08. Pobre não tem paz, parte 4

1108 Words
Therasia — Cara, é a segunda vez que você aparece na minha frente, na terceira vou jogar óleo quente na sua bela face — aviso, o encurralando no beco do lado do prédio. — Não fui clara? — Está trabalhando e eu sinto muito te incomodar, mas eu também estou trabalhando e o meu chefe quer se encontrar com você — fala, e talvez por saber como chefes podem ser pés no saco, que podem demitir quem quiserem somente por estarem irritados, me compadeço um pouco do que diz. — Quem diabos é o seu chefe? — Inquiro. Tenho certeza de que não ouvi falar sobre alguém que usaria um segurança que demonstra educação para se aproximar de mim. Os agiotas preferem xingamentos e puxões. Tudo que mostre o quanto podem passar dos limites se o dinheiro não cair em suas contas. — Joseph Armvtz, CEO da Arms entertainement — diz e puxa um cartão de visitas de seu bolso. O entrega a mim mantendo uma distância, quem sabe por ter medo de que eu aja grosseiramente depois da minha ameaça. — Eu realmente não o conheço — profiro, apesar de o nome da empresa não ser tão estranho. Tenho quase certeza de que é o lugar onde Iliana quer ser contratada assim que o seu contrato com a atual empresa expirar. Eles têm morrido de medo de perdê-la, mas há tempos ela decidiu mudar de empresa, pois por muito tempo eles a esnobaram até verem o diamante bruto que ela podia ser e passaram a lamber o chão dela, mas minha amiga já tinha acumulado ódio pelas ações deles. — Sinceramente ele não foi muito claro com a relação que possuem — admite, e me pergunto o que passa na cabeça de alguém para mandar que o seu segurança vir atrás de mim quando não temos laços. Eu me lembraria de uma pessoa que pode ser excêntrica assim. — Mas quer que eu tenha certeza de que vai encontrá-lo e de que está em segurança depois do que houve no seu apartamento — esclarece. O quê? Minha segurança? Que c*****o! O que a minha vida tem a ver com essa pessoa? Devo ter um ímã para pessoas que não têm todos os parafusos de sua mente enfiado no meu r**o. — O número no cartão é o número pessoal do seu chefe? — Não, não é — diz após hesitar por um momento. — Então ligue para ele — peço. — Agora, ou terei que fazer mais horas extras por essa interrupção que causou no meu trabalho. Me analisando sem parar o sujeito continua hesitando, entretanto, pega o seu aparelho e faz a ligação. Por um momento se afasta e ouço sem muita atenção o que discute com a pessoa do outro lado da linha. É quase noite agora. Olho para meu relógio e tenho quase certeza de que terei que fazer pelo menos uma hora extra antes de ser liberada. Terei sorte se conseguir tirar um cochilo no caminho para meu segundo emprego. — Aqui senhorita Foxwolt — fala me entregando o aparelho. — Isso é muito estranho, me chame de Therasia — mando e ele apenas faz um meneio com a cabeça confirmando. — Olha, senhor, hum, Armvtz. Acho que você cometeu um engano mandando o seu segurança atrás de mim, porque eu claramente não conheço um homem rico que me incomodaria desse jeito. A gargalhada dada do outro lado da linha faz com que afaste o aparelho do meu ouvido por um momento, porque me pergunto se o sujeito é mesmo doido e acabou me confundindo com outra pessoa. — Therasia, você é muito interessante — fala, e não pronuncia o meu nome como se fosse um desconhecido. — Saberá quem sou se eu a chamar de coelhinha? — Coel… espere, c*****o, você é o sujeito da festa a fantasia? — Sim, sou eu — conta. — E o que p***a você quer? Vai me acusar de ter roubado alguma coisa sua aquela noite? Porque, juro, não peguei merda nenhuma — discorro ignorantemente, porque acabo diante de uma situação semelhante a um problema que tive há muito tempo, o que me fez evitar sair com homens ricos. Pois, depois de fo*er com um bastardo, ele voltou dizendo que eu havia roubado o seu Rolex. No final, a camareira o achou debaixo da cama e o canalha não teve a mínima educação de se desculpar pela acusação infundada. — Ei, se acalme coelhinha, não é nada assim — me garante. — Estou apenas checando uma coisa com algumas mulheres com quem transei. — Não me diga que você fez alguma merda ou descobriu que está doente? De toda forma, usamos camisinha e eu posso me cuidar — digo, o segurança dele me olha por um tempo, como se não acreditasse em tudo o que está ouvindo, depois de notar que o encaro acaba desviando o olhar. — Você tem uma imaginação fértil — zomba o homem. — Pode não ficar na defensiva? Não é nada r**m — assevera. — Diga isso depois de saber que o seu segurança entrou na minha casa sem ser convidado — reclamo. — Eu já o avisei quanto as suas ações, mas se quiser você mesma pode escolher como puni-lo, afinal, foi aquela quem se sentiu constrangida com o que houve — profere. — Eu poderia matá-lo — articulo. — É o que você quer? — Pergunta sem rodeios. — De toda maneira, preciso que ele me traga você antes. — Não dá, eu não posso deixar minhas obrigações para me encontrar com você, se não é algo que pode discutir comigo por telefone temo que vai ter que ficar esperando — discorro sem medir minhas palavras. Não tenho porque ser gentil com uma pessoa que age tão estranhamente. Também não existem pretextos para conversarmos. Se essa é sua maneira de tentar me levar para cama de novo, devo avisar a ele que é uma merda. — Se é importante a ponto de você querer morrer, pode vir me encontrar — digo e, quando me viro, vejo pela vidraça que o gerente está pronto para me jogar na lata de lixo mais próxima. — Isso é tudo, senhor Armvtz, passar bem. — Senhorita, digo, Therasia, seria melhor se você tivesse resolvido o assunto com ele — me alerta o homem. — Eu sinto muito que esse seja o seu trabalho, mas estou toda fo*dida com o meu, não tenho tempo para as maluquices de um cara rico — discorro. — Diga isso a seu chefe. Espero que não nos vejamos de novo. Eu só não sabia que estava totalmente errada.
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