Uma Triste Descoberta

1879 Words
Anabel Ah, eu havia adorado passar algumas horas na casa da Gaby, ela era a minha melhor amiga e eu amava quando a gente estava juntas, era tão legal. No dia seguinte, me acordei bem cedinho para ir ao médico, eu tinha exame de rotina para fazer. Nicolá me levou ao consultório e depois fomos juntos pra escola, chegamos pouco depois do sinal tocar, e fomos direto para nossas salas. - Por que chegou tarde hoje? - Joshua me perguntou. - Tive médico. - Você está bem? - Perguntou preocupado. - Estou, sim. - Sorri. Nisso, notei Christopher nos encarando, parecia bravo, ah, ele era tão estranho, queria saber o que se passava na cabeça dele e o porquê dele ser assim, porque eu sabia que tinha algum motivo, pois nenhuma criança tem atitudes más a troco de nada, talvez fosse um pedido de socorro, ok, acho que estou convivendo demais com adultos, se bem que eu quero ser psicóloga quando eu crescer, então é legal eu já ir treinando. (...) Daphne, Nicolá, Connor e eu estávamos indo para nossas casas, quando meu irmão me perguntou: - Como foi a aula hoje? - Um pé no saco. - Hey… - Me repreendeu. - Desculpa. Foi chata, tive trabalho de Ciências, valendo nota. - E como foi? - Daphne me questionou. - Acho que fui bem, era sobre corpo humano e tal. Mas… Ah, hoje eu vou ter que fazer trabalho com o Christopher. - Vão fazer lá em casa? - Com os gêmeos correndo pela casa e a Kim chamando toda hora? Acho que não. - Eles riram. - Vou fazer na casa dele. Você me leva? - Claro! Se eu estava animada pra esse trabalho? Muito. Mentira, não estava, mas estava torcendo para ele não me irritar mais do que o normal. (...) Era por volta de 14h quando Nicolá me levou até a casa de Christopher. Era uma casa grande, de dois pisos e um pátio gigante, no quintal avistei um belo carro e uma bicicleta super moderna. Um jardineiro regava as lindas margaridas, acho que eu nunca tinha ido em uma casa tão grande e linda. - Uau! Eles são ricos? - Nick perguntou. - Acho que não, ele não me parece feliz, e quem consegue ser infeliz tendo milhões na conta? - Ana, dinheiro não traz felicidade. - Não! Dinheiro não traz saúde, mas felicidade traz sim, ou você já viu alguém triste passeando em Paris? - Ele riu. O garoto tocou a campainha e logo uma senhora com um avental de faxina, nos atendeu. - Olá, eu sou a Anabel. - Sorri. - Ah… Colega do menino Christopher… Ele me informou que virias fazer um trabalho com ele. - Isso! - Podem entrar, fiquem à vontade. - Eu já vou indo. - Disse Nick. - Qualquer coisa… - Eu te ligo. - O interrompi. Ele me deu um beijo na cabeça e saiu. Eu entrei na casa e a moça, que se apresentou como Valentina, me ofereceu algo para beber, mas eu recusei educadamente, pois não estava com sede. A mulher pediu para outro funcionário ir avisar ao Christopher que eu já havia chegado, e enquanto eu aguardava-o, notei um homem de terno, que falava no celular, porém, ao ver a Valentina, ele se dirigiu até ela. - O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ PARADA, IMPRESTÁVEL? ANDA, VÁ FAZER UM CAFÉ PARA MIM. - Gritou, me assustando. - ANDA, VÁ LOGO, ESTRUPÍCIO! A mulher saiu correndo e nisso o homem me notou. - E você quem é? - Hã… Sou colega do Christopher. - Hum… - Me deu as costas e saiu. Quem será? Que cara mais arrogante! Como ele pode tratar uma pessoa assim? Ninguém merece ser tratado dessa forma. Ninguém. Pouco depois, o homem que havia ido avisar o Christopher, da minha presença, retornou e pediu que eu acompanhasse-o até o quarto do garoto. Assim que entrei no quarto do menino, me surpreendi com o tamanho, era uma suite enorme, e no quarto dele havia uma cama em formato de carro, um closet que devia ter umas 3 vezes mais o tamanho do meu roupeiro, uma cesta de basquete, um simulador de corrida, uma smart TV de 85 polegadas e um vídeogame super moderno, e possuia algumas prateleiras com alguns brinquedos, e ainda tinha uma mesinha com duas cadeiras para estudo. - Desculpa a pergunta. - Me sentei em uma das cadeiras. - Mas, você é rico, né? Sem me olhar, ele apenas deu de ombros. - Eu não entendo. Olha tudo o que você tem… Quem me dera viver numa casa dessas… E você… Não parece ser feliz. - E do que adianta eu ter tudo isso, e não ter uma mãe e ter um pai que… - Parou de falar e ficou mudo. - Que? - Nada. - O homem que eu vi de terno é seu pai? - Aham. - Ele parece bravo. - Silêncio. - Hã… E o que aconteceu com sua mãe? - Eu a matei. - Quê? - Perguntei apavorada. - Ela morreu quando eu nasci. - Sinto muito. Mas então você não a matou. - Matei, sim. Meu pai diz que ela morreu por minha causa, acho que é por isso que ele me odeia. - Não acredito que ele tenha dito isso e nem que te odeie. - Odeia, sim. - Gritou, me assustando. - Desculpa! Se ele não me odiasse, ele não faria isso. Levantou a camisa e eu pude ver diversos hematomas horríveis, que me causaram um enorme susto, eram tão feios. - Teu