Therasia
— Estou aproveitando a minha p*usa para conversar com você — pontuo rapidamente, já que o breve descanso que teria é jogado para longe devido a seu interesse estranho em mim. — Comece antes que eu pense que é melhor te dar uma surra.
— Parece que você fica mais engraçada quando está cansada — profere Joseph, se sentando na cadeira.
Tem algumas delas na área de descanso dos funcionários, assim como uma cama e é nela que me sento, já que é o que me coloca mais longe dele.
Pelo sorriso em seu rosto, deve ter considerado que esse é o motivo para ter escolhido onde ficaria. Tenho sorte de o meu chefe nesse trabalho ser melhor do que o outro, mas não posso abusar.
Se criar uma confusão aqui, serei tratada como qualquer outro funcionário.
— Se sabe que estou esgotada, fale logo — peço movendo uma mão para frente, como se oferecesse a ele o dom de falar antes que fique mais irritada. Independente do que diga, nada vai me fazer entender as suas escolhas.
— Primeiro preciso dizer que o que aconteceu com o meu segurança foi um erro. Quis dar fim a um assunto rapidamente e não dei ordens adequadas a ele — explica-se, o que com certeza não esperava. — Peço desculpas.
— Desculpas não resolvem nada — respondo, verificando as suas ações, mas ele é do tipo que parece manter a compostura mesmo nas situações mais estranhas, dado que até numa cadeira r*im de metal, permanece com uma postura adequada.
— E o que resolve problemas na sua opinião? — Eu deveria responder com sinceridade ou apenas fingir que não tenho um monte de outras coisas que poderia fazer enquanto gasto meu tempo conversando com ele?
— Dinheiro — profiro erguendo um dedo. — Dinheiro — repito elevando mais um dos meus dedos. — Dinheiro — profiro, pondo mais um na conta. — Claro, diálogo também resolve algumas coisas — discorro, deixando quatro dos meus dedos de pé.
Ver Joseph sorrindo depois do que digo é mais uma de suas ações inesperadas. É divertido perceber o quanto uma pessoa pode se preocupar com uma única coisa? Não posso ignorar as minhas necessidades e o que resolveria elas.
— Tem razão, dinheiro resolve muitos problemas — atesta o homem rico.
Tudo nele grita riqueza. Sejam as roupas de marca ou o relógio caro. Até mesmo o aparelho que usa é um dos mais recentes. Tenho certeza de que Joseph troca para um novo sempre que um novo lançamento sai.
— Deixe que eu te conte um pouco do meu — pede ele.
Mais uma vez faço um movimento com a mão pedindo que se apresse, porque a minha p*usa não é tão longa para gastar todo o meu tempo apenas ouvindo o seu papo.
— Há alguns dias, quando mandei que te procurasse. Fui bombardeado com notícias de que há uma mulher grávida de mim em algum lugar — conta-me, o que é bem estranho. Recebeu a notícia através de terceiros ao invés da mulher? — Esquisito, certo?
Apenas meneio a cabeça concordando, porque eu com certeza não entendo a mente de pessoas ricas. Vejo muitos indivíduos torrando dinheiro aqui toda noite, o que é claro, agradeço, porque é como o meu salário é pago.
Entretanto, os rios de dinheiro usado me deixam embasbacada, embora trabalhe aqui há um tempo considerável.
— Tomo muito cuidado quando transo, mas algo pode ter acontecido sem que notasse. Por conta disso, tentei encontrar todas as mulheres com as quais estive recentemente — explica, no entanto, deve ter se esquecido de um ponto muito importante: faz poucos dias que transamos.
— Olhe para mim, pareço alguém que dá golpe da barriga? Além disso, faz poucos dias que transamos, nem mesmo teria tempo para uma gravidez ser apontada em um teste — esclareço, contudo, pela expressão dele, sabe muito bem disso.
— Estou apenas sendo cauteloso, já que não quero que uma criança minha nasça sem que eu saiba — articula, o que é uma ótima atitude, poderia bater palmas se não estivesse cansada.
Seu modo de agir foi bem estranho, visto que mandou o seu segurança me procurar. Contudo, vendo pelo lado de alguém cheirando a dinheiro como ele, provavelmente queria ter certeza antes de a notícia se espalhar.
É provável ter um nome a manter.
— O que quer dizer com cautela? — Indago diretamente, visto que quero que esse assunto se encerre ligeiro.
— Pode fazer um teste de gravidez? Depois disso, podemos esquecer um do outro — fala, sendo tão direto quanto esperava que fosse. — Como é um pedido estranho, me diga quanto quer. Não gastarei o seu tempo em vão.
Começo a rir, olhando-o, porque o seu pedido é absurdo, mas ele oferecer dinheiro para que eu cumpra com a sua demanda ainda é engraçado. Pensei ter me encontrado com todo tipo de m*luco, mas a vida sempre pode te surpreender.
— Cem mil — profiro, porque se tenho que seguir as loucuras de um homem rico, tenho que pelo menos ganhar bem para isso.
— Vou te dar duzentos — contrapõe tão rápido que me pergunto se ele já pensava em cobrir qualquer que fosse o valor que eu dissesse. — Aqui — indica, pondo o teste na mesa à sua frente. — Não quero que pense que quero…
— Nem fale, eu não ia mijar num pote para você — respondo, segurando a caixa rosada em mãos. Em que ponto do meu dia, pensei que estaria fazendo um teste de gravidez em troca do dinheiro?
— Me diga para onde devo transferir a quantia — pede e procuro uma caneta escrevendo meus dados no primeiro pedaço de papel que encontro. Não demorou para que houvesse uma notificação em meu telefone e, por um segundo, senti a minha garganta tampar.
Acabei de receber todo esse dinheiro de verdade?
— Não saia daí — demando, apesar de duvidar que tenha algo dentro desse pequeno cômodo que ele queira ver.
Como Joseph cumpriu com a sua parte do acordo, tenho apenas que mijar nesse troço ligeiro e aproveitar que não precisarei reduzir a minha alimentação a ponto de sentir o meu estomago queimando.
Ainda não acredito que estou fazendo algo do tipo por dinheiro.
Contudo, o que me fez cair sentada na privada foi uma coisa completamente diferente.
Que p***a é essa?
Isso não pode estar acontecendo.
Essa merda tem que ser um sonho.