Therasia
— Você está suspirando mais do que o norm*l hoje — me fala o homem com quem trabalho há algum tempo. Temos uma boa sincronia, pois consegue fazer toda a sua parte sem incomodar ninguém.
— Nem sei como tenho tempo para isso, Josh — digo, ele sorri, como se não pudesse acreditar que consigo soltar piadas como essa. Sabe um pouco da minha situação.
— Pode tirar a sua p*usa daqui a dez minutos — me avisa, e o movimento está bem tranquilo para que não me sinta incomodada em deixá-lo sozinho. — Tente tirar um cochilo, te fará bem.
— Se eu dormir agora, talvez só acorde de manhã — brinco, reparando em como a sua expressão muda quando olha para frente. Se estivéssemos em outro lugar, diria que ele vê um fantasma e pondera sobre correr ou não.
Decidida a verificar o que incomoda Josh, observo a pessoa na frente do balcão e sinto que talvez devesse procurar por alguém que leia a minha sorte. O sujeito diante de mim é alguém reconhecível, dado que não faz tanto tempo assim que nos encontramos.
Depois de mandar aquele segurança pastar, imaginei que Joseph Armvtz tivesse desistido da ideia de me encontrar, mas creio que me enganei muito, dado que o seu sorriso me incomoda nesse momento.
— Olá, Therasia, me disse que eu deveria te encontrar — profere e, olhando para o lado, percebo que Josh limpa o seu copo por mais tempo do que deveria. É difícil dizer a sua motivação.
Seja pela vontade de saber a fofoca ou por se preocupar com a minha segurança, ainda acaba se afastando, dado que não pode simplesmente interferir com uma pessoa que consegue dizer o meu nome com tanta familiaridade.
— Quer dizer que o assunto é importante a ponto de você querer morrer? — Pergunto, uma vez que foram as palavras que mencionei em nossa conversa.
— Sim, tinha que te encontrar de novo ou não conseguiria dormir à noite — fala, se sentando na frente do balcão. Encara Josh, que tomou um pouco mais de distância de mim, como se anunciasse que não quer escutar nossa conversa.
— Estou trabalhando no momento, então, se não for beber, é melhor sair — articulo, no entanto, dando uma olhada ao redor, qualquer um perceberia que esse não é o momento mais movimentado da noite.
— Quero algo não alcoólico, uma recomendação sua — profere as palavras com tanta familiaridade que me pego pensando em que ele pensa nesse instante, porque tudo o que envolve nós dois é uma noite de sexo quente e nada mais.
— Posso recomendar algo r*im — contraponho, no entanto, ao invés de se sentir ameaçado, ele somente sorri.
Duvida que cuspa na sua bebida? Porque continuo ponderando acerca das suas motivações, e elas me parecem absurdas, apesar de não saber o que tem a conversar comigo a ponto de mandar um segurança na minha casa e no meu trabalho.
— Vou tomar o que me der — garante e preciso dar as costas a ele somente por um breve segundo, solto mais um suspiro, o que faz com que Josh me observe.
Faço um sinal com a mão dizendo que tudo bem, porque no final das contas, ele não me atacou, apenas pediu uma bebida. Embora as suas atitudes não sejam as mais comuns, não é o primeiro louco que apareceu na minha frente.
Respiro profundamente antes de procurar por aquilo de que preciso para preparar um drink sem álcool. Um mocktail de frutas vermelhas deve agradar ele.
A maior parte dos clientes que não querem consumir álcool pede este drink ou uma sangria. Também tem as limonadas de amora.
Como posso só adivinhar o gosto desse homem?
Tendo tudo o que preciso em mãos, me viro e a maneira como ele me observa faz com que eu queira enfiar os meus dedos em seus olhos. Difícil dizer se é por estar irritada ou pelo sentimento de nervosismo que os seus olhos imprimem a mim.
Faço o meu trabalho silenciosamente, uma vez que ele apenas espera que eu o cumpra. Devo agradecer a sua espera? Para alguém que fez todo um estardalhaço para me encontrar, é bem educado.
Quem sabe seja apenas uma máscara agradável que mantêm enquanto o observam.
— Aqui — digo, entregando a bebida a ele. — Olha, eu duvido que tenha um assunto entre nós que realmente precisa que nos encontremos — profiro, observando a sua expressão enquanto aprecia a bebida.
Pelo visto, não errei. É difícil encontrar alguém que não goste de frutas vermelhas.
— Aquela foi uma ótima noite, mas foi apenas isso — afianço, me sinto uma palhaça quando o seu sorriso parece ainda mais interessante nesse momento. Eu nunca negaria que ele transa bem, que fiquei satisfeita, entretanto, precisaria disso?
Se não deixei meu contato, é um aviso de que não tenho a intenção de repetir a dose.
— Acha que estou te perseguindo por que fiquei interessado em repetir a dose? — me pergunta diretamente. É tão franco quanto me lembro. Nem posso dizer que aquela noite foi um erro, porque estava muito consciente do que fazia.
Agradamos um ao outro mutuamente e depois nos despedimos, é o que tínhamos a oferecer naquele momento e creio que nada mudou. O que se modificaria entre pessoas que têm circunstâncias tão diferentes as envolvendo?
— Se não é isso, não tenho a mínima ideia do que pode querer de mim — respondo rapidamente, uma vez que minhas ideias podem estar limitadas devido ao sono. Considerando o tempo que ainda tenho hoje, nem poderia descansar tanto.
— Quer pensar um pouco mais nisso? — Inquire, me deixa um pouco mais brava, porque pode simplesmente dizer o que quer e ir embora, uma vez que não tenho nada a lhe oferecer.
Com certeza sabe que não há nada a ganhar de mim.
— O que tenho a dizer é um pouco complicado, se outras pessoas souberem, posso ficar em uma situação difícil — discorre sem rodeios.
O que merda ele poderia querer de mim? Suas palavras não explicam nada.
— Garanto que te deixo em paz assim que tiver uma resposta — afiança, no entanto, algo em mim diz que eu deveria apenas ignorar antes que acabemos mais envolvidos.
Entretanto, talvez esteja sendo realmente afetada pela falta de sono.