pai fez isso? - Perguntei sentindo os olhos marejados. - Aham. - Falou cabisbaixo. - Mas… Meus pais e meu irmão dizem que não se bate em criança, na verdade não se deve bater em ninguém, e… - Olhei de novo para os machucados. - Ai, meu Deus! - O abracei, lhe pegando de surpresa. Agora tudo fazia sentido, Christopher não era mau, nunca foi, eu sabia que tinha algo errado, mas não sabia que era isso, ele só reproduzia aquilo que vivenciava em casa, ele estava gritando por socorro, como ninguém percebia isso? Ele precisava de ajuda e eu o ajudaria. Claro, era por isso que ele faltava tanto na escola, não estava doente ou viajando ou sei lá o quê, era tudo mentira, ele havia sido espancado. d***a! Se eu soubesse antes… O garoto me contou que seu pai havia arrumado uma namorada, e que ela era legal pra ele, mas nunca interviu nas agressões. Ah, pobre garoto… Nós dois fizemos o trabalho, mas eu não estava conseguindo me concentrar direito, só pensava no que Chris havia me dito, estava m*l por ele. Após terminarmos o trabalho, brincamos um pouco, e pela primeira vez, o vi sorrir. - Chris… Por que você me contou? - Perguntei. - Porque… Você é uma garota legal, é bondosa, tem um bom coração… - Sorri timidamente. - E porque eu gosto de você. - Quê? - Indaguei surpresa. - Por que acha que eu nunca peguei no seu pé? Quer dizer… Não muito. - Você gosta de mim? - Gosto. Você quer namorar comigo? - Oi? Namorar? - Foi o que eu disse. - Você tá ligado que nós somos crianças, né? - Diz isso pro meu coração que não vê idade. - Falou me fazendo rir. - Chris… A gente é muito novo pra isso, tanto eu, quanto você, não temos idade para namorar e essas coisas são tão complicadas, acho que eu não quero namorar antes de ter uns... 25 anos. - Ele riu. - Tudo bem! - Falou contrariado. - Mas, promete que quando a gente crescer, você pensa em mim. - Só se você prometer que não vai mais fazer bullying com ninguém. - Eu prometo. - Sorriu, me fazendo sorrir também. Nisso, o pai do Chris abriu a porta bruscamente, nos assustando, tinha uma expressão furiosa no rosto. - Mas que bagunça é essa? Arrumem esse quarto agora mesmo. - Ordenou aos berros. - E você mocinha, acho que já está ficando tarde, né? - Deixa ela ficar só mais um pouco. - Pediu o garoto. - Como é? - Nada não. - Se dirigiu para mim. - Nos vemos amanhã na escola? - Claro. - Vamos, eu te levo. - Falou o mais velho. - Não! - O encarei seriamente. - Vou pedir pro meu irmão me buscar. O homem se retirou, sem dizer mais nada. Ajudei Chris a arrumar o quarto, e em seguida, liguei para meu irmão para pedir que ele me buscasse. - Puxa Ana, você disse que era pra eu te buscar mais tarde, ainda está cedo, não quer ficar mais um pouco? - Não, é melhor eu ir pra casa. - É que tô em um shopping com o Connor e a Daphne, aquele que abriu essa semana, sabe? Viemos conhecer e é lindo aqui. - Puxa Nick, isso fica do outro lado da cidade, deve dar umas 2h até aqui. - 1h30. Me espera que eu já vou. - Não! Não quero estragar teu passeio e não quero demorar tanto. A Ketlyn está em casa? - Não, saiu com o namorado. - Respondeu. - d***a! E quem está com os pequenos? - O chato do Spike, e não tem como ele ir com os três até aí. Pensei por um instante, até que tive uma ideia. - E se eu for sozinha? - Quê? Ana, você é muito nova e eu não gosto que você ande sozinha, é perigoso. - Mas a nossa casa fica a dois quarteirões, e eu vou rapidinho e prometo olhar bem antes de atravessar, não vou falar com estranhos, não vou aceitar doces e nem vou com ninguém que diga que tem bichinhos, porque sei que é mentira. Deixa, por favor. - Ok! - Falou contrariado. - Oba! - Comemorei. - Nick… Te amo. Valeu! Ai, seria a primeira vez que eu sairia sozinha, estava tão empolgada. - Você vai sozinha? - Chris perguntou. - Aham. - Queria te acompanhar, mas não sei se meu pai deixaria. - Ah, tudo bem. - Dei de ombros. - Até amanhã. - Até! Eu me virei para ir embora, quando Chris me chamou. Me virei novamente para ele e o garoto me deu um beijo no rosto, me pegando de surpresa. - Tchau. - Falei meio tímida. Até a minha casa daria uns 10 ou 15 minutos, era pertinho. Senti o vento bater em meu rosto, olhei tudo ao redor, cumprimentei as senhorinhas que passeavam com seus cães, esperei bem o sinal abrir para os pedestres, estava me sentindo independente, era como se eu já fosse adolescente, e isso era tão legal. - Anabel? - Falou ao parar em minha frente. - Oi. - Dei um sorriso simpático. - O que você está fazendo aqui? Está sozinha? - Aham. Estava na casa de um colega, mas agora estou indo embora. - Ah, entendi… - Ficou um pouco em silêncio. - Quase me esqueço de te contar, eu comprei um jogo super legal de tabuleiro, você quer ver? Pensei um pouco antes de responder. - Não sei, prometi não demorar. - Vai ser rapidinho, só cinco minutos, você vai ver. - Tá bem. - Dei de ombros.
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