cap 04 que tipo de homens estou criando

867 Words
Lobo Foi só ouvir a voz do meu pai chamando meu nome e o do meu irmão que eu soube que o bagulho ia ficar doido. Eu não tinha avisado que ia sair, isso já era motivo de sobra pra ele ficar putão. Mas achei que ele não ia voltar pra casa a tempo de notar nossa falta, pô. Tava ligado que ele ia ficar mais puto ainda com o fato de a gente ter roubado a moto dele. O Matheus me olhou nervoso. A missão de domar a fera geralmente era minha mesmo. A Isa abriu a porta e o portão, mas meu pai continuou parado do lado de fora. Então eu e o Matheus saímos da sala e fomos pra perto do coroa. O Barbosa tava logo atrás e negou com a cabeça, me encarando. O mano era faixa, sempre me instruía no bagulho, porque sabia que depois do meu pai, quem ia assumir o Alemão era eu. Eu me amarrava nessa fita, mas sabia que nem tudo seria curtição, então tentava levar a parada a sério. Barão: — Oi, seus arrombado — falou, ainda de cara fechada, braços cruzados e respirando fundo. Falcão: — Oi, pai. Barão: — Pai... eu acho engraçado ouvir vocês me chamando assim, pô. Achei que fossem filhos de chocadeira — debochou. Ele perdeu a paciência e avançou um passo na nossa direção. — Vão tomar no cu, os dois. Cês tão achando que o pai de vocês é o quê? O papa? Não tem ninguém querendo a cabeça de vocês, né? Tá tudo mec, tranquilidade. Podem sair pra pista na maior segurança, sem avisar, com a p***a da minha moto, que não vai dar caô nenhum! Lobo: — Tô ligado que tu tá puto, eu entendo... — Ele me cortou. Barão: — Eu mandei tu falar alguma parada, Gabriel? — me calei na hora, negando com a cabeça. — O cara tenta ser maneiro com vocês dois e só se fode. Quem que foi o dono dessa ideia de merda? A Isabela pigarreou, aparecendo bem do meu lado. Isabela: — Oi, Barão. — Meu pai franziu o cenho e encarou ela de cima a baixo, sem perder tempo. Mas a Isa tava toda coberta por roupa larga, nem tinha o que ele secar. — A ideia foi minha. Eu tava com muita saudade, voltei pro Rio há pouco tempo e pedi pro Matheus vir me ver. Ele pediu ajuda do Gabriel e os dois vieram. Barão: — Satisfação, com todo respeito, mas a maior cara que tu não dá sinal de vida. Ouvi meu moleque reclamando por uma pá de hora que tu sumiu no mundo, e aí quando aparece é pra ajudar eles a fazer merda? — descruzou os braços, passando as mãos no rosto. — Tu nem precisava ter voltado, se fosse pra isso. Isabela: — Tô ligada. Por isso insisti tanto pro Matheus vir até aqui. Meu pai sorriu de lado, negando com a cabeça, encarando eu e o Matheus. Barão: — Valeu a tentativa de livrar o cu desses dois, Isabela. Mas eu tô bem ligado que eles caçam confusão sozinhos, não precisam da tua ajuda pra isso. — Ela ia falar de novo, mas ele não deixou. — Que p***a de homem eu tô ensinando vocês a ser, que se esconde atrás de mulher pra se defender? Lobo: — Nós vai poder falar agora? — perguntei. Barão: — Só abre a boca se for pra soltar verdade. Falcão: — Fui eu — admitiu. — Meio que foi nós dois. Eu tava querendo ver a Isa, o Gabriel me ajudou com as paradas e trouxe a gente pra cá, se ligou? Barão: — Me liguei. — Concordou com a cabeça, depois meteu um chutão na minha perna e um tapa na orelha do Matheus. Nós dois reclamamos pra c*****o, mas tava ligado que com o Barão nem tinha papo: era ficar quieto ou ficar quieto. — Da próxima vez vocês avisam pra alguém antes de sair assim. Os alemão tão com a cara de vocês marcada, tudo pronto pra me atingir. Vocês tão achando que é brincadeira, né? Posso até sair como chato e o c*****o, mas não ligo, p***a. Prefiro morrer falando esses bagulho pros dois do que encontrar um de vocês na vala! Falcão: — A gente tá ligado que vacilou. Foi m*l, pai. Lobo: — É, pô. Pensa que nós tá bem aqui. Não era nada demais. Isabela: — Eu até convidaria todos vocês pra entrar, mas a casa tá uma bagunça e eu tenho várias coisas pra resolver da mudança. A gente pode marcar outro dia, não pode? — perguntou, olhando pro Matheus. Ele tava tristão, mas concordou. Falcão: — Tu vai dar um jeito de me chamar? Isabela: — Vem depois de amanhã, mais ou menos nesse horário. — Olhou pra mim. — Vem também, Gabi. Eu concordei. A Isa abraçou meu irmão por um tempo e depois veio me abraçar também. Nós nos despedimos, meu pai mandou a gente ir no carro com ele e o Barbosa levar a moto. A volta pro morro foi só ouvindo sermão. Quando chegamos em casa, minha cabeça já tava doendo pra c*****o.
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