cap 07 como vou esconder

931 Words
Isabela Tortura e humilhação eram palavras que descreviam bem a noite de horror que eu passei. Depois de comer e ir deitar, o i****a resolveu que queria t*****r. Eu me fiz de louca e fingi que estava dormindo. No fim das contas, foi pior ainda, porque ele fez o que achava que podia fazer, já que eu tava "dormindo". Eu não aguentava mais essa vida, não aguentava mais sofrer, ser agredida e viver presa em um relacionamento de merda. Mas sabe quando você se sente tão cansada que simplesmente não consegue tomar as rédeas da própria vida? Não consegue ter coragem suficiente pra enfrentar o medo e cair fora? De fato, eu não tinha mais ninguém no mundo além do Matheus. Não tinha um emprego, m*l tinha feito o ensino médio e não sabia o que eu queria da minha vida, até porque tudo o que eu sonhava foi se perdendo aos poucos, no meio dessa loucura. Eu tinha convicção de que, da forma que estava, não dava pra continuar. Acho que preferiria morar na rua, se fosse preciso, só pra acabar com aquilo de uma vez. Mas eu simplesmente não tinha mais força pra lutar. Passei a manhã toda tentando me esquivar do cara — seus olhares, suas carícias, sua voz — como se nada houvesse acontecido. Como todos os dias, quando chegou a tarde, ele saiu, me dando um pouco de paz. Aproveitei a situação e fui dar uma volta na rua pra espairecer. Não demorei muito, com medo de que ele voltasse pra casa antes de mim. Assim que cheguei na rua, vi o Matheus sentado em frente à minha casa, com um homem ao lado dele. Ele me deu um sorrinho, e eu abri o meu melhor sorriso, correndo pra abraçar ele. Isabela: — Oi, meu amor — deixei vários beijos no rosto dele. Observei que ele estava com o uniforme da escola — Tu tá bem? O Gabi não veio? Falcão: — Não, Isa. Ele ficou no morro, eu vim direto da aula. Isabela: — Comeu alguma coisa? Falcão: — Aham. Comi sim, e trouxe presente. Posso entrar? Isabela: — Claro! Vem. Ele se despediu do homem que estava ali, mas ele falou que ia continuar esperando do lado de fora. Perguntei se não queria entrar, mas ele recusou. Puxei meu sobrinho pra dentro e fui direto pra cozinha preparar um bolo pra nós comermos. O Matheus ficou me ajudando com as paradas e me contando como estava a vida dele, do pai e dos irmãos. Falcão: — Bora pro morro com nós — falou, assim que terminei de fechar o forno, com o bolo lá dentro — Ai tu vê o Davizinho. A última vez que tu viu meu irmão ele ainda era bebê, né? Isabela: — Aham, bem bebezinho — sorri fraquinho pra ele — Acho melhor a gente ficar por aqui mesmo. Outro dia eu vou até lá. Ele respirou fundo, e eu me sentei à mesa ao seu lado. Falcão: — Tem alguma parada acontecendo contigo, eu tô ligado nisso. Por que tu não me conta? Teu problema é grana? Isa, eu falo com meu pai, ele arruma um dinheiro pra ti. Ele não vai negar nada pra mim, pô. Isabela: — Para de se preocupar comigo, garoto. Eu que sou tua tia! Falcão: — A gente cuida um do outro, então — falou, dando um beijo na minha cabeça, enquanto eu me encostava em seu ombro — Tu só tem eu, Isa. Tu é a única mulher que eu tenho na minha vida, não quero te ver m*l. Isabela: — Teu pai fez um trabalho lindo contigo — falei, fazendo carinho na mão dele — Tua mãe ia ficar muito orgulhosa do homem que estás te tornando. Falcão: — Para de desconversar — bufou, irritado — Me conta o que tá rolando. É o Manoel? Rolei os olhos. Não queria estragar os poucos momentos de felicidade que tinha ao lado de alguém que eu realmente amava. Isabela: — Eu vou pro morro com você. Mas preciso voltar dentro de algumas horas, tá? Combinei com o Pitbull que a gente ia sair. Ele concordou, mas parecia desconfiado. Falcão: — Por que tu só tá chamando ele de Pitbull? O nome do teu namorado é outro. Isabela: — Ai, Matheus, que chatice. Fica de olho no bolo, eu vou tomar um banho e trocar de roupa, já volto. Ele continuou me encarando sem falar nada, até que eu saísse da sala e fizesse exatamente o que tinha dito. Rio de Janeiro, calor do c*****o, e eu precisando usar roupa de manga longa por conta das marcas no braço e no ombro. Coloquei um casaco, uma saia jeans e uma blusa simples por baixo. Penteei os cabelos, escovei os dentes e, quando saí, o bolo já estava quase pronto. O Matheus disse que tinha mandado alguém vir buscar a gente de carro, porque ele tinha vindo de moto com um vapor do seu pai, que já tinha ido embora. Falcão: — Ah, tia — segurou meu braço antes de eu entrar no carro — O teu presente. Peguei a caixinha na mão e encontrei um celular ali. Isabela: — Matheus — neguei com a cabeça. Falcão: — Agora tu não vai ter desculpa pra ficar longe do teu sobrinho mais bonito. Isabela: — Você é o único. Por isso é o mais bonito. Empurrei ele pra dentro do carro, enquanto ele ria, segurando o bolo nas mãos. Eu encarei o celular praticamente o caminho todo, me perguntando como faria pra esconder aquilo do Pitbull.
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