cap 06 quem vai falar

668 Words
Barão Depois de voltar pro morro com os menores, fui resolver meus assuntos e só cheguei em casa quando já era noite. A Júlia já tinha ido embora por causa do horário da faculdade, e quem tava cuidando do Davi eram os irmãos. Eles pediram um rango enquanto eu tomava banho. Depois, sentamos juntos pra comer na mesa, mas antes agradecendo pelo fato de ter o que comer. Eu tava só de olho nos dois motivos da minha dor de cabeça. O Matheus quase não comia, só brincava com a comida no prato, e o Gabriel ficava preocupado com o irmão. O Davi não tava nem aí, e tava roubando a batata frita do prato do Gabriel. Barão: — Qual dos dois vai me contar o que tá pegando? — perguntei, assim que terminei de comer. Falcão: — Nada demais — falou, sem me olhar. Barão: — Solta a voz. Te conheço desde o dia que tu nasceu. Ele largou o garfo no prato e afastou um pouco, fazendo com que o Davi conseguisse roubar as batatas dele também. Falcão: — Tu consegue me arrumar uma grana, pai? Barão: — Consigo, pô. Papo de quanto? Meu maior orgulho da vida era esse: poder dar pros meus filhos o que quisessem, quando quisessem, sem me importar com o valor das paradas. Falcão: — Sei lá... acho que uns cinco conto. Eu concordei com a cabeça. Barão: — Pra que tu quer a grana? Falcão: — A Isa... vou comprar um celular pra ela. Não sei se acredito muito, mas ela disse que tava sem contato comigo porque perdeu o antigo. Barão: — O marido dela não tem dinheiro? O cara não é lutador? — perguntei, sem entender. Falcão: — É, pô. Isso tá meio estranho, mas eu queria fazer isso pra ela, entendeu? Barão: — Pega a grana comigo amanhã e manda algum vapor te levar pra comprar. Falcão: — Valeu, pai. Me levantei da mesa, colocando o Davi pendurado no meu ombro. O moleque só riu, puxando meu cabelo. Barão: — Tu tá ligado que qualquer fita que te estresse é só tu me dar o papo, que eu resolvo. Falcão: — Eu sei. Tu é o cara. Barão: — Já que eu sou o cara, vocês arrumam toda essa zona aí. Dei folga pra dona Lúcia hoje, ela só vem amanhã à tarde. Vou colocar o Davi pra dormir e me esticar também, tô cansadão. Lobo: — Deixa com nós. Barão: — Vocês vão ficar em casa também, né? Não quero ninguém na rua hoje, vacilo demais pra um dia só. Lobo: — A gente já vai deitar também. Eu concordei com a cabeça e fiz um toque com os moleques, arrastando o Davizinho pro andar de cima. Ele já tava de banho tomado, cheirosão e de pijama. Só coloquei o menor pra escovar os dentes e fui escovar os meus antes de arrumar tudo pra ele deitar na cama. Fiquei um tempo deitado com ele ainda, e depois que pegou no sono, fui pro meu quarto. O Gabriel tava fumando um baseado na varanda. Senti o cheiro de longe, quando passei no corredor. Eles tavam ligados que maconha era a única parada que podiam usar na vida deles, porque se alguma vez eu descobrisse que estavam se metendo com coisa mais pesada, eu ia meter bala no cu deles. O Matheus tava jogando videogame no quarto dele, ouvindo o barulho dos tiros na televisão, com a porta do meu quarto fechada. Já mandei mensagem pra ele dar uma segurada na emoção e abaixar o volume pra não acordar o Davi. Eu acendi meu próprio baseado. Não era acostumado a fumar, porque tentava ficar longe o máximo possível. Não me curtia na onda, achava que a brisa batia errado pra mim, mas um verdinho de vez em quando podia me acalmar, e hoje eu precisava de um pouco de paz, depois de tanto nervoso. Depois de queimar até a ponta, caí na minha cama, indo dormir relaxadão.
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