cap 05 me deixa ir

918 Words
Isabela Ver o Matheus e o Gabriel provavelmente tinha sido a minha única felicidade nos últimos meses. Tanto que, depois da saída deles, a única coisa que consegui fazer foi tomar um banho, trocar de roupa e ir dormir um pouco. Fazia dias que eu não dormia direito, e a presença deles me fez tão bem que acabei relaxando e dormindo um sono pesado, do jeito que eu precisava. O Matheus era a maior lembrança que eu tinha da minha família. E o Gabriel era quase um sobrinho também, porque sempre viveu grudado no irmão. Todas as vezes que o Matheus ficava com a minha mãe e comigo, o Gabi vinha junto. Me deixava m*l ver aqueles dois preocupados, mas eu não queria que se envolvessem na situação em que eu mesma tinha me metido. Uns três anos atrás eu conheci o Manoel. No começo ele era um amor, me tratava super bem e fazia todas as minhas vontades. Minha mãe nunca apoiou o relacionamento, por ele ser muito mais velho que eu. Mas, com dezessete anos, eu estava completamente apaixonada e não ligava para o que ela falava. Se arrependimento matasse… Resolvi continuar com o Manoel. Um tempo depois o câncer levou minha mãe, sobrando só ele na minha vida. Naquela época ele já dava indícios do lixo de ser humano que era, mas eu estava muito fragilizada. Não percebi que, cada vez mais, ele me afastava do meu sobrinho e me tornava uma propriedade privada dele. E, infelizmente, quando percebi já era tarde demais. O relacionamento que no início parecia perfeito virou um inferno: tóxico, abusivo, cheio de traições, segredos, agressões e ameaças. Depois de dois anos vivendo esse pesadelo, sem conseguir me livrar daquele homem por puro medo, tomei coragem para ir atrás de ajuda. Não sei como, mas o Pitbull descobriu — ou suspeitou. Começaram as ameaças pesadas envolvendo o nome do Matheus, porque ele sabia que o meu sobrinho era a minha única preocupação no mundo. Tomou o meu celular junto com todos os meios de comunicação. Ele tinha conseguido um patrocínio em São Paulo e nós moramos lá por um tempo. Mas o Manoel reprovou em um dos exames. Com toda a pressão das lutas, ele se tornou um drogado de merda, o que resultou na quebra do contrato e na perda do patrocínio. Voltamos para o Rio tem três dias. Todos os dias ele sai de casa para fazer sei lá o quê na rua e volta todo drogado, fedendo. Tipo agora, quando acordei no susto ouvindo a porta bater. Me encolhi embaixo do cobertor por meio segundo, sentindo a crise de ansiedade dominar meu corpo. Travei quando ouvi ele chamar meu nome e senti meus olhos lacrimejarem. Tomei coragem para sair do quarto quando ouvi os passos dele se aproximando do corredor. O Pitbull estava completamente transtornado e me olhava com raiva… Eu já sabia que aquela noite seria longa. Pitbull: Tu tava fazendo o quê? Respirei fundo, passando por ele e indo em direção à cozinha. O esgotamento físico e mental andavam lado a lado. Eu não tinha mais forças para debater, para tentar bater de frente. Eu só queria chorar e acabar com aquilo de uma vez. Isabela: Acabei pegando no sono — murmurei baixo, tirando as coisas da geladeira para começar a fazer a comida. — Vai tomar um banho, Pitbull. Eu vou fazer o jantar. Graças a Deus ele me deu ouvidos e foi cambaleando em direção ao banheiro. Um tempo de paz para a minha cabeça. Ouvi o barulho do chuveiro sendo desligado depois de um tempo, e também a bagunça que ele fazia no quarto procurando alguma roupa. Depois, tudo o que senti foi algo pesado se chocando contra minhas costas e se espatifando no chão. Eu nem entendi. Fui pega de surpresa. Me virei de costas para a pia, vendo que uma das xícaras estava aos pedaços no chão e que o Manoel me encarava com ódio. Pitbull: Que p***a é essa? Quem teve aqui? Isabela: Para com isso, cara — choraminguei, sentindo a dor nas costas. — Doeu! Ele avançou alguns passos na minha direção, tomando cuidado para não enfiar o pé nos cacos, e segurou meu rosto com força, apertando minha bochecha. Eu segurei seu pulso tentando tirar a mão, mas ele logo meteu um tapa na minha, jogando-a para longe. Pitbull: Quem entrou na minha casa, vagabunda? Eu saio e tu já faz a festa, né? Tava dando pra quem? Trouxe macho pra dentro da minha casa? Isabela: Pra ninguém. Pelo amor de Deus, me solta. Pitbull: Anda, Isabela. Eu vou ter que te obrigar a falar? Isabela: O Matheus veio aqui. Não sei como ele sabe o endereço. O Manoel riu, jogando a cabeça para trás. Pitbull: O Matheus. Sempre o Matheus — ele apertou mais ainda a mão no meu rosto. — Vai tomar no cu. Tu acha que eu sou burro? Foi tu que falou pro moleque vir te ver, não foi? Isabela: Você tirou o meu celular. Lembra? Você quebrou o meu celular! Como que eu ia falar com ele? Pitbull: Tu é a pior raça que tem — ele soltou meu rosto, mas me empurrou, fazendo com que eu batesse com as costas na pia. — As que se fazem de santa e na verdade são umas piranhas. Abaixei o olhar, encarando o chão. Isabela: É só me deixar ir embora. Ouvi a risadinha nojenta dele, que me fez arrepiar. Pitbull: Só depois de morto.
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