- Nick? - Perguntou uma voz familiar.
Me virei e a vi. Era Daphne, minha melhor amiga desde… sempre. Acho que eu a conheci ainda no berçário, sempre estudamos juntos e morávamos no mesmo bairro, então um vivia na casa do outro, e às vezes quando eu ficava de babá dos meus irmãos, ela até me fazia companhia.
- O que você está fazendo aqui fora? - Perguntou a garota.
- Eu? Hã… - Notei que eu ainda estava segurando as sacolas. - Vim trazer o lixo. - Coloquei as sacolas na lixeira. - E o que você faz aqui? - Me virei para minha amiga.
- Vim te chamar pra dormir lá em casa hoje, as minhas mães vão viajar pra cidade natal da minha mãe Isabel, e eu preferi ficar, dai a casa vai estar liberada, se você quiser me fazer companhia...
- Claro. Mas antes tenho que falar com meus pais para ver se eles vão me liberar por conta dos pirralhos.
- Tá, se você quiser eu espero você falar com eles, dai você já arruma sua mochila e vamos juntos pra minha casa. - Falou Daphne.
- Beleza!
Entramos em minha casa e eu fui logo chamando por mamãe, que estava dando um iogurte para Kim. Pedi permissão para dormir na casa da minha amiga, e ela pensou por um instante, mas logo autorizou.
- Que bom que o chato do Nicolá vai dormir fora. - Disse Thomas para Lindsey.
- E que bom que eu vou ter um pouco de paz longe dos pirralhos mais chatos do mundo.
- Mãe, o Nick me chamou de chato. - Reclamou o menor.
- Nicolá, vai arrumar o que você vai levar, e deixa o teu irmão quieto, por favor.
Nem precisou falar pela segunda vez, corri para meu quarto e fui seguido por Daphne, enquanto eu arrumava minha mochila com umas peças de roupa e alguns produtos de higiene, ela ficou observando a rua pela janela do meu quarto.
- Eu soube que vamos ter vizinhos novos no bairro. - Ela disse ao observar a casa do outro lado da rua.
- Parece que sim, eu vi quando eles estavam se mudando, é um casal e eles têm dois filhos.
- Pequenos ou grandes?
- Um é pequeno e o outro deve ser da nossa idade. - Falei ao trocar de camisa.
- E ele é bonito?
- E eu sei lá… - Dei de ombros.
- Talvez ele estude na nossa escola. - Falou ainda com o olhar na casa da frente.
- Ué, por quê?
- Porque é a escola mais perto da região. - Se virou para mim. - Está pronto?
- Aham.
Peguei minha mochila a colocando nas costas, e fomos até a casa da Daphne, que não era muito longe da minha.
- Quando suas mães voltam? - Perguntei ao largar a minha mochila em cima da cama que eu dormiria.
- Não sei, elas foram hoje e falaram que ficarão alguns dias fora.
Já era por volta de 17h, resolvemos tomar banho de piscina, eu coloquei minha sunga e Daphne vestiu seu maiô. A água estava tão boa, a temperatura estava ideal, só assim pra gente se refrescar do calor que estava fazendo.
Após algum tempo, resolvemos ir tomar banho (um de cada vez, obviamente) e colocamos uma roupa confortável. Em seguida, Daph colocou algumas músicas para tocar em seu mega rádio, pegamos dois controles remotos para fingir que eram microfones e ficamos cantando, ou melhor, berrando a letra. Acho que cantamos umas oito ou nove músicas enquanto pulávamos no sofá e do sofá pro chão, fazíamos coreografia e tudo, parecia que estávamos em algum reality show de música.
- Sabe o que eu tô com vontade de comer? - Ela perguntou.
- Pizza! - Falamos em uníssono.
Daph ligou para a pizzaria mais próxima e pediu uma pizza tamanho família de: frango, calabresa, coração e chocolate com morango, e ainda pediu uma coca cola 2L, será que tem coisa melhor que uma pizza e uma coca bem gelada? Bom, se tem eu desconheço.
Após lavarmos a louça do jantar, fomos ver filme, assistimos A morte te dá parabéns 1 e 2, e embora eu tenha preferido o 1°, o 2° também é bem legal, e apesar de ser suspense, também tem romance e várias cenas engraçadas, rimos bastante e também quase surtamos em alguns momentos, falávamos com os personagens como se eles pudessem nos ouvir.
Daphne e eu estávamos deitados em sua cama, que era de casal, porém ela estava deitada nos pés da cama.
- Bem, que quando a gente completar 18 anos podíamos nos mudar, né? Poderíamos morar juntos, seria legal. - Falou minha amiga.
- E nos mudaríamos pra onde?
- Ah, não sei… Pensei em Roma, eu fui pra lá no ano passado e é lindo. Bom, também gosto de Paris, New York, Berlim…
- Você quer sair do país? - Perguntei surpreso.
- É. Pensa só… - Se deitou ao meu lado. - Você diz que queria poder tirar férias da sua família e eu queria ser um pouco independente, minhas mães me tratam como bebê. Então a gente podia se mudar pra outro país, e se quiséssemos poderíamos assumir uma nova personalidade, até um novo nome, ninguém ia nos conhecer mesmo, começaríamos do zero. Já pensou que incrível?
Eu parei por alguns segundos para pensar na proposta da minha amiga, e a verdade é que por mais que eu realmente queira um tempo da minha família de vez em quando, eu nunca tinha pensado em ir pra um país totalmente novo, eu m*l sai do estado.
- E poderíamos só fazer uma experiência, se a gente não gostasse, voltaríamos. - Falou.
- Ah, não é uma má ideia, depois que completarmos a maioridade, podemos pensar no assunto.
- Ai, seria tão legal! - Falou bastante empolgada.
Ficamos um pouco em silêncio, e logo acabamos mudando de assunto, mas até que a ideia dela havia chamado a minha atenção, acho que seria bacana, talvez eu pudesse gostar.
(...)
Alguns dias haviam se passado. Eu estava em frente de casa com os meus irmãos enquanto os pirralhos brincavam.
De repente avistei o garoto da casa da frente, cujo nome ainda era uma incógnita para mim. Ele estava saindo de casa, deu uma olhada rápida em minha direção e acenou me cumprimentando, eu fiz o mesmo e então ele foi em direção ao mercado. Fiquei vendo-o se afastar, não sei o porquê, mas só consegui parar de olhar quando ele sumiu do meu campo de visão.