor da minha turma! Todos achavam que, só porque eu era do campo, não tinha estudos ou conhecimento em nada. m*l sabiam que eu já havia viajado pelo mundo e até feito negócios nele.
Minha grande paixão era a moda e até rendeu uma grande empresa multimilionária: meu ateliê de roupas exclusivas. Mas ninguém sabia que esse negócio pertencia a mim, nem mesmo minha família, pois eu usava outro nome e nem aparecia para entrevistas ou eventos para que o mistério do grande estilista continuasse.
Estava trabalhando muito bem e rapidamente. Nina acreditou que colocando muitas planilhas seria algo r**m, mas ao contrário, eu adorava um bom desafio e era ágil no que fazia. Já estava com o último dos documentos em mãos quando alguém me chamou e fez com que eu perdesse a concentração.
Olhei para cima e vi aquele homem olhando para mim e, sem perceber, dei um grande sorriso ao vê-lo.
— Vamos almoçar? Vejo que está com muito trabalho! — Rupert falou.
— Sim, vamos, estou com muita fome! — falei, levantando animada como uma criança.
Rupert pegou minha mão e saímos daquela sala como um casal verdadeiro.
Nina viu todo o ocorrido e ficou morrendo de ódio ao ver o que estava acontecendo.
Claro, vou converter este trecho para a primeira pessoa e ajustar os diálogos com travessões.
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Nina Narrando
A cena que vi foi algo inacreditável: um homem elegante e lindo como Rupert se sujeitara a ter uma mulherzinha ao seu lado. Quando tem opções muito melhores próximas dele. Sempre fui discreta com meu amor por Rupert, mas não imaginava que chegaria uma qualquer e o roubaria de mim. Acreditava que estava mais perto do que nunca de conquistá-lo, mas agora parece que tudo está indo por água abaixo por causa desta maldita caipira.
— Ela não perde por esperar, vou fazer da vida dela um inferno. Ela não merece Rupert... — falei entre dentes para Berenice, que olhava tudo quieta.
— Ai, que ódio desta caipira ridícula! — gritei, e todos olhavam para mim com cara de espanto.
Não consigo conter meu ataque de ódio e não estou me importando com ninguém me olhando. Nunca irei aceitar isso. Se Rupert não for meu, não deixarei ninguém tê-lo ao seu lado.
— Fica calma, Nina, por favor. Você está fazendo o maior escândalo. Estão todos olhando você! — disse Berenice, enquanto me puxava para dentro de uma sala.
— Como vou ficar calma? — falei, chorando para Berenice, que tentava me consolar. — Ele tinha que ser meu, Berenice! Você não entende...
Berenice ficou me consolando naquele momento, pois não entendia bem o motivo de eu ficar tão m*l por conta do Senhor Benton, já que nunca tivemos nenhuma relação amorosa! Claro que ela não achava Annabel a candidata perfeita, pois não era uma mulher refinada para Rupert, mas não podia fazer nada se ele concordou em ficar com uma caipira.
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RUPERT NARRANDO
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O almoço com Annabel foi perfeito, nem parecia que eu era aquele homem frio e calculista que ela havia conhecido. Annabel estava admirada com o carinho e paciência com que eu a estava tratando. Será que este casamento poderia acontecer e dar certo? Não podia negar, Annabel era uma mulher muito atraente e chamava a atenção de qualquer homem.
Será que eu também me renderia aos seus encantos? Talvez já estivesse balançado por ela, pensando no beijo que havíamos dado. Isso não saía da minha cabeça, e eu imaginava até muito mais com ela. A sensação de ter seu corpo colado ao meu na outra noite foi algo extremamente agradável.
Continua...
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