Joseph
A semana foi corrida e não tive um dia de tranquilidade. Fazia um tempo que não precisava viajar tanto assim. Meus projetos paralelos estavam tendo um ótimo retorno, eficiência, e isso significava que eu trabalharia mais.
Mesmo com reuniões e longos dias lendo e planejando coisas, não parei de pensar nela em nem um segundo.Samantha conseguiu aquilo que eu achava estar bem distante de mim;ela estava na minha cabeça e, mais que isso,vê-la depois desse tempo era mais que necessário.
Não estava preparado para sentir o que sentia. Ela estava diferente, usando um vestido que valorizava suas curvas e deixou a franja à mostra.Sua boca era uma tentação.Notei diferença nas suas expressões, ações, e fiquei preocupado.
Desde que nos conhecemos, passamos a conversar quase que diariamente.Não existia mais um mistério, nem medo de dizer nada. Bem...Quase nada.No momento, eu me sentia confuso. Ela era uma pessoa excelente que me deixava alegre e com saudade. Poderia falar que estava viciado nela, pois desejava estar perto dela vinte e quatro horas por dia.
Algo havia mudado nos últimos dias em que ficamos longe um do outro.Samantha estava calada, sendo que odiava o silêncio etinha vezes que tagarelava sobre coisas aleatórias só para ter o que dizer ou haver algum tipo de barulho entre nós. E eu gostava de ouvi-la falar essas coisas. O som da sua voz me libertava da minha vida corrida e, muitas vezes, solitária. Era como se não importasse a quantidade de pessoas ao meu redor, porque sempre me sentia sozinho.Entretanto, quando estava com ela, isso não acontecia.Por esse motivo amava estar ao seu lado.
Depois de uma semana longe dela, pensei em jantarmos juntos, e não queria que fosse como das outras vezes, apesar de gostar de cozinhar para ela. Eu desejava comer algo delicioso e não queria que ficássemosà distância, e sim perto, para olhar em seu rosto e olhos.
Sam ficou calada durante o caminho até o restaurante. Estranho e curioso.Meu medo era de que algo que eu tenha feito, tivesse a chateado.No entanto, se fosse o caso, claramente, ela me diria, com toda asua raiva e provocação.
Paolo era um dos melhores chefes italianos em Nova York,amigo de meus pais e meu.Portanto, eu me sentia acolhido em seu restaurante.
— Não tem ninguém aqui. —Ela encarou o espaço com o cenho franzido, como não a tinhavisto muitas vezes. Sua franja a deixava ainda mais bonita. — Estamos no lugar certo? —sussurrou.
Não pude deixar de rir. Como não havia mais ninguém presente ali, sua atitude de sussurrar foi engraçada.
— Sim, estamos. —Deixei-a entrar primeiro. — Não tem mais ninguém.Por que está sussurrando?
— É o que estou tentando dizer. —falou novamente em um sussurro. — Para onde foi todo mundo?
Eu a conduzi à mesa, ainda sorrindo. Essa era a mulher que eu conheci e gostava.
— Não terá mais ninguém, Samantha.Reservei todo o restaurante para nós.
A surpresa em seu olhar me levou a sorrir mais uma vez.
É impressionante o quanto essa mulher é linda.
— Você o quê?!
— Por que ainda está sussurrando? —fiz o mesmo, bem perto do seu rosto, sentindo ainda mais o seu perfume. Algo que mexia comigo de formas inexplicáveis. Eu entendia o que significava, só não queria admitir. — Não gosto de lugares lotados e desejo privacidade em nosso jantar.
— Você é alguém surpreendente, Joseph. —falou quase séria demais. — Me deixa confusa. Na verdade, penso que tem medo de que outras pessoas nos vejam juntos.
— Se tenho medo de algo em relação a você, Sam, não é de ser visto ao seu lado, e sim de que mais alguém descubra o mesmo que eu.
— E o que seria?
Mal começamos a noite e nossos olhos já travavam uma batalha emocional que me deixava perturbado. Essa mulher mudou algo em mim.Algo que achava não ser mais possível.
— De que notem o quanto você é incrível e magnifica, capaz de fazer mudanças que achei serem impossíveis para mim. —Existia outras coisas que eu desejava falar, mas, no mesmo momento, veio à minha mente as suas palavras se repetindo constantemente: “Nunca vou querer um relacionamento ou mais que uma amizade sincera com alguém”.
Samantha tinha tendência à fuga, só queeu não diria que era uma medrosa.Muito pelo contrário. Ela era uma mulher forte e determinada de quem eu me orgulhava, contudo, em relação a sentimentos, sabia fugir e driblar tais situações.
— O que isso quer dizer?
Encarei-a por um tempo.Ainda nem tínhamos sentado.
Eu me deixei levar pelas emoções, no entanto não queria falar nada que a fizesse ir embora. Afastei-me, puxando a cadeira para que ela se sentasse, edepois que a ajudei, fui para o meu lugar, sentindo um gosto amargo na boca.
— Não é nada demais.
Ela ainda me encarava quando me sentei, mas deixou de lado o assunto.
— Dia difícil no trabalho? —perguntou. — Como foi a viagem?
— Estressante, como sempre.— Respirei fundo.
O garçom nos serviu o vinho, que era produzido pela família de Paolo há anos, e eu tomei um gole dele.
— Nada de surpreendente.Mas vejo que está desanimada.
Quando voltei a olhá-la, encontrei-a me fitando, nem séria, nem contente.O que me deixou pensativo.Acreditava que fosse por conta de algo no trabalho,porém deixaria que ela me contasse.
— Não é nada demais.Só estou refletindo sobre...—Outra vez fomos pegos pelo silêncio. Em seus olhos, algo me dizia que havia coisas que ela não me diria.
— Sobre...? — Nada. Ela não disse nada. — Tem algo errado?Sobre o que está refletindo?
— Sobre o quantos somos tão diferentes. E você parece não ligar para isso. —finalmenterespondeu, porém desviando os olhosdos meus.
Foi a primeira vez que ouvi isso dela.
— Diferentes? —repeti, ainda sem entender. —Em relação aoquê, você nos acha diferentes?
— Não vê? —questionou-me quase com raiva. — Tudo nos diferencia, Joseph.
— Devo confessar que há coisas que são diferentes para nós dois, mas que não sei porque isso a incomoda.
continua...